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Queimado como lixo por anos, material vegetal abundante pode virar base do nylon e estudo na Nature mostra rota com bactéria modificada para produzir ácido adípico com rendimento de 26%

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 14/06/2026 às 16:39
Atualizado em 14/06/2026 às 17:08
Estudo mostra rota para produzir ácido adípico do nylon a partir da lignina, com rendimento de 26% e uso de bactéria modificada.
Estudo mostra rota para produzir ácido adípico do nylon a partir da lignina, com rendimento de 26% e uso de bactéria modificada.
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Material vegetal abundante na indústria de papel e biocombustíveis, a lignina aparece em estudo publicado na Nature como possível rota para produzir ácido adípico, componente essencial do nylon, combinando etapas usadas em refinarias, oxidação química e bactéria geneticamente modificada.

Queimada durante anos como subproduto de baixo valor, a lignina aparece como candidata a mudar a produção de nylon. Um estudo na Nature mostrou rota experimental para transformá-la em ácido adípico, componente essencial desse polímero.

Lignina deixa de ser resíduo e entra na mira do nylon

O nylon está em roupas, peças automotivas, isolamento de fios e suprimentos médicos. Por trás desse uso amplo está o ácido adípico, produzido a partir do benzeno derivado do petróleo, em processos altamente intensivos.

A lignina é um polímero aromático que dá rigidez às plantas. Está entre os polímeros orgânicos mais abundantes do planeta, mas segue pouco aproveitada pela indústria química.

Milhões de toneladas saem todos os anos da fabricação de papel e biocombustíveis. Em vez de virar produtos de maior valor, grande parte acaba queimada como combustível barato.

O desafio está na própria natureza da lignina. Sua composição heterogênea, a reatividade química e a degradação durante a extração tornam difícil obter moléculas simples em escala competitiva.

Novo processo combina refino, oxidação e bactéria modificada

A pesquisa apresentou uma sequência com lascas de madeira de álamo. Primeiro, a equipe usou fracionamento catalítico redutivo para extrair e despolimerizar parcialmente a lignina.

Depois, o óleo passou por hidrodesoxigenação contínua. Essa etapa removeu oxigênio e grupos fenólicos preparando a mistura para a quebra controlada de ligações de carbono.

Na etapa seguinte, a oxidação clivou ligações nos compostos aromáticos alquílicos e reintroduziu oxigênio. O resultado foi uma mistura aquosa de ácidos carboxílicos aromáticos, adequada para a fase biológica.

A equipe então utilizou Pseudomonas putida modificada. A bactéria converteu a maior parte dos ácidos carboxílicos aromáticos em muconolactona, composto que depois pôde ser transformado quimicamente em ácido adípico.

Rendimento ainda é limitado, mas supera rotas anteriores

O processo alcançou rendimento final de cerca de 26% em peso, medido em gramas de ácido adípico por grama de lignina. O número supera o limite comum de métodos anteriores.

As rotas existentes costumam atingir no máximo cerca de 20% em peso para um único produto. Além disso, geram misturas complexas de fenóis monoméricos e oligoméricos, difíceis de separar e purificar.

A equipe estima que, com otimização, a rota poderia chegar teoricamente a 57% em peso. O método também funcionou com lignina de álamo, pinheiro e bétula, indicando flexibilidade quanto à matéria-prima.

Essa flexibilidade importa porque o resíduo aparece em diferentes cadeias de biomassa. Converter esse material em precursores de nylon reduziria desperdício e diminuir a pegada de carbono ligada aos plásticos petroquímicos.

Obstáculos industriais ainda precisam ser resolvidos

Apesar do avanço, o rendimento de 26% em peso ainda não basta para escala industrial. Uma limitação está na bactéria modificada, que não metaboliza alguns componentes minoritários da mistura de oxidação.

Outro entrave é o fracionamento catalítico redutivo. A tecnologia ainda não é economicamente madura e depende de solventes puros e catalisadores de metais preciosos, fatores importantes para escala comercial.

Os autores apontam que processos semelhantes podem ser aplicados a substratos de lignina condensada, como a lignina Kraft, com novos desenvolvimentos. Mais engenharia metabólica também poderia ampliar o alcance da bioconversão.

Com ajustes, a abordagem poderia incluir produtos de auto-oxidação mais complexos, como ácidos benzenotricarboxílicos. O objetivo é aproximar a lignina de produtos biologicamente acessíveis para a indústria.

A pesquisa ainda não substitui a produção convencional de ácido adípico, mas mostra caminho técnico para valorizar um resíduo abundante. Para o nylon, isso significa uma possível rota menos dependente do petróleo.

O que você achou da possibilidade de transformar material vegetal antes queimado em base para nylon? Deixe sua opinião nos comentários e conte se esse tipo de avanço deveria ganhar mais espaço na indústria.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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