Encontrada na Floresta Estadual do Paru, a maior árvore da Amazônia tem tronco de 9,9 metros de circunferência, copa acima do dossel e só foi alcançada pela equipe em 2022, depois de expedições difíceis, antes de a região virar parque estadual de proteção integral em Almeirim, no norte do Pará.
A maior árvore da Amazônia conhecida atualmente é um angelim-vermelho de 88,5 metros localizado na Floresta Estadual do Paru, no norte do Pará. Detectado por mapeamento em 2019 e alcançado em campo somente em 2022, o exemplar tem 9,9 metros de circunferência e aproximadamente 3,15 metros de diâmetro.
Segundo o portal Oeste Geral, da Revista Oeste, em publicação de 12 de julho de 2026, diferentes expedições tentaram chegar até o gigante antes da medição definitiva. A descoberta também revelou uma concentração de angelins com mais de 70 metros e contribuiu para ampliar a proteção ambiental da região.
Altura se aproxima de um edifício de 30 andares

Os 88,5 metros entre a base e a copa colocam o angelim-vermelho em uma escala difícil de perceber dentro da mata. A altura é comparável à de um prédio com aproximadamente 30 pavimentos, embora o tronco esteja cercado por milhões de outras árvores.
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O exemplar pertence à espécie Dinizia excelsa, conhecida por ultrapassar a camada formada pelas copas da floresta. Quando alcança essa posição emergente, a árvore recebe luz solar direta enquanto seu tronco atravessa praticamente toda a estrutura vertical da vegetação.
Tronco tem quase 10 metros de circunferência
Além da altura, o angelim apresenta 9,9 metros de circunferência. A medida indica que seriam necessárias várias pessoas de mãos dadas para completar uma volta ao redor do tronco.
O diâmetro aproximado é de 3,15 metros na altura utilizada durante o levantamento. As dimensões mostram que o recorde não se limita à distância até a copa, mas também envolve uma estrutura larga capaz de sustentar o peso e resistir às condições da floresta.
Gigante permaneceu invisível dentro da mata

Mesmo com tamanho excepcional, a maior árvore da Amazônia ficou desconhecida por muito tempo. Vista do chão, uma floresta fechada oferece apenas trechos dos troncos próximos e pequenas partes das copas, dificultando a identificação de árvores que se destacam em altura.
A distância de estradas e centros urbanos também contribuiu para o isolamento. O angelim cresce em uma região acessível somente depois de deslocamentos por rios e longas caminhadas por terrenos sem trilhas abertas.
Tecnologia aérea apontou a localização em 2019
O exemplar foi detectado durante trabalhos de mapeamento realizados em 2019. A tecnologia utilizada permitia estimar a altura da vegetação e separar os pontos que poderiam corresponder a árvores muito acima do dossel.
A identificação de uma coordenada, porém, resolveu apenas parte do problema. Os pesquisadores ainda precisavam chegar fisicamente ao local para confirmar a espécie, medir o tronco e comparar os números obtidos em campo com as estimativas aéreas.
Primeiras tentativas terminaram antes do destino

Uma das expedições não conseguiu completar o trajeto até o angelim. O grupo enfrentou cansaço, redução dos mantimentos disponíveis e o adoecimento de um dos integrantes, fatores que obrigaram a equipe a interromper a jornada.
A experiência demonstrou que localizar uma árvore em um mapa não significa ter acesso fácil a ela. Rios, terreno irregular, vegetação fechada e distância dos pontos navegáveis transformaram a busca em uma operação que dependia de planejamento, resistência física e conhecimento regional.
Jornada definitiva durou cerca de duas semanas
A equipe que finalmente alcançou a árvore reuniu pesquisadores, guias locais e profissionais acostumados à região do rio Jari. A viagem combinou trechos percorridos por embarcação com deslocamentos a pé dentro da floresta.
Depois de aproximadamente duas semanas, o grupo chegou às coordenadas e conseguiu realizar as medições. A confirmação em campo transformou uma indicação obtida pelo mapeamento em um registro documentado da maior árvore da Amazônia.
Medição revelou um santuário de árvores gigantes

A expedição não encontrou apenas o exemplar de 88,5 metros. Outros angelins-vermelhos com mais de 70 metros foram registrados na mesma porção da Floresta Estadual do Paru.
A concentração mostrou que a região abriga condições capazes de sustentar árvores excepcionais. Em vez de um gigante isolado, os pesquisadores identificaram um conjunto de colossos que transformou a área em um santuário natural de angelins emergentes.
Árvores acima do dossel dependem de todo o ambiente
A copa elevada garante maior exposição à luz, mas o crescimento de uma árvore desse porte depende de diversos elementos ao redor. Solo, disponibilidade de água, estabilidade climática e interação com outras espécies ajudam a manter a estrutura viva durante décadas.
Por isso, proteger somente o tronco recordista não seria suficiente. A conservação precisa alcançar a floresta ao redor, os cursos de água, a fauna, a vegetação menor e os processos ecológicos que permitem a sobrevivência de árvores tão altas.
Área deixou modelo de uso sustentável
A presença da árvore recordista e dos demais angelins gigantes alterou o destino daquela parte da Floresta Estadual do Paru. A região, anteriormente submetida a regras de uso sustentável, foi recategorizada para receber proteção integral.
A mudança estabeleceu um modelo mais restritivo de conservação. O objetivo passou a ser preservar não apenas a maior árvore da Amazônia, mas todo o ecossistema necessário para manter de pé os outros exemplares encontrados na região.
Parque estadual foi criado em setembro de 2024
O Decreto Estadual nº 4.219, publicado em 28 de setembro de 2024, criou o Parque Estadual Ambiental das Árvores Gigantes da Amazônia. A unidade de conservação está localizada no município de Almeirim, no Pará.
O parque possui aproximadamente 560 mil hectares. A extensão protegida coloca o angelim recordista no centro de uma área muito maior, criada para preservar árvores gigantes, habitats associados e paisagens ainda pouco acessíveis da floresta amazônica.
Proteção permite pesquisa e visitação controlada
O novo parque poderá receber pesquisas científicas, ações de educação ambiental e visitação controlada relacionada ao ecoturismo. Essas atividades deverão respeitar as regras aplicáveis a uma unidade de proteção integral.
A pesquisa pode ajudar a explicar por que tantos angelins atingiram alturas incomuns naquela região. Estudos sobre idade, crescimento, solo, disponibilidade de água e armazenamento de carbono podem ampliar o conhecimento sobre o papel desses gigantes na floresta.
Descoberta transforma árvore escondida em símbolo
Durante anos, o angelim-vermelho permaneceu distante dos caminhos conhecidos e invisível sob a perspectiva de quem observava a mata a partir do chão. O mapeamento aéreo e as expedições permitiram revelar a escala real do exemplar.
Agora, seus 88,5 metros representam tanto um recorde natural quanto um argumento concreto para a conservação. Você acredita que áreas com árvores gigantes deveriam permanecer fechadas à visitação ou poderiam receber ecoturismo controlado? Conte nos comentários como esse patrimônio da Amazônia deve ser protegido.


Receber ecoturistas somente com a devida autorização e sob controle rigoroso !
Concordamos, Ladislau! O controle rigoroso é essencial para preservar a Amazônia e garantir que o ecoturismo não comprometa seu frágil equilíbrio. Essa iniciativa do Parque Estadual Ambiental é fundamental para proteger nosso incrível patrimônio natural.