Estudo revela que povos da Era Glacial usavam madeira, ossos e gordura para alimentar lareiras com temperaturas acima de 600 °C, demonstrando domínio avançado do fogo.
Durante a Era Glacial, povos do Paleolítico Superior dominavam o fogo com mais técnica do que se imaginava.
Arqueólogos descobriram três lareiras construídas com sofisticação em um sítio arqueológico chamado Korman’ 9, localizado na margem direita do rio Dniester, na Ucrânia.
As estruturas revelam não apenas o uso da madeira como combustível principal, mas também o possível emprego de ossos e gordura para manter as chamas acesas.
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Local estratégico e datações da Era Gracial
O sítio de Korman’ 9 pertence ao período do Paleolítico Superior, entre 45 mil e 10 mil anos atrás. Segundo os pesquisadores, ele foi identificado em 2012, durante uma varredura de locais arqueológicos ao longo do rio Dniester.
A área se encontra em um terraço voltado para o norte, uma posição estratégica para antigos grupos nômades da região.
As análises revelaram três lareiras planas e abertas. As estruturas chamaram a atenção pelos sinais de uso constante e repetido ao longo de diferentes estações do ano.
Os cientistas acreditam que a presença dessas lareiras em um mesmo local reforça a hipótese de que os caçadores-coletores retornavam à região durante suas migrações sazonais.
Temperaturas extremas e controle do fogo
Os testes mostraram que os fogos atingiram temperaturas superiores a 600 graus Celsius. Em uma das lareiras, inclusive, foram detectadas temperaturas acima de 650 graus. Isso indica um domínio técnico impressionante da pirotecnologia, mesmo em condições ambientais severas.
De acordo com a Dra. Marjolein D. Bosch, zooarqueóloga envolvida na pesquisa, alguns ossos de animais encontrados no local foram expostos a essas altas temperaturas. A equipe ainda estuda se esses materiais foram usados intencionalmente como combustível ou se foram queimados por acidente.
Combustível: madeira, ossos e gordura
A principal fonte de energia usada nessas fogueiras era madeira. Análises de carvão indicam que os antigos habitantes da região usavam madeira de abeto.
No entanto, os pesquisadores não descartam a possibilidade de que ossos e gordura também tenham sido empregados para manter o fogo, principalmente quando a madeira era escassa.
Além de aquecer, o fogo tinha várias finalidades para esses grupos humanos. Servia para cozinhar alimentos, confeccionar ferramentas e promover encontros sociais. Segundo o Dr. Philip R. Nigst, da Universidade de Viena, essas atividades reforçam o papel central do fogo na organização da vida cotidiana.
Lareiras diferentes, usos distintos
Apesar de todas as lareiras terem formato plano e aberto, cada uma apresenta características diferentes. Uma delas é visivelmente maior e mais espessa, sugerindo que tenha sido usada para atividades que exigiam temperaturas mais altas.
A diversidade das lareiras também aponta para adaptações conforme a época do ano ou a necessidade do grupo.
O Dr. Nigst destaca que os caçadores-coletores sabiam exatamente como controlar o fogo e adaptá-lo às suas necessidades. Para ele, as evidências em Korman’ 9 mostram um nível elevado de conhecimento técnico e social sobre o uso do fogo.
As descobertas foram detalhadas na revista Geoarchaeology.
