A expansão do acesso à internet e o uso intensivo das redes sociais reposicionam a comunicação como competência estratégica, levando profissionais tradicionais a transformar conhecimento técnico em conteúdo para fortalecer marcas pessoais e gerar novos negócios
A consolidação da internet no Brasil vem promovendo uma mudança estrutural no mercado de trabalho. Dados da pesquisa TIC Domicílios 2024, divulgada pelo Cetic.br, indicam que 86% dos domicílios brasileiros já possuem acesso à internet, o maior índice desde o início da série histórica, em 2015. Atualmente, o país soma quase 160 milhões de usuários conectados, sendo que 80% utilizam redes sociais de forma recorrente, com acesso praticamente universal nas classes A e B, que atingem 99% e 95%, respectivamente.
Esse avanço tecnológico altera de forma direta os critérios de contratação e visibilidade profissional. Cada vez mais, empresas e clientes avaliam presença digital, clareza de comunicação e autoridade online antes de estabelecer parcerias. Por isso, cresce de maneira consistente o número de profissionais liberais e pequenos empreendedores que passam a investir tempo e estratégia na produção de conteúdo para plataformas digitais, integrando divulgação e carreira.
Produção de conteúdo passa a impulsionar carreiras
Nesse contexto, um estudo realizado pela Flint, em parceria com a Galaxies, divulgado em 2024, aponta que 77% dos profissionais brasileiros já produzem conteúdo com o objetivo de impulsionar a carreira ou os negócios. Além disso, 41% afirmam que dominar a chamada “linguagem creator” é determinante para o sucesso profissional, o que evidencia uma mudança profunda na forma de construir reputação no mercado.
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As próximas horas serão de tensão crescente em torno do viés a ser adotado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) com relação à taxa básica de juros (Selic), ao cabo da reunião dessa quarta-feira (17). Embora o mercado se apresente ‘dividido’ quanto à decisão do colegiado, a tendência mais forte das últimas semanas é de que a taxa se mantenha inalterada no patamar atual de 14,50% ao ano. Já uma ala minoritária ainda ‘aposta’ em uma queda 0,25 ponto percentual (p.p).
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Assim, a comunicação digital deixa de ser um diferencial e passa a ocupar posição central na trajetória profissional. De acordo com a Flint, essa habilidade se mostra especialmente relevante para quem busca transição de carreira, complementação de renda, novas formas de remuneração e maior estabilidade, tanto no ambiente físico quanto no digital.
O surgimento do conceito de “influprofissional”
Esse movimento deu origem ao termo “influprofissional”, adotado pela Flint para definir profissionais como advogados, médicos, arquitetos e engenheiros que convertem conhecimento técnico em conteúdo acessível. O objetivo, portanto, é atrair clientes, fortalecer a marca pessoal e ampliar oportunidades de negócio, sem depender do modelo tradicional de influência baseado em celebridades.
Segundo Christian Rôças, CEO da Flint, não se trata de figuras públicas digitais, mas de especialistas que utilizam o conteúdo como extensão natural da carreira. Para ele, a pesquisa mostra que a linguagem das redes se tornou transversal a todas as profissões, e quem aprende a dominá-la consegue se diferenciar de forma consistente no mercado.
Habilidades valorizadas e barreiras identificadas
O estudo da Flint e Galaxies, também mapeou as principais competências valorizadas pelos profissionais. Entre os entrevistados, 85% apontam criatividade e geração de ideias como habilidades prioritárias. Além disso, 72% demonstram disposição para investir em cursos e treinamentos, enquanto 63% buscam melhorar gestão do tempo e produtividade. Já 62% desejam aprimorar escrita e comunicação, reforçando a centralidade do conteúdo.
Apesar disso, ainda existem obstáculos relevantes. A pesquisa indica que 40% relatam medo de julgamentos, 38% enfrentam dificuldades técnicas com plataformas, 36% mencionam timidez ou aversão à exposição, e 34% percebem baixo retorno inicial de engajamento ou monetização, o que limita a adesão de parte dos profissionais.
Redes sociais como espaço de negócios e networking
Quando questionados sobre o que mais valorizam nas redes sociais, 32% dos respondentes destacam o networking qualificado. Em seguida, 27% citam o alcance orgânico, enquanto 26% afirmam que criar conteúdo amplia oportunidades de negócio, consolidando as plataformas digitais como ambientes estratégicos de relacionamento profissional.
Marcas acompanham a profissionalização do conteúdo
Grandes empresas já observam esse movimento. A Porto, por exemplo, passou a investir na capacitação digital de corretores. O superintendente de marketing da companhia, Oliver Haider, afirmou no programa Mídia e Marketing que os corretores se tornaram uma fábrica de conteúdo, potencializada pelo uso de inteligência artificial e integrada à creator economy.
Da mesma forma, a Natura avançou nesse processo ao lançar o programa “Criadores da Beleza”, voltado à profissionalização da venda por influência digital. Segundo Tatiana Ponce, executiva da empresa, a companhia reúne três milhões de consultoras na América Latina, e a venda baseada em relações, seja presencial ou digital, segue crescendo de forma consistente, conforme relatado no programa Mídia e Marketing.
Diante desse cenário, a expansão do acesso à internet e a profissionalização do conteúdo indicam que comunicar bem deixou de ser apenas uma habilidade complementar e passou a ser um elemento estruturante das carreiras no Brasil. Nesse novo mercado, até que ponto dominar a linguagem das redes pode definir quem se destaca profissionalmente nos próximos anos?

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