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Gigantes ocultos no fundo do Mar do Norte revelam como icebergs de 18 mil anos ajudam a prever o colapso de geleiras e a elevação dos oceanos

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 30/03/2026 às 15:21
Atualizado em 30/03/2026 às 15:24
Iceberg gigante no Mar do Norte com sulcos profundos no fundo oceânico formados por deslocamento de gelo há milhares de anos
Imagem ilustrativa mostra iceberg no Mar do Norte e os sulcos deixados no leito marinho, evidenciando processos de deslocamento de gelo ocorridos entre 20 mil e 18 mil anos atrás
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Registros geológicos preservados no fundo do oceano permitem reconstruir mudanças climáticas rápidas e antecipar cenários futuros na Antártida

Uma investigação científica de grande relevância climática foi conduzida recentemente por pesquisadores do British Antarctic Survey, despertando interesse internacional.
Foram identificadas estruturas gigantes formadas entre 20 mil e 18 mil anos atrás no fundo do Mar do Norte, revelando padrões essenciais do comportamento do gelo durante o fim da última era glacial.
Esse material foi preservado sob camadas de sedimentos ao longo de milênios e, portanto, passou a ser considerado um registro detalhado das transformações climáticas daquele período.
Ao mesmo tempo, os dados analisados ajudam a compreender como grandes massas de gelo reagiram a um aquecimento rápido, o que, consequentemente, permite projetar impactos futuros.

Registros submarinos revelam dinâmica das geleiras antigas

Inicialmente, os cientistas analisaram sulcos profundos escavados por icebergs no leito marinho, que se estendem por quilômetros e indicam a movimentação de blocos gigantes de gelo.
Essas marcas foram soterradas ao longo de milhares de anos e, por isso, permanecem preservadas como um arquivo geológico extremamente valioso.
Além disso, os pesquisadores utilizaram dados sísmicos originalmente coletados pela indústria de petróleo e gás, que funcionam como um ultrassom do subsolo.
Dessa forma, foi possível visualizar trilhas largas e contínuas, formadas quando icebergs grandes demais para flutuar livremente arrastaram suas bases pela superfície.
Consequentemente, essas evidências indicam a profundidade e o volume do gelo perdido durante aquele período.

Análise técnica permite reconstruir o clima do passado

Em seguida, os pesquisadores avaliaram a orientação e a geometria dessas trilhas, o que possibilitou inferir direções de deslocamento do gelo e intensidade das correntes oceânicas.
Esses dados foram integrados a outros registros paleoclimáticos, como núcleos de sedimentos marinhos e vestígios de pólen preservado.
Assim, foi possível reconstruir cenários de aquecimento acelerado que ocorreram entre 20 mil e 18 mil anos atrás, período considerado crítico para mudanças climáticas.
Essa análise permite comparar o comportamento das antigas camadas de gelo com o recuo observado atualmente em regiões sensíveis.

Conexão com a Antártida reforça projeções do nível do mar

Por outro lado, os pesquisadores destacaram que as estruturas identificadas no Mar do Norte apresentam forte semelhança com processos atuais observados na Antártida.
Além disso, icebergs modernos como A23a e A68a foram citados como exemplos comparáveis aos blocos gigantes do passado.
Dessa maneira, os cientistas combinam diferentes fontes de informação para entender a evolução do gelo em um cenário de aquecimento contínuo.
Entre essas fontes, destacam-se:

  • Registros geológicos preservados no fundo do mar
  • Observações por satélite das fraturas atuais na Antártida
  • Modelos numéricos que simulam gelo, oceano e atmosfera

Assim, essas análises ajudam a prever como o derretimento das geleiras pode contribuir para a elevação do nível do mar nas próximas décadas.

Transformações nas marcas indicam aquecimento acelerado

Um dos achados mais relevantes foi a mudança no formato dos sulcos ao longo do tempo.
Inicialmente, as marcas eram longas e retas; porém, com o aumento da temperatura, tornaram-se menores, sinuosas e fragmentadas.
Isso indica que, entre 20 mil e 18 mil anos atrás, grandes icebergs começaram a se dividir em blocos menores devido ao aquecimento do oceano e da atmosfera.
Consequentemente, esse comportamento foi comparado a eventos recentes, como o colapso parcial da plataforma Larsen B em 2002 e a fragmentação do iceberg A68a a partir de 2021.
Esses episódios reforçam a relação entre aumento de temperatura e instabilidade das massas de gelo.

Monitoramento atual aponta riscos para regiões costeiras

Atualmente, os pesquisadores monitoram continuamente esses fenômenos, pois, dessa forma, conseguem identificar sinais precoces de instabilidade.
Além disso, o estudo destaca pontos críticos que merecem atenção, como:

  • Fragmentação de grandes icebergs como sinal de recuo acelerado
  • Setores mais vulneráveis da Antártida ao aquecimento oceânico
  • Impactos potenciais em áreas costeiras, incluindo enchentes e erosão

Assim, essas evidências mostram que processos observados no passado continuam relevantes para compreender o presente e antecipar o futuro.

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Caio Aviz

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