A presença de amianto na composição do casco do navio porta-aviões pode causar fortes impactos ambientais em alto mar. O Ibama solicitou novas atualizações à Marinha do Brasil sobre o afundamento do NAe São Paulo.
Após a Marinha do Brasil anunciar a operação de afundamento do NAe São Paulo nesta quinta-feira (02/01), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) solicitou atualizações do caso. O órgão apontou a necessidade de novas avaliações técnicas e suspensão temporária do afundamento do navio porta-aviões para garantir a segurança ambiental. A liberação de substâncias como o amianto presente no casco da embarcação pode causar fortes impactos ao ecossistema marinho.
Veja: Marinha e Ibama estão em conflito para determinar o destino do porta-aviões
Ibama alerta para possíveis impactos ambientais no ecossistema marinho com continuidade da operação de afundamento do navio porta-aviões NAe São Paulo
A Marinha do Brasil anunciou recentemente a realização da operação de afundamento do casco do navio porta-aviões NAe São Paulo, desativado há mais de 5 anos.
No entanto, as condições para a realização da operação estão preocupando órgão ambientalistas de todo o país.
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Um pedido enviado à Força Naval nesta quinta-feira, realizado pelo Ibama, solicitou à Marinha do Brasil atualizações sobre a operação de afundamento do casco da embarcação.
O objetivo do órgão ambientalista é estudar possíveis alternativas para mitigar os impactos ambientais que podem decorrer da operação.
Segundo o instituto, a decisão da Marinha vai na contramão das medidas apontadas pelo seu corpo técnico para garantir a destinação ambientalmente adequada para o caso.
Isso acontece porque foi detectada a presença de amianto na composição do NAe São Paulo, substância tóxica para o ecossistema marinho.
“Além de solicitar estudos do Centro de Hidrografia da Marinha, mapeamento de fundo da área selecionada para o alijamento do casco e informações sobre o método pretendido para provocar o afundamento, o Ibama recomendou a elaboração de Plano de Monitoramento da Água”, afirmou o Ibama na solicitação.
Há três semanas, uma equipe técnica do órgão liberou uma nota alertando para os impactos do afundamento do casco do navio porta-aviões por parte da Marinha do Brasil.
O principal problema que pode decorrer da liberação do amianto presente no NAe São Paulo é o distúrbio na capacidade filtrante e dificuldade de crescimento em organismos aquáticos.
Além disso, o impacto físico direto no fundo do oceano pode ocasionar a morte de inúmeras espécies marítimas, como aponta a equipe do Ibama.
Ibama aponta para possíveis liberações de CFCs e HCFCs na operação da Marinha do Brasil
Além dos problemas já apresentados pela equipe técnica do Ibama, há possíveis riscos de liberação de Clorofluorcarbonetos (CFCs) e Hidroclorofluorcarbetos (HCFCs) durante o afundamento do casco do navio porta-aviões.
Essa operação com o NAe São Paulo pode causar então um agravamento da atual situação de risco da camada de ozônio no Brasil.
A carcaça do navio da Marinha do Brasil ainda possui o potencial de atração de espécies invasoras ao ecossistema marinho nacional, comprometendo a vida de espécies já existentes na região.
A equipe técnica do Ibama complementou que “os microplásticos e metais pesados presentes em tintas da embarcação poderiam se tornar protagonistas de bioacumulação indesejável em organismos aquáticos. Como agravante, todos os impactos previstos poderiam ocorrer em hotspots (reserva) de biodiversidade, fundamentais para a vida marinha.”
A Marinha do Brasil se posicionou em relação aos alertas do Ibama, declarando não haver outra alternativa se não um afundamento controlado do navio porta-aviões NAe São Paulo na conjuntura atual.

