Autorização federal permite usar 1,416 milhão de metros quadrados em Salvador, Vera Cruz e na Baía de Todos os Santos, enquanto a ponte estaiada integra sistema viário com túneis, viadutos, nova via expressa e duplicação de rodovias
A ponte estaiada que ligará Salvador à Ilha de Itaparica ganhou uma nova frente para avançar na Bahia após a Secretaria do Patrimônio da União autorizar o uso de 1.416.231,24 metros quadrados de áreas federais necessários ao empreendimento. O espaço alcança Salvador, Vera Cruz e o espelho d’água da Baía de Todos os Santos e equivale, segundo cálculo apresentado pela fonte principal, a cerca de 196 campos de futebol.
A informação foi publicada pelo ND Mais em 21 de setembro de 2026, com base na Portaria MGI-SPU-BA/MGI nº 7.580/2026, publicada no Diário Oficial da União. O projeto tem investimento estimado atualmente em cerca de R$ 12 bilhões e faz parte de um sistema viário bem maior que a ponte propriamente dita, com acessos, túneis, viadutos, nova via expressa e duplicação de trecho da BA-001. Fontes oficiais do Governo da Bahia confirmam que a travessia principal terá 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos.
Área liberada supera 1,4 milhão de metros quadrados

A autorização federal é necessária porque parte das intervenções ocupa terrenos da União e áreas sobre a Baía de Todos os Santos. Dos 1.416.231,24 metros quadrados liberados, 100.855,61 m² ficam em Água de Meninos, em Salvador, região onde serão implantadas estruturas relacionadas ao acesso e à chegada da ponte na capital.
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A maior parcela está sobre a própria baía: são 1.286.386,30 m² de espelho d’água. Em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, outros 28.989,33 m² em terra firme foram incluídos na autorização para permitir a integração da estrutura ao sistema rodoviário que continuará pelo município. A soma dessas três áreas produz a comparação equivalente a aproximadamente 196 campos de futebol apresentada pelo ND Mais.
Ponte principal terá 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos
Embora números maiores sejam usados para descrever todo o sistema rodoviário, a Ponte Salvador–Ilha de Itaparica terá 12,4 quilômetros de extensão sobre a água. A estrutura fará a ligação direta entre Salvador e Vera Cruz e é apresentada pelo Governo da Bahia como a maior ponte da América Latina sobre lâmina d’água.
O trecho estaiado será uma das partes tecnicamente mais complexas da construção. Informações oficiais indicam que a estrutura poderá alcançar até 85 metros de altura nesse segmento. Por razões de segurança e características do projeto, não está prevista circulação de pedestres na travessia, enquanto ônibus poderão utilizar a ligação rodoviária.
R$ 12 bilhões serão aplicados em uma obra que vai além da ponte
O orçamento apresentado em agosto pela Secretaria Extraordinária do Sistema Viário Oeste colocou o empreendimento em aproximadamente R$ 12 bilhões, somando recursos públicos e privados. O valor mais recente foi detalhado pelo secretário Mateus Dias durante apresentação sobre o andamento das obras e coincide com a estimativa divulgada pela fonte principal.
A ponte estaiada é apenas o elemento mais visível do projeto. Em Salvador, a implantação inclui cerca de 4 quilômetros de novas estruturas viárias entre a região da Calçada e Água de Meninos, com viadutos e dois túneis paralelos aos existentes na Via Expressa. Na Ilha de Itaparica, está prevista uma via expressa de aproximadamente 22 quilômetros, seguida pela duplicação de um trecho da BA-001.
Túneis, viadutos e rodovias vão conectar a travessia ao restante da Bahia

A chegada de uma ponte desse porte às duas margens exige uma rede de acessos capaz de absorver o fluxo de veículos. Em Salvador, o sistema deverá se conectar à malha existente da Cidade Baixa e à Via Expressa. Em Vera Cruz, a nova via permitirá distribuir o tráfego pela ilha e conectá-lo aos corredores rodoviários em direção ao Recôncavo e ao Baixo Sul.
O projeto oficial prevê uma nova via expressa com cerca de 22 quilômetros entre a região de Mar Grande e as proximidades de Cacha Pregos. Na sequência, aproximadamente 8,8 quilômetros da BA-001 deverão ser duplicados até a região da Ponte do Funil. Por isso, o impacto físico da obra ultrapassa com folga os 12,4 quilômetros da travessia marítima.
Obras começaram oficialmente em julho de 2026
O início oficial da construção ocorreu em 1º de julho de 2026, durante ato em Vera Cruz. Antes disso, o projeto passou por etapas de licenciamento, preparação de canteiros, chegada de equipamentos e autorizações para intervenções em terra e no ambiente da Baía de Todos-os-Santos.
Em junho, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia publicou atos como a Licença de Implantação, autorização para supressão de vegetação, manejo de fauna e medidas compensatórias. Esses documentos fazem parte das condições legais necessárias para que as diferentes frentes da obra avancem.
Projeto é executado por PPP com grupos chineses de engenharia
A obra é desenvolvida por meio de uma Parceria Público-Privada entre o Governo da Bahia e a Concessionária Ponte Salvador–Itaparica. Segundo a página oficial do projeto, o consórcio reúne a China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC) e a China Communications Construction Company (CCCC).
A participação das companhias chinesas também aparece na etapa de fabricação e preparação dos componentes necessários à construção. Equipamentos e materiais começaram a chegar ao estado antes do início das principais frentes, enquanto canteiros foram organizados em diferentes pontos para atender à escala da operação. O Governo da Bahia estima milhares de postos de trabalho ao longo da construção e iniciou programas voltados à qualificação de mão de obra local.
Plataforma provisória de 12 quilômetros será montada para apoiar a construção
Antes de a estrutura definitiva atravessar a baía, o projeto prevê uma plataforma linear provisória de aproximadamente 12 quilômetros de comprimento. Ela servirá de apoio às atividades de construção, permitindo movimentar trabalhadores, equipamentos e materiais ao longo da futura travessia.
Essa etapa ajuda a explicar por que o avanço de uma obra marítima desse porte ocorre de maneira diferente de uma ponte construída inteiramente em terra. Fundações, estacas, acessos de serviço e estruturas temporárias precisam ser instalados antes que os trechos definitivos apareçam com maior clareza na paisagem da Baía de Todos-os-Santos.
Ponte pretende criar ligação rodoviária direta entre Salvador e a ilha
Hoje, a ligação direta mais conhecida entre Salvador e Itaparica depende do sistema de ferry-boat. Com a construção da nova ponte, veículos poderão cruzar a baía por uma ligação rodoviária contínua e seguir pelas novas vias previstas no projeto.
A administração estadual relaciona o empreendimento à mobilidade entre Salvador, Ilha de Itaparica, Recôncavo e Baixo Sul. A página oficial do sistema afirma que a nova ligação poderá influenciar deslocamentos envolvendo mais de 250 municípios. Essas projeções pertencem ao planejamento governamental e dependem da conclusão e da futura operação de todo o conjunto viário.
Trecho estaiado será um dos pontos de maior complexidade da obra
Em uma ponte estaiada, parte do tabuleiro é sustentada por cabos ligados diretamente a torres. Essa solução permite criar vãos maiores com menos apoios intermediários, característica especialmente relevante em áreas onde é necessário preservar canais de navegação.
No projeto baiano, o trecho estaiado integra uma estrutura muito mais extensa, formada por diferentes soluções de engenharia ao longo dos 12,4 quilômetros. As dimensões e as condições marítimas da Baía de Todos-os-Santos exigem fundações e componentes dimensionados para operar sob influência de vento, água salgada, circulação de embarcações e grandes volumes de tráfego.
Autorização federal substitui ato anterior sobre uso das áreas
A nova autorização da Secretaria do Patrimônio da União substituiu uma permissão anterior concedida em julho de 2026. A atualização foi formalizada pela Portaria MGI-SPU-BA/MGI nº 7.580/2026 e passou a reger o uso das áreas federais associadas às intervenções.
Esse tipo de ato não representa, sozinho, a construção física de um novo trecho. Ele resolve uma etapa patrimonial e administrativa necessária para que o empreendimento utilize legalmente áreas pertencentes à União, incluindo o espelho d’água onde parte significativa da ponte estaiada será implantada.
Cronograma atual aponta conclusão para junho de 2031
A programação citada pelo ND Mais prevê que os serviços sejam concluídos em junho de 2031. Até lá, o empreendimento deverá atravessar diferentes fases, da preparação de acessos e estruturas provisórias à execução das fundações, pilares, tabuleiro, trecho estaiado e conexões rodoviárias.
O cronograma de uma obra marítima dessa escala depende da sequência de atividades técnicas, ambientais e logísticas. Por isso, o avanço é acompanhado simultaneamente pelo governo estadual, pela concessionária, por órgãos ambientais e pelas instituições responsáveis pelas áreas públicas utilizadas durante a implantação.
Liberação de 196 campos de futebol abre nova frente para a megaobra baiana
Com a autorização sobre 1,416 milhão de metros quadrados, o projeto passa a ter formalmente disponíveis áreas fundamentais em Salvador, Vera Cruz e na Baía de Todos-os-Santos. A medida se soma ao início das obras, às licenças ambientais e à mobilização de equipamentos já realizada ao longo de 2026.
A próxima evolução visível dependerá do avanço das estruturas provisórias e das frentes de construção que sustentarão a travessia definitiva. Se o cronograma atual for mantido, a Bahia deverá chegar a 2031 com uma ponte de 12,4 quilômetros conectada a um novo conjunto de acessos, túneis, viadutos e rodovias dos dois lados da baía.
Você acredita que uma obra desse porte pode mudar a mobilidade e a economia da região? Deixe sua opinião nos comentários.
