1. Início
  2. Curiosidades
  3. Fã de Taylor Swift analisou 593 insetos guardados em museus, ajudou a descobrir 12 novas espécies e colocou referências aos álbuns da cantora na classificação científica deles
Faça um comentário 11 min de leitura

Fã de Taylor Swift analisou 593 insetos guardados em museus, ajudou a descobrir 12 novas espécies e colocou referências aos álbuns da cantora na classificação científica deles

Imagem de perfil do autor Roberta Souza
Escrito por Roberta Souza Publicado em 11/09/2026 às 17:04
Pesquisadora que cresceu ouvindo a cantora analisou centenas de exemplares guardados desde os anos 1990, ajudou a descrever 12 novas espécies e criou o gênero Swiftiephylus, no qual Taylor, Lover, Fearless e The Tortured Poets Department acabaram transformados em nomes científicos
Imagem Ilustrativa
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Pesquisadora que cresceu ouvindo a cantora analisou centenas de exemplares guardados desde os anos 1990, ajudou a descrever 12 novas espécies e criou o gênero Swiftiephylus, no qual Taylor, Lover, Fearless e The Tortured Poets Department acabaram transformados em nomes científicos

Durante mais de duas décadas, milhares de pequenos insetos coletados na Austrália permaneceram guardados à espera de alguém descobrir exatamente o que eram. Então, uma pesquisadora começou a examinar parte desse enorme material e percebeu que alguns exemplares pertenciam a espécies que a ciência ainda não havia descrito. Segundo comunicado divulgado pelo EurekAlert e pela Universidade da Califórnia em Riverside em 9 de setembro de 2026, o trabalho resultou na descrição de 12 novas espécies de insetos, além da criação de um novo gênero com um nome bastante inesperado: Swiftiephylus, uma homenagem a Taylor Swift.

Porém, a homenagem não terminou no nome do gênero. A doutoranda em entomologia Sarah Schroeder, fã da cantora desde a infância, colocou quatro espécies dentro de Swiftiephylus e escolheu nomes ligados diretamente à artista e à sua discografia. Assim nasceram Swiftiephylus taylorae, Swiftiephylus amator, Swiftiephylus intrepidus e Swiftiephylus poetorum. Em latim, os nomes remetem, respectivamente, a Taylor, “lover”, “fearless” e “poets”, criando referências à cantora e aos álbuns Lover, Fearless e The Tortured Poets Department.

Além disso, existe uma coincidência visual que tornou a escolha ainda mais curiosa. Os insetos apresentam coloração amarelo-pálida com detalhes avermelhados. Para Schroeder, a combinação lembra dois elementos fortemente associados ao visual de Taylor Swift: cabelos loiros e lábios vermelhos. Entretanto, por trás da brincadeira existe um objetivo científico sério. A pesquisadora espera aproveitar a atenção despertada pelo nome da cantora para mostrar que uma quantidade gigantesca de insetos ainda permanece desconhecida pela ciência e que identificar espécies representa uma etapa fundamental para protegê-las.

Tudo começou décadas antes da homenagem, quando pesquisadores percorreram a Austrália e voltaram com mais de 50 mil insetos que levariam anos para serem identificados

A história dos Swiftiephylus começou muito antes de Sarah Schroeder iniciar seu doutorado.

Entre 1995 e 2004, pesquisadores ligados ao American Museum of Natural History e colaboradores australianos participaram de um grande esforço para documentar a biodiversidade de percevejos-de-plantas na Austrália.

Eles coletaram muito material.

Mais de 50 mil exemplares.

Porém, capturar um inseto representa apenas o começo do trabalho.

Imagem Ilustrativa
Imagem Ilustrativa

Depois da coleta, especialistas precisam separar os exemplares, comparar características, analisar estruturas anatômicas e determinar se cada organismo pertence a uma espécie conhecida ou se pode representar algo ainda não descrito.

Consequentemente, parte daquele gigantesco acervo continuou aguardando análise durante anos.

Entre as pessoas envolvidas no projeto original estava Christiane Weirauch, que participou das pesquisas ainda como pós-doutoranda e posteriormente se tornou professora de entomologia da Universidade da Califórnia em Riverside.

Décadas depois, ela sabia que aquele material ainda escondia espécies não descritas.

Então, sugeriu que sua orientanda investigasse os exemplares.

Foi assim que uma coleta iniciada nos anos 1990 acabou chegando às mãos de uma jovem pesquisadora fã de Taylor Swift mais de duas décadas depois.

Sarah recebeu centenas de pequenos insetos guardados em museus e começou um trabalho minucioso até perceber que alguns não cabiam nas espécies que a ciência já conhecia

Schroeder e Weirauch analisaram 593 exemplares emprestados pelo American Museum of Natural History e pelo Australian Museum.

À primeira vista, muitos poderiam parecer extremamente semelhantes.

Entretanto, taxonomistas procuram diferenças que frequentemente passam despercebidas por quem não trabalha na área.

Além das características físicas, Schroeder também utiliza dados genômicos para reconstruir relações evolutivas entre esses insetos. Dessa maneira, ela tenta entender como determinados grupos se espalharam pelo planeta, estabeleceram relações específicas com plantas e se diversificaram ao longo do tempo.

Pouco a pouco, a análise revelou algo importante.

Imagem Ilustrativa
Imagem Ilustrativa

Alguns exemplares formavam grupos evolutivos distintos.

Consequentemente, o trabalho não resultou apenas na identificação de uma ou duas espécies novas.

O artigo científico descreveu 12 espécies que ainda não haviam recebido descrição formal.

E uma parte delas era diferente o suficiente para ganhar também um novo gênero.

Nesse momento surgiu uma oportunidade bastante incomum para a pesquisadora.

Ela precisava escolher um nome.

Quando chegou a hora de criar o novo gênero, a pesquisadora juntou o nome dado aos fãs de Taylor Swift a um termo científico usado nesse grupo e nasceu Swiftiephylus

O nome escolhido foi Swiftiephylus.

A primeira parte dispensa grandes explicações para quem acompanha Taylor Swift.

“Swiftie” tornou-se a denominação popular dos fãs da cantora.

Phylus aparece tradicionalmente em nomes relacionados a esse grupo de insetos. Assim, Schroeder juntou as duas referências para construir o novo nome científico.

A escolha também tinha uma dimensão pessoal.

A pesquisadora acompanha Taylor Swift desde a infância até sua trajetória na pós-graduação.

Por isso, quando teve a oportunidade de nomear organismos desconhecidos pela ciência, decidiu conectar duas partes bastante diferentes de sua própria vida.

Ciência de um lado.

Música do outro.

O resultado agora ficará registrado na taxonomia.

Enquanto isso, descobertas de novas espécies continuam mostrando quanto ainda desconhecemos sobre animais aparentemente comuns. Em pesquisas completamente diferentes, cientistas também encontram criaturas com características tão estranhas que um peixe australiano acabou conhecido como “Drácula vegano” depois de aparecer muito longe da região onde era esperado.

No caso de Schroeder, porém, Taylor Swift ainda estava prestes a ganhar quatro homenagens adicionais.

Taylor virou taylorae, Lover foi transformado em amator, Fearless se tornou intrepidus e até os “poetas torturados” chegaram à classificação científica

Dentro do novo gênero existem quatro espécies.

A primeira recebeu o nome Swiftiephylus taylorae.

Nesse caso, a inspiração vem diretamente do primeiro nome da artista.

Depois aparece Swiftiephylus amator.

“Amator” corresponde a uma forma latina relacionada a “lover”, criando uma referência ao álbum Lover, lançado em 2019.

A terceira espécie ganhou o nome Swiftiephylus intrepidus.

O termo remete a “fearless”, portanto faz referência a Fearless, álbum lançado originalmente em 2008.

Finalmente, existe Swiftiephylus poetorum.

“Poetorum” remete a “poets”.

Assim, a homenagem chega a The Tortured Poets Department.

Dessa forma, aquilo que começou como um estudo de insetos australianos terminou incorporando parte da discografia de uma das artistas mais conhecidas do planeta à nomenclatura científica.

E existe um detalhe importante.

Esses nomes não funcionam como apelidos.

Eles são nomes científicos formalmente apresentados no trabalho publicado na revista Insect Systematics & Evolution.

A homenagem ficou ainda mais curiosa quando Sarah olhou para os insetos amarelos com detalhes vermelhos e enxergou neles o visual mais conhecido da cantora

Schroeder não escolheu Taylor Swift apenas porque gosta de suas músicas.

A aparência dos insetos também ajudou.

Os novos Swiftiephylus apresentam tons amarelo-pálidos acompanhados de detalhes vermelhos.

A pesquisadora associou imediatamente essa combinação ao cabelo loiro e ao batom vermelho que marcaram diferentes fases da imagem pública da cantora.

Inclusive, no próprio artigo, Schroeder se refere aos insetos como “blonde”, ou loiros.

Entretanto, essas cores provavelmente cumprem uma função muito mais importante para os próprios animais.

Os insetos vivem associados às chamadas she-oaks australianas, árvores e arbustos do grupo Allocasuarina.

Essas plantas apresentam estruturas florais avermelhadas e alaranjadas.

Assim, a combinação entre amarelo claro e vermelho pode ajudar os pequenos animais a se camuflar entre as plantas.

Aliás, o artigo observa que insetos distantes evolutivamente, mas encontrados sobre as mesmas plantas, apresentam colorações semelhantes.

Isso levanta uma possibilidade interessante.

A camuflagem pode ter surgido independentemente em diferentes grupos que passaram a viver sobre hospedeiros parecidos.

Eles passam praticamente toda a vida ligados às mesmas plantas australianas e, apesar da aparência exótica, não representam ameaça conhecida para pessoas ou animais

Os Swiftiephylus pertencem à família Miridae.

Trata-se da maior família entre os chamados “true bugs”, com mais de 11 mil espécies descritas mundialmente.

Dentro desse grupo existem animais com estilos de vida bastante diferentes.

Alguns alimentam-se de plantas.

Outros são predadores.

Além disso, certas espécies desenvolveram relações altamente especializadas com ambientes e hospedeiros específicos.

Os novos insetos são herbívoros e vivem associados às she-oaks australianas.

Essas plantas conseguem ocupar ambientes muito variados, desde florestas tropicais até dunas costeiras e regiões submetidas a calor extremo.

Muitos desses pequenos percevejos permanecem ligados à mesma planta hospedeira durante praticamente todo o ciclo de vida.

Eles nascem, alimentam-se, tornam-se adultos e depositam seus ovos nessas plantas.

Porém, apesar de consumirem recursos das árvores, os pesquisadores não os consideram causadores conhecidos de danos significativos.

Também não há indicação de que representem perigo para humanos ou animais.

A descoberta mostra que uma espécie pode estar literalmente dentro de uma gaveta de museu por décadas antes de alguém perceber que a ciência ainda não lhe deu um nome

Talvez essa seja a parte mais surpreendente da história.

Quando ouvimos que cientistas “descobriram” uma nova espécie, normalmente imaginamos uma expedição chegando a uma floresta remota.

Um pesquisador afasta algumas folhas.

Então, encontra um animal que ninguém havia visto.

Porém, a realidade pode ser completamente diferente.

Os exemplares dos novos insetos já estavam fisicamente nas mãos dos cientistas havia décadas.

Pesquisadores os coletaram entre 1995 e 2004.

O problema era outro.

Havia dezenas de milhares de organismos para analisar.

Portanto, parte daquele material permaneceu em coleções científicas esperando especialistas capazes de estudá-lo detalhadamente.

Esse fenômeno não é exclusivo dos insetos.

Coleções de história natural guardam quantidades gigantescas de organismos, fósseis e tecidos que pesquisadores continuam reexaminando à medida que novas técnicas surgem.

Às vezes, aquilo que parece conhecido revela algo completamente diferente quando alguém olha novamente.

Foi justamente um olhar mais atento que permitiu aos cientistas registrar comportamentos inéditos de um peixe capaz de usar partes das nadadeiras para se movimentar de maneiras surpreendentes.

No caso australiano, entretanto, o mistério estava parado dentro de coleções.

Mais de 50 mil exemplares foram coletados no projeto e apenas 593 analisados neste trabalho ajudam a mostrar o tamanho do desafio escondido nas coleções científicas

Os números ajudam a colocar o trabalho em perspectiva.

O esforço de biodiversidade realizado entre 1995 e 2004 produziu mais de 50 mil exemplares.

Schroeder e Weirauch examinaram 593 para esta pesquisa.

Ou seja, classificar biodiversidade não acontece na mesma velocidade com que cientistas conseguem coletá-la.

Além disso, o problema vai muito além daquela coleção australiana.

Segundo o comunicado da Universidade da Califórnia em Riverside, pode haver até 30 milhões de espécies de insetos ainda não documentadas.

A estimativa mostra por que a taxonomia continua importante mesmo depois de séculos de exploração biológica.

Existe uma lógica simples.

Antes de estudar profundamente uma espécie, pesquisadores precisam saber que ela existe.

Antes de monitorar sua população, precisam distingui-la das demais.

E, sobretudo, antes de criar estratégias específicas de conservação, precisam entender o que exatamente estão tentando conservar.

Por isso, Schroeder resume a taxonomia como uma peça central da conservação.

Usar o nome de uma celebridade em uma espécie ainda provoca discussão entre cientistas, mas Sarah acredita que milhões de fãs podem olhar para insetos que normalmente ignorariam

Nomear espécies em homenagem a pessoas não representa uma novidade científica.

Pesquisadores fazem isso há séculos.

Entretanto, a prática também provoca debates dentro da própria entomologia.

Alguns cientistas questionam se partes da biodiversidade deveriam receber nomes associados a indivíduos.

Schroeder, porém, enxerga uma oportunidade.

Ao escolher uma referência reconhecida por milhões de pessoas, ela consegue colocar pequenos insetos australianos no centro de uma conversa que provavelmente jamais alcançariam sozinhos.

E foi exatamente isso que aconteceu.

A descoberta rapidamente atravessou a imprensa internacional.

Não porque percevejos herbívoros australianos normalmente dominam manchetes.

Mas porque agora existe um gênero chamado Swiftiephylus.

Para Schroeder, essa atenção pode servir a um propósito maior: despertar interesse por biodiversidade e conservação de insetos.

Assim, o nome divertido funciona como porta de entrada para uma questão muito mais séria.

Por trás de Taylor, Lover, Fearless e Poets existe uma tentativa de mostrar que não podemos proteger milhões de espécies enquanto nem sequer sabemos que elas existem

A intenção da pesquisadora fica especialmente clara quando ela fala sobre conservação.

Para Schroeder, descrever espécies não representa apenas organizar nomes numa lista.

É uma maneira de tornar a biodiversidade visível.

Afinal, uma espécie que a ciência ainda não reconheceu formalmente pode desaparecer antes mesmo de pesquisadores entenderem sua distribuição, população ou importância ecológica.

Por isso, o enorme número estimado de insetos ainda desconhecidos preocupa.

Ao mesmo tempo, novas tecnologias estão ampliando nossa capacidade de perceber aquilo que antes passava despercebido. Cientistas já desenvolveram, por exemplo, sistemas capazes de analisar características de animais individualmente e revelar comportamentos difíceis de acompanhar apenas pela observação humana.

No trabalho de Schroeder, entretanto, a ferramenta central continua sendo uma das mais antigas da biologia.

Olhar cuidadosamente. Comparar. Classificar. Dar um nome.

Depois disso, dados genômicos ajudam a reconstruir as relações evolutivas.

Assim, pesquisadores conseguem entender melhor como diferentes linhagens se espalharam, diversificaram e estabeleceram relações com plantas ao longo do tempo.

Depois de atravessarem décadas em coleções científicas, quatro pequenos insetos finalmente ganharam nomes que provavelmente serão lembrados muito além dos laboratórios

A trajetória é curiosa.

Primeiro, pesquisadores viajaram pela Austrália.

Depois, coletaram dezenas de milhares de insetos.

Os exemplares seguiram para coleções científicas.

Então, anos viraram décadas.

Enquanto isso, muitos organismos continuaram sem uma descrição formal.

Até que Sarah Schroeder recebeu parte daquele material.

Ela e Christiane Weirauch examinaram 593 exemplares.

A pesquisa revelou 12 novas espécies.

Um grupo ganhou um novo gênero.

E uma pesquisadora que cresceu ouvindo Taylor Swift decidiu usar aquela oportunidade para juntar ciência, música e conservação.

Assim nasceu Swiftiephylus.

Depois vieram taylorae, amator, intrepidus e poetorum.

Taylor.

Lover.

Fearless.

Poets.

Hoje, os pequenos insetos amarelos e avermelhados que passaram décadas entre milhares de exemplares têm uma identidade científica.

E, graças aos nomes escolhidos, provavelmente receberam mais atenção em poucos dias do que teriam recebido em décadas caso carregassem uma referência menos conhecida.

Entretanto, esse era justamente o objetivo.

Fazer pessoas olharem.

Primeiro para Taylor Swift.

Depois para os insetos.

E, finalmente, para uma pergunta muito maior.

Quantas espécies continuam escondidas em florestas, desertos, oceanos — ou até dentro das gavetas de museus — esperando alguém descobrir que a ciência ainda não sabe quem elas são?

E você, acha interessante cientistas usarem nomes de artistas como Taylor Swift para chamar atenção para espécies desconhecidas ou acredita que nomes científicos deveriam evitar referências a celebridades?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Roberta Souza

Autora no portal Click Petróleo e Gás desde 2019, responsável pela publicação de mais de 8.000 matérias que somam milhões de acessos, unindo técnica, clareza e engajamento para informar e conectar leitores. Engenheira de Petróleo e pós-graduada em Comissionamento de Unidades Industriais, também trago experiência prática e vivência no setor do agronegócio, o que amplia minha visão e versatilidade na produção de conteúdo especializado. Desenvolvo pautas, divulgo oportunidades de emprego e crio materiais publicitários direcionados para o público do setor. Para sugestões de pauta, divulgação de vagas ou propostas de publicidade, entre em contato pelo e-mail: santizatagpc@gmail.com. Não recebemos currículos

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x