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Cientistas encontram 9 novas espécies de esponjas nas profundezas do Alasca, uma delas obriga a ciência a criar um gênero inteiro e pesquisadores dizem que centenas ainda podem estar escondidas no fundo do mar

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Escrito por Roberta Souza Publicado em 15/09/2026 às 17:45 Atualizado em 15/09/2026 às 17:56
Espécimes coletados no Golfo do Alasca e nas Ilhas Aleutas desde 2012 permaneceram anos esperando identificação até análises microscópicas e genéticas revelarem nove espécies desconhecidas. Uma delas pertence a um grupo jamais registrado tão ao norte, enquanto outra é tão diferente das conhecidas que recebeu um novo gênero
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Espécimes coletados no Golfo do Alasca e nas Ilhas Aleutas desde 2012 permaneceram anos esperando identificação até análises microscópicas e genéticas revelarem nove espécies desconhecidas. Uma delas pertence a um grupo jamais registrado tão ao norte, enquanto outra é tão diferente das conhecidas que recebeu um novo gênero

Durante anos, embarcações científicas retiraram do fundo das águas geladas do Alasca organismos que pareciam apenas integrar as enormes coleções obtidas durante levantamentos pesqueiros. Entretanto, quando pesquisadores finalmente começaram a observar cuidadosamente parte desse material, descobriram que nove esponjas simplesmente não correspondiam às espécies conhecidas pela ciência. Segundo reportagem publicada pelo The Guardian em 14 de setembro de 2026, a descoberta ocorreu no Golfo do Alasca e nas Ilhas Aleutas e elevou para 232 o número de espécies de esponjas identificadas nas águas do estado norte-americano.

Porém, duas descobertas chamaram atenção especial. Uma das espécies mostrou-se tão diferente que os cientistas precisaram criar um gênero inteiramente novo para classificá-la. Outra, chamada Julavis borealis, pertence a um grupo que anteriormente era conhecido apenas em regiões tropicais, fazendo sua presença no Alasca representar um enorme salto geográfico em direção às altas latitudes.

E talvez as nove espécies sejam apenas uma pequena amostra do que continua escondido. Sean Rooney, biólogo da NOAA Fisheries e coautor dos estudos, explicou que existem regiões profundas e rochosas praticamente inacessíveis aos levantamentos atuais. Por isso, embora 232 espécies já tenham sido identificadas no Alasca, os pesquisadores acreditam que provavelmente existam centenas ainda desconhecidas.

Algumas dessas esponjas estavam guardadas desde 2012 e foi somente depois de olhar para estruturas microscópicas e para o próprio DNA que pesquisadores perceberam que tinham animais desconhecidos diante deles

As descobertas não aconteceram em uma única expedição.

Os espécimes foram coletados durante levantamentos anuais realizados pelo Alaska Fisheries Science Center, da NOAA Fisheries.

Essas campanhas utilizam arrastos de fundo principalmente para acompanhar a situação de populações de peixes e mariscos nas águas do Alasca.

Porém, as redes também trazem outros organismos.

Entre eles, esponjas.

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Para os estudos agora divulgados, pesquisadores analisaram material coletado desde 2012.

Isso significa que algumas das novas espécies passaram anos fisicamente disponíveis para os cientistas antes de receberem uma identidade formal.

Existe uma razão para isso.

Identificar uma esponja pode ser surpreendentemente complicado.

Diferentemente de um peixe que pode ser reconhecido pelas nadadeiras, formato ou coloração, duas esponjas aparentemente semelhantes podem esconder diferenças que só aparecem quando seus esqueletos são colocados sob um microscópio

Esponjas não possuem a variedade de características externas facilmente reconhecíveis encontrada em muitos outros animais.

Por isso, olhar para duas delas nem sempre é suficiente para determinar se pertencem à mesma espécie.

Os pesquisadores precisam investigar estruturas muito menores.

Entre elas estão as espículas, componentes microscópicos que formam parte do esqueleto das esponjas.

Formato.

Tamanho.

Organização.

Tudo pode fornecer pistas.

Além disso, os cientistas utilizaram DNA barcoding, técnica que cria uma espécie de referência genética para ajudar na identificação.

Entretanto, até o DNA apresenta dificuldades.

As esponjas passam a vida filtrando água.

Consequentemente, seus tecidos podem conter material genético de outros organismos, além de substâncias capazes de interferir nas análises.

Apesar disso, a equipe conseguiu desenvolver novos códigos genéticos para várias espécies do Alasca.

Essas informações agora entram em uma biblioteca genética marinha e poderão, futuramente, ajudar pesquisadores a detectar organismos até mesmo por meio de DNA ambiental presente na água.

Uma das nove espécies era tão diferente de tudo o que os pesquisadores conseguiam encaixar nas classificações existentes que simplesmente criar um novo nome de espécie não foi suficiente

Essa é provavelmente a curiosidade mais forte da descoberta.

Na classificação biológica, uma espécie pertence a um gênero.

Seres humanos, por exemplo, pertencem ao gênero Homo.

Portanto, descobrir uma espécie nova não significa necessariamente descobrir um gênero novo.

Normalmente, o organismo pode ser encaixado dentro de um grupo já conhecido.

Mas uma das esponjas encontradas no Alasca apresentou diferenças suficientes para que os pesquisadores estabelecessem um gênero inteiramente novo.

Ou seja, não era simplesmente uma nova integrante de uma gaveta conhecida.

Foi necessário criar outra gaveta.

Ao mesmo tempo, outra das nove espécies produziu uma surpresa completamente diferente.

A Julavis borealis apareceu nas águas frias do Alasca mesmo pertencendo a um grupo que jamais havia sido encontrado fora de ambientes tropicais

A espécie recebeu o nome de Julavis borealis.

Visualmente, ela cresce formando uma espécie de camada fina sobre outros organismos.

Porém, o mais extraordinário não é necessariamente sua aparência.

É o endereço.

Segundo a NOAA Fisheries, sua presença no Alasca representa um enorme salto geográfico para altas latitudes de um grupo que anteriormente havia sido encontrado somente em ambientes tropicais quentes.

Isso amplia significativamente aquilo que os pesquisadores sabiam sobre a distribuição desse grupo.

E demonstra por que estudar águas profundas ainda consegue produzir surpresas tão grandes.

Quanto mais regiões são investigadas, mais as fronteiras conhecidas da biodiversidade precisam ser redesenhadas.

As nove descobertas elevaram para 232 o número de esponjas conhecidas no Alasca, mas um dos pesquisadores acredita que centenas de outras continuam escondidas onde as embarcações científicas simplesmente não conseguem chegar

O número atual é impressionante.

232 espécies.

Entretanto, Sean Rooney acredita que ele está longe de representar toda a diversidade existente.

O problema é físico.

Águas profundas são difíceis de estudar.

Regiões rochosas são ainda mais complicadas.

As redes utilizadas em levantamentos de arrasto não conseguem acessar todos os terrenos do fundo oceânico.

Consequentemente, existem habitats que permanecem pouco amostrados.

Rooney afirma que provavelmente existem centenas de espécies de esponjas que ainda não conhecemos no Alasca.

Isso transforma as nove descobertas recentes em algo semelhante a abrir uma pequena janela para um ambiente muito maior.

E aquilo que está escondido ali não interessa apenas a taxonomistas.

Elas não têm cérebro nem órgãos complexos, existem na Terra há mais de 600 milhões de anos e ainda assim funcionam como enormes bombas vivas capazes de transformar completamente o ambiente ao redor

Esponjas podem parecer organismos simples.

E, biologicamente, realmente possuem uma organização muito diferente da nossa.

Elas não têm cérebro.

Não possuem órgãos complexos como os encontrados em vertebrados.

Entretanto, sua linhagem remonta a mais de 600 milhões de anos, colocando-as entre os primeiros animais multicelulares da Terra.

E elas executam uma função extraordinária.

Filtram água.

Constantemente.

Por isso, são frequentemente descritas como bombas vivas de água.

À medida que fazem isso, retiram partículas e interagem com nutrientes presentes no ambiente.

Além disso, suas estruturas físicas transformam o fundo marinho.

É justamente aí que animais aparentemente imóveis começam a exercer uma influência enorme sobre outras espécies.

No fundo escuro do oceano, grupos de esponjas funcionam quase como florestas e criam esconderijos onde peixes e caranguejos conseguem sobreviver, crescer e se reproduzir

Sean Rooney usa uma comparação interessante.

As esponjas não são plantas, mas desempenham uma função estrutural que lembra árvores em uma floresta.

Imagine um fundo marinho completamente plano.

Agora acrescente grandes estruturas tridimensionais.

Surgem fendas.

Sombras.

Abrigos.

Superfícies.

Espaços nos quais outros animais podem se esconder.

É exatamente por isso que comunidades densas de esponjas são consideradas pela NOAA habitat essencial para peixes.

Esses ambientes oferecem refúgio para espécies comercialmente importantes.

Peixes.

Caranguejos.

E outros organismos.

Consequentemente, destruir uma comunidade de esponjas não significa necessariamente perder apenas as esponjas.

Pode significar alterar a estrutura utilizada por várias outras espécies.

O organismo que parece apenas uma estrutura estranha presa ao fundo do oceano também fabrica substâncias químicas para sobreviver e algumas delas já despertaram interesse da medicina contra doenças como o câncer

Existe ainda outra razão para pesquisadores estudarem esses animais.

Esponjas não conseguem simplesmente fugir quando alguma coisa ameaça atacá-las.

Elas estão presas ao substrato.

Portanto, desenvolveram outras estratégias de defesa.

Uma delas envolve compostos químicos.

Essas substâncias ajudam a afastar predadores e organismos concorrentes.

Entretanto, algumas apresentam propriedades que também chamaram atenção de pesquisadores da área médica.

Segundo o Guardian e a NOAA, compostos associados a esponjas já mostraram potencial em pesquisas relacionadas a tratamentos contra o câncer e outras aplicações biomédicas.

Consequentemente, descobrir uma espécie significa também descobrir um organismo cuja química ainda não foi completamente investigada.

Não existe garantia de que qualquer uma das nove novas espécies produza um medicamento.

Porém, cada organismo desconhecido representa uma nova combinação biológica que agora pode ser estudada.

A descoberta acontece justamente quando o fundo do mar entra em uma disputa econômica por níquel, cobre e outros minerais usados em carros elétricos, eletrônicos e aplicações militares

Existe um contraste importante no momento da descoberta.

Enquanto pesquisadores demonstram quanto ainda desconhecemos sobre as profundezas oceânicas, governos e empresas discutem como explorar economicamente essas mesmas regiões.

A administração dos Estados Unidos está avançando com planos relacionados à mineração em águas profundas.

Nesta segunda-feira, 14 de setembro, o secretário do Interior dos Estados Unidos, Doug Burgum, afirmou que autorizações para mineração no fundo do mar poderiam avançar dentro de meses.

O interesse está principalmente em minerais críticos.

Níquel.

Cobre.

E outros materiais importantes para tecnologias modernas, veículos elétricos, eletrônicos e aplicações militares.

Por outro lado, cientistas e organizações ambientais alertam que a exploração pode provocar danos irreversíveis a ecossistemas que ainda são pouco compreendidos.

A descoberta das nove esponjas dá um exemplo concreto desse desconhecimento.

O paradoxo chama atenção porque pesquisadores estão encontrando animais que a ciência nem sabia que existiam ao mesmo tempo em que cresce a pressão para explorar economicamente o chão onde eles vivem

Esse é o ponto que torna a pauta maior do que simplesmente a descoberta de nove espécies.

Existem duas corridas acontecendo simultaneamente.

Uma tenta descobrir o que vive no fundo do oceano.

Outra tenta descobrir quanto valor mineral existe naquele mesmo fundo.

E a primeira ainda está muito atrás.

No caso do Alasca, Rooney afirma que provavelmente existem centenas de esponjas desconhecidas.

Além disso, regiões profundas e rochosas permanecem difíceis de acessar.

Portanto, cientistas podem ainda nem conhecer boa parte dos organismos que seriam afetados por alterações físicas nesses habitats.

E a mineração não é a única preocupação.

As mesmas redes utilizadas para estudar peixes podem danificar jardins de esponjas quando a pesca de arrasto raspa o fundo marinho e atravessa estruturas que levaram anos para crescer

A pesca de arrasto de fundo também aparece no centro do debate.

Nesse tipo de atividade, equipamentos pesados podem entrar em contato com o leito oceânico.

Para comunidades de esponjas, isso representa um risco físico direto.

Estruturas podem ser quebradas.

Habitats podem ser alterados.

E organismos de crescimento lento podem precisar de muito tempo para se recuperar.

O Guardian destaca justamente essa pressão sobre os habitats do Alasca.

Cooper Freeman, diretor do Center for Biological Diversity no Alasca, argumenta que os jardins de esponjas oferecem abrigo e áreas importantes para peixes e caranguejos e critica a combinação entre arrasto de fundo e possíveis projetos de mineração.

Há, entretanto, uma ironia metodológica.

Parte das próprias esponjas agora descritas foi coletada durante levantamentos científicos com arrasto de fundo, utilizados pela NOAA para monitorar populações marinhas.

A diferença está na finalidade, frequência e escala das atividades.

As Ilhas Aleutas agora aparecem como um dos grandes pontos mundiais de diversidade de esponjas e cada nova espécie encontrada reforça a suspeita de que aquele fundo gelado ainda guarda um catálogo enorme de animais desconhecidos

As descobertas reforçaram outra conclusão.

As Ilhas Aleutas são um hotspot global de biodiversidade de esponjas.

Isso significa que aquela longa cadeia de ilhas vulcânicas entre o Alasca e a Rússia abriga uma concentração particularmente importante desses organismos.

Água fria.

Profundidade.

Topografia complexa.

Fundos rochosos.

Todos esses elementos criam uma grande variedade de habitats.

Entretanto, são justamente algumas dessas características que tornam o estudo tão complicado.

As áreas mais interessantes podem estar entre as mais difíceis de alcançar.

Por isso, a lista de 232 espécies não deve ser interpretada como um catálogo terminado.

Muito pelo contrário.

Depois de mais de uma década guardadas, analisadas e comparadas, nove esponjas finalmente ganharam lugar na árvore da vida e agora os cientistas querem descobrir quantas outras continuam esperando no escuro

Os resultados foram publicados em dois trabalhos científicos recentes.

Um descreveu quatro novas espécies.

O outro descreveu cinco.

Juntos, acrescentaram nove novos nomes ao conhecimento científico.

Porém, ao mesmo tempo, produziram novas perguntas.

Quanto tempo essas espécies vivem?

Quando se reproduzem?

Com que frequência?

Qual é exatamente sua distribuição?

Que organismos dependem delas?

Quais compostos químicos produzem?

E quantas outras existem?

Essas são algumas das questões que surgem quando uma espécie deixa de ser apenas um organismo desconhecido retirado por uma rede e passa a existir formalmente na literatura científica.

Além disso, outras matérias de Roberta Souza no CPG mostram como grandes descobertas, transformações industriais e curiosidades podem surgir de áreas completamente diferentes.

A maior descoberta talvez não sejam as nove espécies encontradas, mas perceber que mesmo depois de décadas estudando o Alasca ainda não sabemos quantos animais vivem no fundo de suas águas

O oceano profundo continua sendo um ambiente extremamente difícil de explorar.

E essa limitação produz uma situação curiosa.

É possível discutir mineração.

Pesca.

Conservação.

Exploração econômica.

Medicamentos.

E gestão de recursos marinhos.

Enquanto, ao mesmo tempo, a lista básica de espécies presentes naquele ambiente ainda está incompleta.

As nove novas esponjas demonstram isso de maneira especialmente visual.

Uma delas obrigou pesquisadores a criar um gênero novo.

Outra apareceu milhares de quilômetros além da distribuição geográfica que se esperava para seu grupo.

E todas estavam em uma região onde cientistas agora reconhecem 232 espécies diferentes de esponjas.

Mesmo assim, Rooney acredita que centenas permanecem desconhecidas.

Portanto, aquilo que as redes trouxeram à superfície pode ser apenas uma pequena amostra.

Nas profundezas frias e rochosas onde os equipamentos científicos ainda encontram dificuldade para chegar, podem existir organismos que nenhum ser humano identificou, nomeou ou estudou.

E alguns deles talvez desapareçam antes mesmo que saibamos que estavam ali.

E você, acredita que a mineração e a pesca de arrasto deveriam ser limitadas em regiões profundas enquanto os cientistas ainda nem sabem quantas espécies vivem no fundo do oceano ou acha que é possível explorar esses recursos e pesquisar a biodiversidade ao mesmo tempo?

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Autora no portal Click Petróleo e Gás desde 2019, responsável pela publicação de mais de 8.000 matérias que somam milhões de acessos, unindo técnica, clareza e engajamento para informar e conectar leitores. Engenheira de Petróleo e pós-graduada em Comissionamento de Unidades Industriais, também trago experiência prática e vivência no setor do agronegócio, o que amplia minha visão e versatilidade na produção de conteúdo especializado. Desenvolvo pautas, divulgo oportunidades de emprego e crio materiais publicitários direcionados para o público do setor. Para sugestões de pauta, divulgação de vagas ou propostas de publicidade, entre em contato pelo e-mail: santizatagpc@gmail.com. Não recebemos currículos

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