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Com cerca de 30.000 cavalos de potência, casco duplo e cinturão de gelo revestido com aço inoxidável, o gigantesco quebra-gelo japonês Shirase vence camadas de até 5 metros em manobras de impacto e leva 1.100 toneladas de combustível e suprimentos para manter viva uma base científica isolada no fim do mundo

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 16/07/2026 às 18:44 Atualizado em 16/07/2026 às 19:27
Assista o vídeoConheça o quebra-gelo japonês Shirase, com 30 mil cavalos, casco duplo e força para romper gelo de até cinco metros na Antártica gelada.
Conheça o quebra-gelo japonês Shirase, com 30 mil cavalos, casco duplo e força para romper gelo de até cinco metros na Antártica gelada.
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Movido por cerca de 30 mil cavalos de potência, o Shirase reúne casco duplo, aço inoxidável e jatos d’água para atravessar gelo antártico, transportar combustível, helicópteros e suprimentos, além de sustentar uma base científica isolada em uma das regiões mais hostis do planeta.

O quebra-gelo japonês Shirase combina uma propulsão de 22.065 quilowatts, equivalente a cerca de 30 mil cavalos de potência, com um casco preparado para enfrentar grandes extensões congeladas em uma das áreas de navegação mais severas da Antártica.

Responsável por transportar pessoas, combustível, alimentos, equipamentos e contêineres, a embarcação atende a base japonesa instalada na baía de Lützow-Holm, onde a chegada de suprimentos depende diretamente da capacidade de abrir caminho através do gelo.

Quebra-gelo Shirase abastece base científica na Antártica

Segundo a Japan Ship Exporters’ Association, responsável pela ficha técnica da embarcação, o Shirase pode levar aproximadamente 1.100 toneladas de carga e acomodar até 80 cientistas e observadores durante suas operações no continente antártico.

Desse volume, cerca de 600 toneladas podem ser formadas por óleo combustível, recurso indispensável para manter geradores, sistemas de aquecimento, veículos e outras atividades operacionais essenciais funcionando ao longo da permanência das equipes na região.

Quando a camada congelada se torna espessa demais para a navegação convencional, a capacidade mais impressionante do navio entra em ação, combinando potência, peso estrutural e controle de manobra para vencer barreiras que impediriam a passagem de embarcações comuns.

Conheça o quebra-gelo japonês Shirase, com 30 mil cavalos, casco duplo e força para romper gelo de até cinco metros na Antártica gelada.
Conheça o quebra-gelo japonês Shirase, com 30 mil cavalos, casco duplo e força para romper gelo de até cinco metros na Antártica gelada.

Em gelo nivelado de 1,5 metro, o Shirase consegue avançar continuamente a três nós, velocidade próxima de 5,6 quilômetros por hora, enquanto formações maiores exigem manobras de impacto capazes de romper camadas com aproximadamente cinco metros de espessura.

Como o Shirase rompe gelo de até cinco metros

Em vez de funcionar como uma lâmina que simplesmente corta a superfície congelada, o navio utiliza a massa do casco, a potência da propulsão e a geometria da proa para pressionar o gelo até provocar sua fratura.

Esse processo exige controle preciso, porque a resistência muda ao longo da rota e alterna trechos de gelo nivelado, neve acumulada e placas compactadas pelo movimento do mar, criando condições diferentes a cada avanço da embarcação.

Por meio de um sistema diesel-elétrico, a potência chega às duas hélices de passo fixo, permitindo que a propulsão responda às variações intensas de carga encontradas durante a travessia por áreas parcialmente abertas ou totalmente congeladas.

A configuração descrita pela associação japonesa reúne quatro motores geradores principais, quatro motores elétricos e inversores por modulação de largura de pulso, tecnologia conhecida pela sigla PWM, utilizada para controlar a energia entregue ao conjunto propulsor.

Jatos d’água reduzem a resistência da neve

Antes mesmo de a proa pressionar o gelo, outro recurso começa a atuar na parte dianteira da embarcação, liberando até 260 metros cúbicos de água por minuto para reduzir a resistência provocada pela neve acumulada.

Ao diminuir o atrito sobre a superfície, a água ajuda o casco a manter o avanço em áreas onde a neve poderia elevar significativamente o esforço exigido da propulsão e comprometer a eficiência das manobras de quebra.

A proteção estrutural, porém, vai além de uma chapa de aço mais espessa, pois o Shirase possui casco duplo e utiliza aço revestido com uma camada inoxidável altamente resistente à corrosão na faixa em contato direto com o gelo.

Conheça o quebra-gelo japonês Shirase, com 30 mil cavalos, casco duplo e força para romper gelo de até cinco metros na Antártica gelada.
Conheça o quebra-gelo japonês Shirase, com 30 mil cavalos, casco duplo e força para romper gelo de até cinco metros na Antártica gelada.

De acordo com a ficha técnica, esse material foi desenvolvido para conservar uma superfície de baixo atrito por longos períodos, característica importante em viagens marcadas pelo contato constante com água salgada, neve compactada e placas congeladas.

Casco duplo protege combustível e estrutura do navio

Ao envolver todos os tanques de combustível, o casco duplo reduz o risco de vazamento caso a parte externa sofra danos, enquanto os equipamentos de tratamento de resíduos ajudam a limitar impactos ambientais durante as operações.

Com 138 metros de comprimento, 28 metros de largura e arqueação bruta aproximada de 18.300 toneladas, o navio reúne transporte, aviação e pesquisa em uma única plataforma preparada para trabalhar longe de estruturas portuárias convencionais.

Embora alcance velocidade máxima de 19 nós em águas abertas, seu desempenho decisivo aparece quando o gelo limita a aproximação da costa antártica e transforma cada milha navegada em uma operação de engenharia, coordenação e resistência estrutural.

Contêineres e helicópteros ampliam a logística polar

A carga pode ser distribuída em até 56 contêineres de 12 pés, enquanto três helicópteros, dois CH-101 e uma aeronave da classe A355, podem ser levados a bordo conforme a configuração registrada na documentação técnica.

Essas aeronaves ampliam o alcance logístico antártico quando a descarga direta encontra limitações, permitindo deslocar equipes e materiais entre o navio e os pontos atendidos pela expedição, mesmo quando o gelo dificulta a aproximação final.

Ainda assim, a presença dos helicópteros não elimina a necessidade de grande capacidade interna, porque combustível, peças, instrumentos científicos e provisões precisam atravessar o oceano dentro da mesma janela operacional restrita disponível para o abastecimento.

Sem uma cadeia permanente de suprimentos comparável à de instalações localizadas em regiões habitadas, cada espaço de carga do Shirase atende a uma operação planejada para funcionar durante longos períodos de isolamento e baixas temperaturas.

Pesquisa científica acompanha a missão de abastecimento

Além do transporte, laboratórios e equipamentos de pesquisa em meteorologia, geociências, oceanografia e biologia integram a estrutura da embarcação, permitindo que a viagem também produza observações científicas durante a travessia e a permanência em águas polares.

Entre os instrumentos instalados está um sonar multifeixe estreito, adaptado para áreas cobertas por gelo e capaz de traçar o perfil do fundo marinho, transformando o navio em uma plataforma de observação além da função logística.

Pertencente ao Ministério da Defesa do Japão, a embarcação foi construída como a quarta geração de navios destinados ao programa antártico nacional, incorporando experiências acumuladas ao longo das operações realizadas por seus antecessores.

O projeto concentrou melhorias no reforço do casco, na eficiência da movimentação de contêineres, na proteção dos tanques de combustível e na capacidade de conduzir observações em regiões congeladas, sem separar a logística da pesquisa científica.

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Operação real em gelo com mais de quatro metros

Na primeira missão antártica registrada pela associação, o Shirase encontrou gelo com quatro metros ou mais de espessura e completou as tarefas de observação e transporte previstas, demonstrando sua capacidade fora das condições controladas de projeto.

Esse resultado ajuda a dimensionar a diferença entre uma capacidade declarada e uma operação real, na qual sistemas, tripulação e carga precisam permanecer funcionando enquanto centenas de toneladas de suprimentos atravessam uma rota sem alternativas próximas.

A rotina depende da integração contínua entre navegação, máquinas, carga e aviação, porque qualquer mudança no gelo pode alterar o esforço exigido da propulsão, a segurança dos contêineres e o planejamento de deslocamento dos helicópteros.

Enquanto a ponte procura a passagem mais adequada, a equipe de engenharia administra potência, sistemas elétricos e vibrações, ao mesmo tempo que tanques, aeronaves e equipamentos precisam permanecer seguros sob movimento constante e temperaturas extremamente baixas.

Em um lugar onde uma barreira pode interromper a chegada de combustível, comida e instrumentos científicos, até que ponto a continuidade da pesquisa na Antártica depende de máquinas capazes de transformar força, água e aço em uma rota temporária sobre o oceano congelado?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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