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Henrique morava longe da faculdade, chegava às 7h, saía às 23h e dormia cerca de quatro horas por noite, conseguiu uma bolsa em Engenharia de Computação no Insper, tornando-se o primeiro universitário da família e inspirar a mãe a concluir Enfermagem

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Escrito por Ruth Rodrigues Publicado em 01/08/2026 às 17:06
Henrique enfrentou longas viagens e poucas horas de sono até conquistar bolsa, intercâmbio na Alemanha e experiências em grandes empresas.
Henrique enfrentou longas viagens e poucas horas de sono até conquistar bolsa, intercâmbio na Alemanha e experiências em grandes empresas. (Imagem meramente ilustrativa gerada por IA)
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Henrique enfrentou longas viagens e poucas horas de sono até conquistar bolsa, intercâmbio na Alemanha e experiências em grandes empresas.

Aos 22 anos, Henrique Rocha Bomfim está no 9º semestre de Engenharia de Computação, tornou-se o primeiro integrante da família a ingressar em uma universidade e já acumulou experiências profissionais no BTG Pactual e na sede alemã da Basf.

A trajetória, construída com bolsa de estudos, viagens diárias de quase duas horas e uma rotina que chegou a permitir somente quatro horas de sono, foi destacada pelo Insper quando o programa de apoio financeiro da instituição alcançou mil estudantes beneficiados.

O relato sobre Henrique integrou uma matéria publicada pelo Insper em 28 de março de 2026 para celebrar o marco do Programa de Bolsas, criado em 2004. Mais do que viabilizar a matrícula, a iniciativa busca oferecer condições para que estudantes permaneçam no ensino superior, participem de experiências acadêmicas e tenham acesso a oportunidades que dificilmente fariam parte de sua realidade sem o auxílio.

Henrique está perto de concluir uma trajetória inédita na família

A graduação já levou Henrique a ambientes que pareciam muito distantes durante sua infância em São Mateus, distrito localizado na zona leste de São Paulo. Programação, robótica, competições acadêmicas, intercâmbio e estágios passaram a fazer parte de uma formação que começou a ganhar direção quando ele conheceu o Insper em 2019.

A visita inicial produziu uma identificação imediata com a instituição e com as possibilidades oferecidas pelo curso. “Quando fui ver o Insper pela primeira vez, fiquei completamente encantado”, recordou o estudante, que encontrou na Engenharia de Computação uma área capaz de reunir seus interesses por tecnologia e resolução de problemas.

Desde a entrada na faculdade, algumas conquistas passaram a marcar a transformação vivida por Henrique:

  • tornou-se o primeiro universitário da família;
  • avançou até o 9º semestre de Engenharia de Computação;
  • realizou sua primeira viagem internacional sozinho;
  • conheceu 12 países durante seis meses na Europa;
  • estagiou no BTG Pactual e na Basf;
  • inspirou uma mudança acadêmica dentro da própria casa.

Cada resultado, porém, foi acompanhado por dificuldades que não apareciam necessariamente nas atividades realizadas em sala. A distância entre a universidade e sua casa, os riscos durante o deslocamento e o tempo exigido pelos estudos fizeram com que Henrique precisasse reorganizar praticamente todo o cotidiano para continuar no curso.

Rotina de Henrique incluía 16 horas na instituição

Morando a quase duas horas do Insper, Henrique chegava à escola por volta das 7h e permanecia no local até as 23h. A decisão não estava relacionada somente à quantidade de tarefas acadêmicas: ele evitava fazer parte do percurso de volta em determinados horários porque não se sentia seguro carregando o notebook utilizado na graduação.

Permanecer durante todo o dia na instituição reduzia o risco no trajeto, mas diminuía drasticamente o tempo disponível para descanso. Durante anos, Henrique dormiu cerca de quatro horas por noite, conciliando as exigências do curso com o deslocamento longo e as limitações impostas pela realidade de quem vivia longe da faculdade.

A experiência evidencia por que o acesso ao ensino superior não termina com a aprovação no processo seletivo. Transporte, alimentação, equipamentos, segurança e tempo disponível também interferem na permanência do aluno, especialmente quando a universidade está distante do bairro onde ele mora.

Henrique começou a ampliar horizontes aos 14 anos

A preparação para chegar ao Insper teve início ainda no ensino fundamental, cursado em uma escola pública. Aos 14 anos, Henrique recebeu uma indicação para participar do Ismart, organização parceira da instituição que identifica estudantes com bom desempenho e amplia seu acesso a oportunidades educacionais.

A partir dessa seleção, ele passou a estudar em um colégio localizado na Avenida Paulista. A mudança representou um primeiro contato com uma realidade acadêmica diferente daquela encontrada até então e abriu espaço para atividades ligadas a olimpíadas de conhecimento, robótica e programação.

Essas experiências ajudaram Henrique a enxergar a tecnologia como possibilidade profissional. Em vez de considerar a universidade um ambiente distante, ele começou a construir os conhecimentos e a confiança necessários para disputar uma vaga e permanecer em uma formação exigente.

Alemanha marcou a primeira viagem internacional de Henrique

O intercâmbio realizado no segundo semestre de 2025 tornou-se uma das provas mais concretas da mudança de perspectiva. Antes daquela experiência, o lugar mais distante que Henrique havia visitado era a casa do avô, na Bahia; sua primeira saída do Brasil aconteceu sozinho, com destino à Alemanha.

Durante seis meses fora do país, o estudante conheceu 12 nações. A viagem ampliou sua formação cultural e acadêmica, mas também ofereceu uma oportunidade profissional que não estava garantida inicialmente: por iniciativa própria, Henrique conseguiu um estágio em desenvolvimento de aplicações web na sede da Basf.

O trabalho foi realizado em inglês e remunerado em euros, fatores que tornaram a experiência ainda mais relevante. “O estágio foi em inglês e ganhar em euros possibilitou novas oportunidades de vida”, afirmou Henrique ao avaliar os efeitos profissionais e financeiros daquele período.

Henrique chegou a grandes empresas antes da formatura

A experiência na Basf não foi seu primeiro contato com uma companhia de grande porte. Em janeiro de 2025, antes de viajar para a Europa, Henrique realizou um estágio remunerado em Tecnologia da Informação na área de Fundos de Investimento do BTG Pactual.

As duas oportunidades permitiram aplicar conhecimentos adquiridos na Engenharia de Computação em contextos distintos. No banco, ele teve contato com tecnologia voltada ao mercado financeiro; na multinacional alemã, participou do desenvolvimento de uma aplicação web dentro de um ambiente internacional.

Essas experiências ampliaram o currículo de Henrique antes mesmo da conclusão da graduação. Também demonstraram como a formação universitária, quando acompanhada de condições de permanência, pode aproximar estudantes de setores profissionais aos quais suas famílias não haviam tido acesso anteriormente.

Conquista de Henrique também alcançou sua mãe

O ingresso no ensino superior provocou uma transformação que ultrapassou a própria carreira. Um mês depois de Henrique começar a estudar no Insper, sua mãe iniciou a graduação em Enfermagem, criando uma nova rotina acadêmica dentro da família.

Ela concluiu o curso no final de 2025, enquanto o filho se aproximava dos últimos semestres de Engenharia de Computação. A família que ainda não havia levado nenhum integrante à universidade passou, em poucos anos, a acompanhar duas formações superiores.

A bolsa, portanto, não funcionou apenas como apoio financeiro individual. A entrada de Henrique no Insper ajudou a modificar expectativas familiares, criou novas referências dentro de casa e mostrou que a universidade poderia integrar o projeto de vida de outras pessoas próximas.

Programa que apoiou Henrique alcançou mil bolsistas

Criado em 2004, o Programa de Bolsas do Insper chegou a mil beneficiados ao combinar acesso, suporte para permanência e integração a uma comunidade acadêmica marcada por alto nível de exigência. A história de Henrique foi selecionada para representar como esse auxílio pode produzir resultados em diferentes dimensões.

No caso do estudante, o apoio permitiu atravessar uma rotina exaustiva, avançar em uma área tecnológica, realizar intercâmbio e chegar a empresas de atuação internacional. A oportunidade inicial também criou consequências que alcançaram sua mãe e alteraram a relação da família com a educação superior.

Prestes a se formar, Henrique encerra a graduação com experiências que pareciam improváveis quando ainda estudava na rede pública da zona leste paulistana. Sua trajetória mostra que talento e dedicação podem abrir caminhos, mas também evidencia a importância de existirem recursos capazes de sustentar o estudante durante todo o percurso até o diploma.

Fonte: Insper

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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