Em Campo Grande, Raylthon Fagner Ormond trabalha quatro horas por dia nos cruzamentos da Avenida Afonso Pena, vende cada saquinho por R$ 2 e afirma conseguir uma renda líquida aproximada de R$ 100 por dia com a atividade complementar
O vendedor ambulante Raylthon Fagner Ormond transforma os poucos segundos do sinal vermelho em uma corrida contra o relógio para garantir uma renda extra em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Quando os veículos param, ele percorre rapidamente a fila e deixa saquinhos de balas nos retrovisores.
Cada pacote contém pelo menos oito balas e custa R$ 2. Após distribuir os produtos, o ambulante retorna pelo mesmo caminho para recolher o dinheiro dos motoristas interessados ou retirar os saquinhos recusados.
A estratégia precisa ser executada em aproximadamente 45 segundos, tempo durante o qual o semáforo permanece fechado. Uma reportagem do Campo Grande News acompanhou a movimentação no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua 25 de Dezembro e contabilizou cerca de 130 veículos em apenas dez minutos.
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Ambulante aborda aproximadamente dez veículos a cada sinal vermelho
A operação começa assim que os automóveis param. Com os saquinhos nas mãos, Raylthon corre entre os veículos e coloca um pacote em cada retrovisor. Em uma única parada, aproximadamente dez motoristas podem ser abordados.
O método reduz o tempo gasto com explicações individuais. O próprio produto funciona como uma oferta: o motorista pode pegar o pacote e entregar os R$ 2 quando o ambulante retornar.
Caso não queira comprar, basta deixar as balas no retrovisor. Raylthon recolhe o produto antes que o trânsito volte a andar e tenta novamente na parada seguinte.
A dinâmica depende de agilidade e atenção. Em poucos segundos, o vendedor precisa distribuir os pacotes, observar quais motoristas demonstraram interesse e retornar para receber os pagamentos.

Estratégia permite vender de 25 a 30 pacotes por hora
Segundo Raylthon, o movimento considerado normal permite a venda de aproximadamente 25 a 30 saquinhos de balas por hora. Uma quantidade inferior indica que o fluxo de compradores está mais fraco naquele período.
A reportagem registrou cerca de 130 carros passando pelo cruzamento em dez minutos. O número mostra a dimensão da fila percorrida pelo ambulante, mas não significa que todos os motoristas tenham comprado o produto.
A venda depende da decisão de cada condutor. Alguns retiram o pacote do retrovisor e fazem o pagamento. Outros deixam a mercadoria no lugar para que ela seja recolhida na volta.
Mesmo diante das recusas, a velocidade aumenta a quantidade de pessoas alcançadas. Em vez de permanecer ao lado de um único veículo durante todo o sinal vermelho, Raylthon apresenta o produto a vários motoristas simultaneamente.
Trabalho no semáforo ocupa quatro horas do dia
Natural de Corumbá, Raylthon tinha 23 anos quando contou sua rotina ao Campo Grande News, em outubro de 2023. Ele trabalhava nos semáforos de segunda a sexta-feira, durante aproximadamente quatro horas por dia.
O vendedor também possuía emprego com carteira assinada. Por isso, a comercialização das balas funcionava como uma atividade complementar para reforçar o orçamento.
Conforme o relato, a correria rendia aproximadamente R$ 100 líquidos por dia. O valor já considerava os gastos necessários para comprar e preparar os pacotes vendidos no cruzamento.
Raylthon explicou que enfrentava o calor de Campo Grande e que já estava acostumado ao esforço físico. Para ele, a rotina não provocava muito estresse, embora exigisse atenção constante.
Corrida entre carros e motocicletas envolve riscos
O trabalho acontece em um espaço movimentado e com riscos evidentes. Mesmo quando os carros estão parados, motocicletas podem circular entre as faixas e surpreender os vendedores.
Além disso, o ambulante precisa controlar o tempo do semáforo. Se não recolher todos os pacotes antes da abertura do sinal, pode permanecer entre veículos em movimento ou perder parte da mercadoria.
A estratégia exige que Raylthon conheça o ritmo do cruzamento e calcule quantos carros consegue abordar com segurança. Cada etapa — distribuição, observação das respostas e recolhimento — precisa terminar dentro dos 45 segundos disponíveis.
O cuidado também é necessário na hora de receber os pagamentos, pois o vendedor retorna rapidamente pela fila enquanto acompanha a mudança das luzes do semáforo.
Técnica transforma poucos segundos em oportunidade de renda extra
A venda de balas nos retrovisores mostra como trabalhadores informais adaptam a abordagem ao movimento intenso dos cruzamentos. Com produtos de baixo valor e uma operação rápida, Raylthon consegue alcançar dezenas de possíveis clientes em poucos minutos.
Os R$ 2 cobrados por pacote facilitam uma decisão imediata. Ao mesmo tempo, o sistema permite que o motorista recuse a compra sem precisar abrir a janela ou interromper o fluxo da negociação.
Entre o fechamento e a abertura do sinal, o ambulante distribui, vende e recolhe as mercadorias que sobraram. Repetida ao longo de quatro horas, a estratégia ajuda a construir a renda líquida aproximada de R$ 100 por dia mencionada por ele.
Mesmo eficiente, a rotina revela o esforço necessário para transformar pequenos intervalos do trânsito em oportunidade de trabalho. São dezenas de corridas entre carros, exposição ao calor e atenção redobrada para evitar acidentes.
E você, compraria um saquinho de balas deixado no retrovisor para apoiar o trabalho de um vendedor ambulante?
