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Depois de anos usando ganchos no lugar de uma mão, menina de 10 anos ganhou braço robótico de jovem que começou treinando com LEGO aos 14 anos, passou seis anos aperfeiçoando próteses e imprimiu dedos com unhas iguais para ela deixar os ganchos para trás, dar high-five e formar coração com as duas mãos

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Escrito por Ana Alice Publicado em 19/07/2026 às 13:30 Atualizado em 19/07/2026 às 13:32
Assista o vídeoJovem inventor cria braço robótico impresso em 3D após começar com LEGO e ajuda menina de 10 anos a mover os dedos e formar um coração. (Imagem: Ilustrativa)
Jovem inventor cria braço robótico impresso em 3D após começar com LEGO e ajuda menina de 10 anos a mover os dedos e formar um coração. (Imagem: Ilustrativa)
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Uma experiência iniciada com LEGO levou um jovem inventor a desenvolver uma prótese personalizada, capaz de reproduzir movimentos dos dedos e ampliar a autonomia de uma menina com diferença congênita no braço.

Uma mão construída com peças de LEGO, linha de pesca, tubos elétricos e pequenos motores deu origem a um projeto que, seis anos depois, permitiu que uma menina de 10 anos movimentasse dedos artificiais, cumprimentasse outras pessoas e formasse um coração com as duas mãos.

O inventor era Easton LaChappelle, então com 21 anos.

Criado em uma área rural do Colorado, nos Estados Unidos, ele começou a estudar robótica por conta própria aos 14 anos e transformou experiências feitas no quarto de casa em uma prótese personalizada para Momo Sutton.

Nascida com uma diferença congênita no braço direito, que termina pouco abaixo do cotovelo, Momo havia usado dispositivos com movimentos limitados desde os 4 anos.

Em julho de 2017, ela recebeu um protótipo com dedos articulados, controle por sinais musculares e aparência inspirada no braço esquerdo da própria menina.

A reação foi registrada em uma reportagem publicada pela Microsoft em 11 de julho daquele ano.

Antes do almoço, Momo já havia testado diferentes gestos e mudado várias vezes de opinião sobre seu movimento preferido.

“Acabei de dar ‘high-five’ em todo mundo da fila. Essa é a minha coisa favorita até agora”, disse a menina durante os testes.

Em outro momento, ela aproximou as duas mãos e comemorou: “Olha, consigo fazer um coração com as mãos”.

Projeto de robótica começou com LEGO e motores de aeromodelos

A trajetória de LaChappelle na robótica não começou em uma universidade ou em um laboratório profissional.

Ainda adolescente, ele desmontava aparelhos como rádios e fornos de micro-ondas para entender como os componentes funcionavam.

Aos 14 anos, decidiu montar uma mão mecânica por diversão.

O primeiro modelo usava LEGO, linha de pesca, tubos empregados em instalações elétricas e motores retirados de pequenos aviões de controle remoto.

Sem acesso próximo a especialistas, o jovem buscou informações abertas na internet e passou a conversar por e-mail ou chamadas de vídeo com profissionais de outros países.

Segundo ele, muitas dessas pessoas nem sabiam que estavam orientando um adolescente que vivia no interior do Colorado.

O projeto avançou com a compra de uma impressora 3D, cujo custo foi dividido com os pais.

Easton LaChappelle passou seis anos — começando ainda no ensino médio — trabalhando em um braço robótico que poderia substituir as próteses tradicionais. (Foto de Michelle Henley)
Easton LaChappelle passou seis anos — começando ainda no ensino médio — trabalhando em um braço robótico que poderia substituir as próteses tradicionais. (Foto de Michelle Henley)

LaChappelle passou a fabricar peças próprias e desenvolveu um braço que podia ser controlado por sinais captados por um equipamento de eletroencefalografia, usado para registrar a atividade elétrica cerebral.

Em 2012, o trabalho foi apresentado na Intel International Science and Engineering Fair, feira internacional voltada a estudantes.

De acordo com a história institucional da Unlimited Tomorrow, o projeto recebeu o segundo lugar na categoria de engenharia.

No ano seguinte, LaChappelle participou da Feira de Ciências da Casa Branca e fez estágio na equipe do Robonaut, robô humanoide desenvolvido pela Nasa.

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Encontro em feira mudou o objetivo do inventor

Durante uma feira científica, LaChappelle conheceu uma menina que utilizava uma prótese capaz basicamente de abrir e fechar.

Ao conversar com os pais dela, soube que o equipamento havia custado cerca de US$ 80 mil.

A informação chamou sua atenção porque o braço que ele havia montado no próprio quarto, por algumas centenas de dólares, conseguia executar movimentos mais variados.

O encontro direcionou suas experiências para a criação de dispositivos funcionais e financeiramente mais acessíveis.

Com o passar dos anos, LaChappelle estudou impressão 3D, sistemas eletrônicos, comandos musculares e formas de adaptar uma prótese às medidas de cada usuário.

Também conversou com pessoas com diferenças nos membros para identificar quais funções eram úteis na rotina.

O inventor adiou a entrada na faculdade e, em 2014, fundou a Unlimited Tomorrow.

A empresa surgiu com apoio financeiro inicial do empresário e palestrante Tony Robbins, que conheceu o trabalho de LaChappelle depois de uma apresentação do jovem.

Foi nesse processo que o projeto chegou a Momo Sutton, moradora da Flórida.

A menina conheceu Zachary Hurst, presidente da organização sem fins lucrativos M.U.C.H. Foundation, durante um evento ligado ao atendimento ortopédico pediátrico.

Ao ser questionada sobre o que gostaria de fazer, Momo respondeu que queria um braço com dedos móveis.

Hurst conhecia o trabalho de LaChappelle e ajudou a aproximar a família do inventor.

A Unlimited Tomorrow informa que Momo tinha 9 anos quando os dois se conheceram.

Ela já estava com 10 quando recebeu e testou o braço mostrado pela Microsoft em 2017.

LaChappelle mostra a Momo como usar seu novo braço por meio de um aperto de mão, enquanto seus pais, Mark Sutton e Sandy Andriaccio, observam. (Foto de Brooke Fitts)
LaChappelle mostra a Momo como usar seu novo braço por meio de um aperto de mão, enquanto seus pais, Mark Sutton e Sandy Andriaccio, observam. (Foto de Brooke Fitts)

Braço esquerdo serviu de modelo para a impressão 3D

Para criar o protótipo, a equipe não escaneou todo o corpo de Momo.

O procedimento registrou o braço esquerdo da menina, que serviu como referência para as dimensões e a aparência da prótese instalada no lado direito.

O escaneamento foi feito na casa da família, na Flórida, com uma câmera de aproximadamente US$ 100 conectada a um computador.

A partir do modelo digital, LaChappelle projetou uma versão espelhada do membro esquerdo.

As peças foram produzidas por impressão 3D com resina curada por luz ultravioleta.

O dispositivo pesava menos de uma libra, equivalente a cerca de 450 gramas, e possuía dedos flexíveis com articulações individuais.

As unhas também foram modeladas para acompanhar as características das mãos de Momo.

Momo Sutton, de 10 anos, aprende a usar uma mão robótica inventada e impressa em 3D por Easton LaChappelle. (Foto de Brooke Fitts)
Momo Sutton aprendendo a usar uma mão robótica. (Foto de Brooke Fitts)

Além da semelhança visual, os dedos podiam ficar flexíveis ao bater em algum obstáculo, mas mantinham força suficiente para segurar determinados objetos.

Três eletrodos colocados na parte superior do dispositivo captavam a atividade dos músculos do braço.

Ao contrair uma região específica, Momo enviava um comando ao sistema, que movimentava os dedos.

A lógica era baseada em repetição e aprendizado.

Conforme a menina associasse determinada contração a um movimento visível da mão, o controle poderia se tornar mais natural com o uso.

Um botão instalado no braço funcionava como alternativa quando os eletrodos não estavam conectados ou quando suor e calor dificultavam a leitura muscular.

Um toque aproximava o indicador do polegar; outro fazia os dedos se fecharem em direção à palma.

O sistema também monitorava a força aplicada ao tocar um objeto.

A proposta era impedir, por exemplo, que a prótese apertasse um copo com intensidade suficiente para danificá-lo.

Movimento do cotovelo ampliou as possibilidades de uso

As próteses usadas anteriormente por Momo tinham uma articulação fixa em formato de “L” e eram presas por correias que passavam pelas costas e pelo ombro esquerdo.

Para abrir ou fechar o mecanismo, ela precisava movimentar os ombros.

Segundo a família, esses modelos eram usados principalmente em tarefas específicas, como andar de bicicleta.

Fora dessas situações, a menina geralmente preferia não colocá-los.

O protótipo de LaChappelle foi alinhado ao ponto real de articulação do cotovelo de Momo.

Essa alteração permitiu que ela levantasse os dois braços acima da cabeça e também os mantivesse abaixados ao lado do corpo.

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Entre as atividades mencionadas pela menina estava a possibilidade de tentar atravessar barras suspensas em parques.

Seus pais também citaram ações cotidianas, como abrir uma porta enquanto segurava uma mochila ou uma garrafa.

Durante o primeiro dia, porém, os gestos sociais receberam mais atenção.

Momo testou o cumprimento com os punhos, o sinal de “OK”, os “high-fives” e o coração formado com as duas mãos.

Na hora da refeição, experimentou segurar um garfo com a mão direita.

Depois, apoiou o queixo sobre os dedos artificiais e apresentou outra posição favorita, descrita por ela como a “pose de pensamento” usada pelos chefes.

Experiência com Momo ajudou a desenvolver o TrueLimb

O braço entregue a Momo era um protótipo, e não uma unidade do produto atualmente apresentado pela empresa.

A experiência, no entanto, ajudou a desenvolver os métodos de escaneamento remoto, personalização e impressão 3D usados posteriormente pela Unlimited Tomorrow.

Em 2020, a companhia lançou comercialmente o TrueLimb, uma prótese biônica personalizada e produzida como imagem espelhada do membro oposto do usuário.

O processo foi estruturado para reduzir a necessidade de visitas presenciais a clínicas.

Na configuração divulgada pela empresa em 2026, o TrueLimb pesa entre uma e 1,5 libra, oferece seis formas adaptáveis de preensão, bateria para vários dias e mais de 30 sensores instalados no encaixe.

A prótese também pode receber acabamento compatível com diferentes tons de pele.

A Unlimited Tomorrow afirma que expandiu sua atuação para outras interfaces vestíveis, mas continua oferecendo o braço biônico.

As especificações atuais não devem ser atribuídas diretamente ao modelo usado por Momo em 2017, pois a tecnologia passou por novas etapas de desenvolvimento.

O caso permanece como um registro de como um experimento iniciado com LEGO levou à produção de uma prótese funcional para uma criança.

Para Momo, a diferença apareceu em movimentos que pareciam simples: segurar um talher, cumprimentar alguém e aproximar as mãos para formar um coração.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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