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Infestação de mosca-do-estábulo assusta produtores em Costa Rica, trava a rotina do gado, reduz leite e coloca a vinhaça no centro da polêmica rural

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 23/05/2026 às 16:53
Atualizado em 23/05/2026 às 16:56
Gado leiteiro agrupado em fazenda de Mato Grosso do Sul enquanto moscas-do-estábulo atacam os animais durante infestação rural
Rebanho bovino sofre com infestação de mosca-do-estábulo em propriedade rural de Costa Rica, em Mato Grosso do Sul
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Ataques do inseto sugador de sangue mudam o comportamento do rebanho, reduzem a alimentação dos animais e pressionam pequenos produtores de Mato Grosso do Sul

Pequenos produtores rurais de Costa Rica, em Mato Grosso do Sul, enfrentam prejuízos crescentes com a mosca-do-estábulo, inseto que ataca o gado e compromete diretamente a produção de leite.

A infestação se intensificou nos últimos anos no município, conforme relatos dos próprios produtores. Em uma das propriedades afetadas, a perda chegou a 30% da produção leiteira.

Animais que antes ficavam espalhados pelo pasto agora permanecem agrupados durante o dia. A mudança ocorre como tentativa de proteção contra as picadas constantes.

O rebanho passa a se alimentar menos, gasta energia tentando se defender e reduz a produtividade. Para pequenos produtores, essa queda atinge diretamente a renda mensal.

Infestação muda rotina do gado e afeta a produção de leite

A mosca-do-estábulo se diferencia da mosca doméstica porque possui estrutura adaptada para picar e sugar o sangue dos animais.

O ataque constante causa estresse no rebanho. Segundo o produtor Manoel Rodrigues, os animais passam boa parte do dia “montuados” e se batendo.

O gado só consegue se alimentar melhor durante a noite, conforme o relato do produtor. Durante o dia, a pressão dos insetos impede a rotina normal no pasto.

A produção de leite cai, os prejuízos se acumulam e o trabalho no campo fica mais difícil. Manoel afirma que a situação se repete há vários dias.

Vinhaça usada na cana entra no centro da suspeita

Produtores da região apontam possível relação entre a infestação e o manejo da vinhaça, resíduo gerado na produção de açúcar e etanol.

O material é usado como biofertilizante em lavouras de cana-de-açúcar. O manejo, porém, precisa seguir normas técnicas para evitar acúmulo de líquido nas áreas agrícolas.

O produtor Vanderlei de Souza afirma que a presença das moscas parece diminuir quando a usina interrompe atividades ligadas à moagem e à aplicação da vinhaça.

A suspeita dos produtores ganhou força porque a indústria funciona nas proximidades do município e está no centro das cobranças por respostas.

Usina próxima funciona há cerca de 14 anos na região

A usina citada pelos produtores fica a aproximadamente 10 quilômetros de Costa Rica.

O produtor Arionildo Nogueira afirma que a presença constante da mosca começou após a instalação da indústria na região, há cerca de 14 anos.

Ele vive na área há 30 anos e relata que, antes desse período, não enfrentava ataques anuais desse tipo.

A infestação registrada neste ano está entre as mais graves dos últimos tempos, segundo o produtor. Apesar de haver altos e baixos, o problema nunca deixou de aparecer.

Medidas de controle ainda não resolvem o problema

Close em região do corpo de bovino com presença de moscas-do-estábulo em propriedade rural de Mato Grosso do Sul durante infestação que afeta a produção leiteira
Mosca-do-estábulo se concentra no corpo do gado durante infestação relatada por produtores rurais em Costa Rica, no Mato Grosso do Sul

A usina tem aplicado produtos de controle em áreas próximas às propriedades rurais para tentar reduzir a presença dos insetos.

A indústria também instalou armadilhas nas cercas. Os dispositivos são formados por faixas plásticas com material adesivo para capturar as moscas.

Produtores afirmam que as ações ainda não resolveram a infestação. Por isso, eles cobram uma solução definitiva para evitar novas perdas.

Manoel Rodrigues reforça que ninguém pede o fechamento da usina. A cobrança, segundo ele, é para que o problema seja resolvido e os produtores consigam trabalhar.

Usina e Biosul citam protocolos, monitoramento e fatores ambientais

A indústria informou, em nota, que realiza o manejo da vinhaça conforme protocolos agronômicos, legislação vigente e práticas técnicas do setor.

A empresa também declarou que mantém monitoramento contínuo das áreas, diálogo com produtores rurais e contato com órgãos competentes.

A Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul, Biosul, afirma que a mosca-do-estábulo representa um desafio para a agropecuária.

A entidade relaciona a ocorrência do inseto a diferentes fatores ambientais e climáticos, principalmente em períodos de calor e chuvas.

A Biosul também afirma que atua há mais de uma década com produtores, usinas, órgãos públicos e a Embrapa Gado de Corte.

Pequenos produtores seguem cobrando respostas para proteger a renda e manter a atividade leiteira. Afinal, como sustentar uma propriedade quando cada litro perdido pesa no orçamento?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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