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Japão aprova primeiro tratamento com células-tronco contra o Parkinson e pode inaugurar nova era da medicina regenerativa

Publicado em 06/03/2026 às 14:01
Atualizado em 06/03/2026 às 14:02
células-tronco, Parkinson
Imagem: Ilustração
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Japão aprova tratamento com células-tronco para Parkinson e autoriza terapia cardíaca com lâminas de músculo, com previsão de chegada ao mercado em meados do ano

Células-tronco ganharam autorização regulatória no Japão para dois tratamentos médicos inovadores voltados à doença de Parkinson e à insuficiência cardíaca grave. A decisão permite que terapias desenvolvidas por empresas farmacêuticas sejam produzidas e comercializadas, com expectativa de disponibilidade para pacientes em meados do ano.

O governo japonês aprovou dois novos tratamentos baseados em células-tronco, um destinado à doença de Parkinson e outro voltado à insuficiência cardíaca grave, segundo anúncio feito nesta sexta-feira (6) por uma empresa farmacêutica e pela imprensa do país.

As terapias devem chegar ao mercado em meados do ano, conforme informações do Ministério da Saúde.

O grupo Sumitomo Pharma recebeu autorização para produzir e vender o Amchepry, um tratamento experimental para Parkinson que consiste no transplante de células-tronco diretamente no cérebro do paciente.

A técnica busca substituir células cerebrais que deixam de existir em pessoas afetadas pela doença.

Ao mesmo tempo, o Ministério da Saúde japonês aprovou o ReHeart, uma terapia composta por lâminas de músculo cardíaco desenvolvidas pela startup médica Cuorips.

Segundo a imprensa local, essas lâminas podem estimular a formação de novos vasos sanguíneos e ajudar a restaurar a função do coração em casos graves.

Tratamento com células-tronco pode se tornar o primeiro do tipo no mercado

Caso a comercialização seja confirmada conforme o cronograma oficial, o Amchepry poderá se tornar o primeiro produto médico disponível comercialmente no mundo baseado em células-tronco pluripotentes induzidas, conhecidas como iPS.

Essas células são criadas a partir da reprogramação genética de células adultas já especializadas. O processo faz com que elas retornem a um estado semelhante ao de células jovens, permitindo que sejam transformadas em diversos outros tipos celulares utilizados em tratamentos médicos.

A pesquisa com iPS é considerada um dos campos centrais da medicina regenerativa moderna e tem sido alvo de investimentos científicos em vários países.

Pesquisa envolveu sete pacientes com Parkinson

O tratamento desenvolvido pela Sumitomo Pharma recebeu uma “aprovação condicional e de tempo limitado” para produção e comercialização, conforme informou a própria empresa em comunicado.

Um ensaio conduzido por pesquisadores da Universidade de Kyoto avaliou a segurança e a eficácia do tratamento. O estudo contou com sete pacientes com Parkinson, com idades entre 50 e 69 anos.

Cada participante recebeu implantes de cinco ou dez milhões de células em ambos os lados do cérebro. As células utilizadas foram derivadas de iPS obtidas de doadores saudáveis.

Essas células foram desenvolvidas até se tornarem precursoras das células cerebrais produtoras de dopamina, substância que deixa de ser produzida adequadamente em pessoas com Parkinson.

Uso de iPS ganhou destaque com Nobel de 2012

As células-tronco iPS podem ser transformadas em vários tipos celulares diferentes, o que amplia seu potencial para tratamentos regenerativos em múltiplas áreas da medicina.

O cientista japonês Shinya Yamanaka recebeu o Prêmio Nobel em 2012 por suas pesquisas pioneiras que levaram ao desenvolvimento dessa tecnologia.

O ministro da Saúde do Japão, Kenichiro Ueno, afirmou durante entrevista coletiva que espera que os novos tratamentos tragam benefícios para pacientes. Segundo ele, a expectativa é que as terapias representem um alívio para pessoas afetadas pela doença.

Doença afeta milhões de pessoas no mundo

A doença de Parkinson é um transtorno neurológico crônico e degenerativo que compromete o sistema motor do corpo.

Entre os sintomas mais comuns estão tremores, rigidez muscular e dificuldades de movimento, que tendem a se agravar ao longo do tempo.

De acordo com a Fundação Parkinson, cerca de 10 milhões de pessoas vivem com a doença em todo o mundo.

Com a autorização japonesa, os novos tratamentos baseados em células-tronco podem começar a ser oferecidos aos pacientes dentro de alguns meses, marcando um novo passo no uso clínico dessa tecnologia médica.

Com informações de UOL.

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Romário Pereira de Carvalho

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