Concluído em 2010, o Can Cube usa uma fachada de latas inteiras presa a molduras ajustáveis, controla a entrada de luz nos ambientes e reaproveita o alumínio sem derreter as embalagens, enquanto mantém independente a estrutura que sustenta o prédio.
O edifício de 1.000 metros quadrados em Xangai parece coberto por uma superfície tecnológica formada por pequenas peças metálicas. Uma visão mais próxima revela o material inesperado: latas de bebida preservadas em seu formato original e organizadas diante da construção.
A informação foi publicada por ArchDaily, plataforma especializada em arquitetura e projetos construídos. O Can Cube foi concluído em 2010 e projetado como um edifício de uso misto, com áreas destinadas a escritórios, lazer e moradia.
As latas não foram esmagadas ou derretidas para formar novas placas. Elas foram encaixadas em molduras de alumínio e passaram a compor uma segunda camada externa, capaz de alterar a entrada de luz sem assumir o peso do prédio.
-
Sem usar cimento e com o equivalente a 15 mil garrafas plásticas descartadas, doutorando do MIT imprime em 3D a fundação de uma casa que pesa menos de 140 quilos, submete a peça a um teste de carga e a vê aguentar mais de 27 toneladas, dez vezes o peso necessário para sustentar uma pequena construção
-
Em vez de abrir uma faixa na mata e mandar equipes para dentro, a maior fábrica de celulose do mundo usou drones para levar pelo ar as cordas dos cabos de alta tensão e poupou 33 hectares de vegetação nativa em Mato Grosso do Sul
-
Casal surpreende pedreiros ao redor do mundo ao transformar 80 mil garrafas plásticas cheias de areia em casa de 158 m², troca tijolos por resíduos descartados, constrói quatro quartos, cozinha, sala de jantar e dois banheiros
-
Por cerca de R$ 34,9 mil é possível ter uma casa inteira feita de contêiner, com piso vinílico, banheiro revestido e elétrica pronta, e por R$ 5 mil a mais ainda dá para incluir uma varanda usando as portas originais da estrutura
Latas de bebida inteiras formam a pele metálica do Can Cube
A fachada do Can Cube foi criada com latas de bebidas gaseificadas envolvidas por molduras de alumínio. A repetição das embalagens produz uma superfície metálica que muda visualmente quando a luz incide sobre o edifício.

Esse acabamento chama atenção porque mantém visível a forma do objeto original. Em vez de esconder completamente a origem do material, o projeto transforma uma embalagem comum em parte do fechamento externo do prédio.
O resultado não é uma parede construída com latas. Trata-se de uma fachada secundária, instalada diante da construção principal para cumprir funções relacionadas à aparência e ao controle da iluminação.
Molduras de alumínio mantêm as embalagens organizadas e leves
Cada grupo de latas fica preso dentro de uma estrutura de alumínio. A moldura organiza as embalagens, mantém o conjunto leve e permite que partes da fachada sejam ajustadas pelos ocupantes.
A fixação evita que as latas atuem como elementos soltos. Elas permanecem reunidas dentro de uma grade externa, enquanto a estrutura real do edifício continua independente.
Esse sistema também permite a criação de trechos semelhantes a janelas. Essas partes podem mudar de posição e alterar a quantidade de luz que atravessa a fachada em diferentes épocas do ano.
A fachada se movimenta para controlar a entrada de luz
A expressão fachada móvel não significa que toda a cobertura se desloca ao mesmo tempo. Partes semelhantes a folhas de janela podem ser ajustadas, permitindo que os usuários controlem a entrada de luz solar e de claridade natural.

Quando esses trechos mudam de posição, a superfície externa deixa passar mais ou menos luz. A fachada funciona como um filtro colocado entre o ambiente externo e os espaços internos.
Essa possibilidade dá uma função prática às embalagens. Além de formar o efeito metálico, o conjunto oferece controle direto sobre a iluminação e adapta a abertura da fachada às necessidades dos ocupantes.
Reutilizar as latas evita derreter o alumínio novamente
A reciclagem tradicional exige que a embalagem passe por novas etapas até virar outra matéria prima. No Can Cube, as latas foram usadas em seu estado existente, sem a necessidade de derreter o alumínio e fabricar uma nova peça para a fachada.
ArchDaily, plataforma especializada em arquitetura e projetos construídos, detalhou que essa escolha evita energia desperdiçada durante processos de reciclagem e transformação. A proposta reaproveita o objeto inteiro antes que ele precise retornar ao processamento industrial.

Isso não elimina a importância da reciclagem. O projeto apresenta outra possibilidade para situações em que o objeto ainda pode cumprir uma função útil: reutilizar antes de transformar, quando a aplicação permitir.
As embalagens não sustentam o edifício
As latas não funcionam como tijolos, pilares ou blocos estruturais. A sustentação do Can Cube pertence a uma estrutura independente, enquanto as embalagens integram somente a camada externa.
Essa separação é essencial para entender o projeto. A fachada pode ser leve e ajustável justamente porque não recebe a carga dos pavimentos nem substitui os componentes responsáveis por manter o prédio em pé.
O papel das latas está ligado ao reaproveitamento do material, ao efeito visual e ao controle da luz. A construção principal continua responsável pela segurança e pela estabilidade do edifício.
Projeto de uso misto reúne escritórios, lazer e moradia
O Can Cube distribui funções diferentes entre seus níveis. A entrada e o pavimento abaixo do solo abrigam escritórios, enquanto os níveis 2 e 3 recebem áreas de lazer e espaços privados de moradia.
A fachada de latas integra um conjunto maior de soluções ambientais. O edifício também trabalha com aquecimento e resfriamento subterrâneos, filtragem de água da chuva e sistemas de energia solar.
Esses recursos atuam juntos para melhorar a eficiência e reduzir desperdícios de energia. A fachada participa desse funcionamento ao permitir que os ocupantes controlem a entrada de luz, sem ser apresentada como a única responsável pelo desempenho do prédio.
O Can Cube mostra como uma embalagem comum pode ganhar outra utilidade sem perder sua forma original. As latas permanecem inteiras, ficam presas em molduras ajustáveis e ajudam a criar uma superfície que muda com a incidência da luz.
A experiência também deixa uma distinção importante: reaproveitar embalagens na fachada não significa construir o prédio com latas. O material forma uma camada externa, enquanto a estrutura principal permanece responsável por sustentar toda a construção.
Você acha mais interessante reaproveitar embalagens inteiras em fachadas ou derreter o alumínio para fabricar novas peças? Deixe sua opinião e compartilhe a publicação.
