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Lixo de Salvador vai alimentar uma usina de R$ 303,7 milhões que transforma resíduos em gás renovável

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 07/10/2026 às 14:01 Atualizado em 07/10/2026 às 14:20
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Projeto de R$ 303,7 milhões em Salvador prevê produzir 130 mil m³ de biometano por dia usando o gás gerado por resíduos urbanos.

O gás que escapa da decomposição do lixo enterrado em um aterro de Salvador pode terminar dentro de indústrias, veículos ou outras operações que hoje dependem de gás natural fóssil. Segundo a MegaWhat Projeto de biometano de R$ 304 milhões avança em Salvador, o Ministério de Minas e Energia aprovou o enquadramento no Reidi do projeto Biometano Salvador, que prevê R$ 303,7 milhões em investimentos e capacidade para produzir 130 mil metros cúbicos normais de biometano por dia. A matéria-prima será o biogás gerado pela decomposição de resíduos sólidos domiciliares.

O cronograma declarado para implantação vai de janeiro de 2026 a janeiro de 2028. Em vez de simplesmente deixar o gás do aterro seguir seu destino convencional, a nova planta deverá purificá-lo até chegar a um combustível com características próximas às do gás natural.

O projeto acaba de ganhar um incentivo federal importante

O movimento mais recente aconteceu com a entrada do empreendimento no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura, o Reidi.

Esse regime permite suspender PIS/Pasep e Cofins cobrados sobre determinados bens e serviços utilizados na implantação de projetos de infraestrutura.

No caso de Salvador, o investimento total apresentado ao governo é de aproximadamente R$ 303,7 milhões.

Com o benefício tributário considerado, a estimativa informada para o investimento cai para aproximadamente R$ 278 milhões.

Não é dinheiro entregue pelo governo à empresa. É uma redução de determinados impostos cobrados durante a implantação, desde que as regras do programa sejam cumpridas.

Mais de R$ 270 milhões serão destinados a equipamentos e outros bens

A divisão do orçamento mostra que o maior peso está dentro da própria planta industrial. Dos R$ 303,7 milhões previstos, aproximadamente R$ 270,2 milhões correspondem à aquisição de bens.

Outros R$ 29,5 milhões aparecem ligados à contratação de serviços. Cerca de R$ 3,9 milhões correspondem a outros gastos previstos no projeto.

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Isso ajuda a mostrar a escala da estrutura necessária para transformar gás bruto de aterro em combustível comercial.

O biogás não pode simplesmente sair dos resíduos e entrar diretamente em uma rede de gás.

O combustível começa a nascer enquanto o lixo se decompõe

Dentro de um aterro sanitário, restos de alimentos e outros materiais orgânicos continuam se decompondo mesmo depois de enterrados.

Nesse processo surgem gases. Entre eles está o metano. O biogás coletado possui metano, mas também contém dióxido de carbono, umidade e outras substâncias que precisam ser retiradas antes do uso como biometano.

A nova instalação deverá fazer justamente essa limpeza. Depois de passar por equipamentos de purificação, o produto pode alcançar qualidade muito mais próxima à do gás natural comercial.

A capacidade prevista chega a 130 mil m³ todos os dias

O número central do projeto é a capacidade diária. A documentação divulgada aponta 130 mil Nm³ de biometano por dia.

Nm³ significa metro cúbico normal. É uma forma padronizada de medir volumes de gases considerando condições definidas de pressão e temperatura.

Gigante alemã com mais de 700 projetos entra no Brasil para transformar resíduos em gás renovável enquanto mercado de biometano começa a acelerar
novas plantas de biogás e biometano no país

Essa padronização permite comparar produção, transporte e consumo mesmo quando o gás passa por equipamentos e ambientes diferentes.

É uma quantidade que coloca o empreendimento muito além de uma instalação demonstrativa.

Se a unidade atingir a capacidade projetada, Salvador passará a transformar continuamente uma parte do gás de seus resíduos em produto energético comercial.

O aterro deixa de ser apenas destino final do lixo

Durante muito tempo, aterros foram vistos basicamente como o lugar onde o lixo terminava sua jornada. O biometano muda essa lógica.

O resíduo continua sendo depositado, mas o gás gerado durante sua decomposição ganha valor econômico.

Uma rede de tubulações pode captar o biogás dentro do próprio aterro. Depois, equipamentos conduzem esse material para tratamento.

A operação transforma um subproduto do lixo em matéria-prima para uma nova indústria.

O mesmo resíduo que antes representava apenas custo de coleta e disposição passa a participar de uma cadeia de energia.

Salvador entra no projeto justamente quando o Brasil cria demanda para o biometano

O momento regulatório ajuda a explicar por que novas plantas começam a aparecer. Em 6 de outubro de 2026, o Ministério de Minas e Energia colocou em consulta pública uma proposta para dobrar a meta de redução de emissões do mercado de gás por meio do biometano em 2027.

A proposta é passar dos atuais 0,5% para 1%.

Isso corresponde a aproximadamente 995,2 mil metros cúbicos de biometano por dia dentro da conta apresentada pelo governo.

Para 2028, a indicação sobe para 3%. Depois passa para 4% em 2029 e 5% em 2030.

A planta de Salvador está sendo preparada justamente quando começa a surgir um mercado obrigatório maior para esse combustível.

O combustível poderá substituir gás fóssil sem exigir uma máquina totalmente nova

Uma vantagem do biometano é sua semelhança com o gás natural. Depois de atingir as especificações necessárias, ele pode ser usado em várias aplicações que já trabalham com metano.

Isso abre espaço para indústrias, veículos pesados, frotas, geração de energia e outros consumidores.

Dependendo da localização da planta e da infraestrutura disponível, o combustível também pode viajar comprimido em caminhões.

Esse modelo é chamado, informalmente, de gasoduto virtual. Em outras situações, plantas de biometano podem ser conectadas a redes de gás canalizado.

O formato de escoamento específico do projeto de Salvador ainda precisa ser detalhado publicamente.

A Bahia começou a mapear quanto combustível existe escondido nos resíduos

O empreendimento surge no mesmo ano em que o estado lançou o Atlas Bioenergia Bahia. O estudo mapeia resíduos agrícolas, urbanos, animais, florestais e industriais que podem ser aproveitados para produzir energia.

Entre as possibilidades estão biogás e biometano. No caso dos resíduos urbanos, entram tanto o lixo sólido quanto o esgoto sanitário.

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A ideia é identificar onde existe matéria-prima suficiente para justificar novas instalações.

No Oeste da Bahia, a força vem principalmente do agronegócio. No Extremo Sul, a cadeia de papel e celulose abre outras possibilidades.

Em grandes cidades, aterros e saneamento criam outra fonte de material energético.

Salvador pode mostrar como uma cidade transforma um problema urbano em combustível

Grandes cidades produzem lixo continuamente. Quanto maior a população e o consumo, maior o desafio de coletar, transportar e destinar esses resíduos.

A planta acrescenta uma etapa energética a essa cadeia. Depois que o lixo chega ao aterro e começa a se decompor, parte do gás poderá ser captada, limpa e vendida como combustível.

Isso não elimina a necessidade de reciclagem nem resolve sozinho o problema dos resíduos urbanos.

Materiais recicláveis continuam tendo destinos mais adequados quando separados corretamente. O projeto trabalha principalmente com o gás formado pela parcela orgânica que chegou ao aterro e entrou em decomposição.

O lixo que chega ao aterro pode sair de lá com outro valor

A transformação começa com algo comum a qualquer grande cidade. Caminhões recolhem resíduos. O material chega ao aterro. A matéria orgânica entra em decomposição e libera gás.

A diferença estará no que acontecerá depois.

Em vez de enxergar esse gás apenas como um problema que precisa ser controlado, o projeto Biometano Salvador pretende colocá-lo dentro de uma planta industrial de R$ 303,7 milhões.

Equipamentos irão retirar impurezas. O teor de metano aumentará. O produto final poderá seguir para consumidores que hoje usam combustíveis fósseis.

Ao mesmo tempo, o governo federal começa a criar uma demanda maior para biometano no mercado brasileiro de gás.

A combinação coloca aterros sanitários em uma posição diferente dentro da infraestrutura energética.

O lugar onde toneladas de lixo encerram sua viagem pode começar a funcionar também como ponto de partida para um combustível renovável.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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