Honda Super-One esgotou as 130 unidades iniciais em cinco horas na Austrália. Elétrico de 3,58 metros libera 95 cv com modo Boost e simula sete marchas, mas oferece 202 km de autonomia no ciclo internacional WLTP.
Um carro elétrico menor que o Toyota Yaris esgotou as 130 unidades de seu primeiro lote na Austrália em apenas cinco horas, apesar de custar a partir de 36.900 dólares australianos e oferecer somente 202 quilômetros de autonomia no ciclo internacional WLTP. O responsável pela corrida às encomendas é o Honda Super-One, um hatch japonês de apenas 3,58 metros que aposta em design retrô, bancos esportivos e uma solução inusitada: um botão que aumenta a potência e faz o motorista ouvir um motor a combustão que não existe.
As vendas australianas começaram em agosto de 2026, e o esgotamento do lote foi relatado pelo site especializado CarsGuide em 1º de outubro, quando as primeiras entregas estavam previstas para começar. O interesse pelo Super-One já havia ultrapassado 6.500 manifestações de interesse antes da abertura das encomendas, segundo os dados divulgados na Austrália. A fabricante promete novas unidades para o início de 2027 e tenta conquistar compradores que valorizam personalidade e prazer ao volante mais do que espaço ou quilometragem por carga.

Honda Super-One esgota primeiro lote em cinco horas após reunir mais de 6.500 interessados
O lançamento australiano começou com um lote limitado: 130 exemplares destinados ao primeiro período de entregas, iniciado em outubro. Antes disso, a Honda já havia divulgado mais de 6.500 registros de interesse, volume superior ao recebido pelo novo Civic Type R no país, conforme a imprensa especializada local. A abertura das encomendas em agosto transformou essa curiosidade em uma corrida que consumiu toda a alocação inicial em cinco horas.
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Os 130 carros representam o lote disponível, e não o total previsto de produção mundial. A Honda informou que novos exemplares devem chegar à Austrália no começo de 2027. O mercado australiano recebe o Super-One como seu primeiro Honda totalmente elétrico, depois de uma estratégia local concentrada principalmente em motores a gasolina e híbridos. No Japão, a comercialização começou em maio, meses antes de o compacto desembarcar nas concessionárias australianas.
Hatch japonês oferece 202 km pelo ciclo WLTP, embora a Honda também anuncie 253 km por outro padrão
A bateria de íons de lítio do Super-One australiano armazena 29,6 kWh. A autonomia de 202 quilômetros corresponde ao padrão WLTP utilizado na avaliação da CarsGuide, enquanto o site da Honda na Austrália divulga até 253 quilômetros pelo ciclo NEDC. Os dois resultados pertencem a metodologias de medição distintas; para quem planeja uma viagem, a referência de 202 km oferece uma comparação mais exigente do que o índice NEDC anunciado pela marca.
A bateria pequena permite reabastecer energia de maneira relativamente rápida: a fabricante informa que a carga pode passar de 15% a 80% em aproximadamente 30 minutos em um carregador de corrente contínua compatível. No teste australiano da CarsGuide, realizado com ar-condicionado ligado e uso intenso, o computador de bordo chegou a indicar consumo próximo de 20 kWh por 100 quilômetros, superior à média homologada de 12,1 kWh/100 km. O Super-One foi concebido sobretudo para trajetos urbanos, onde as distâncias diárias costumam ser menores.
Botão Boost faz motor elétrico saltar de 64 para 95 cv e cria a sensação de trocar sete marchas
O principal diferencial mecânico do Super-One fica ao alcance de um toque. Nas configurações normais, o motor elétrico fornece 47 kW, equivalentes a cerca de 64 cavalos. Ao ativar o modo Boost, a potência máxima sobe para 70 kW, aproximadamente 95 cv, acompanhada de respostas mais vigorosas ao acelerador. O torque declarado na especificação australiana é de 162 Nm, valor disponível para movimentar um automóvel que pesa aproximadamente 1.093 kg.
A Honda programou uma simulação de sete marchas combinada com um sistema de som ativo dentro da cabine. O motorista pode usar as aletas atrás do volante para provocar mudanças virtuais de marcha, enquanto os alto-falantes reproduzem o ruído de um motor esportivo em sincronia com a aceleração. O conjunto de propulsão continua sendo elétrico e de relação única; os engates e o som são efeitos desenvolvidos para recriar parte da experiência de um pequeno esportivo a combustão.
Com 3,58 metros e quatro lugares, Super-One troca tamanho por carroceria retrô e equipamento de carro premium
O modelo mede 3.582 milímetros de comprimento e 1.573 milímetros de largura, segundo as especificações examinadas pela CarsGuide. Sua base vem do Honda N-One e:, um compacto elétrico inspirado nos tradicionais kei cars japoneses, mas a versão Super-One recebeu bitola ampliada, para-lamas salientes, rodas maiores e ajustes de suspensão. Os faróis circulares remetem aos pequenos Hondas do passado, enquanto as entradas de ar e a postura mais larga aproximam o visual de um hot hatch.
A cabine acomoda quatro ocupantes e oferece bancos dianteiros esportivos, volante aquecido e sistema multimídia com tela de nove polegadas, dependendo da configuração de mercado. Um sistema Bose com oito alto-falantes, incluindo subwoofer, equipa o modelo, acompanhado de instrumentação que muda de aparência quando o Boost é acionado. Na avaliação australiana, os jornalistas elogiaram a posição de dirigir e os bancos, mas apontaram limitações para motoristas mais altos, falta de ajuste de profundidade do volante e ausência de estepe.

Honda pede 36.900 dólares australianos e desafia carros elétricos chineses maiores e mais baratos
O Super-One chegou à Austrália com preço inicial de 36.900 dólares australianos, com taxas locais incluídas na oferta drive-away. A versão Two-Tone, com carroceria violeta e teto preto, parte de 37.400 dólares australianos. Esses valores pertencem ao mercado local e não representam uma tabela de preços brasileira. A proposta comercial também coloca o pequeno Honda acima de concorrentes elétricos chineses de entrada, como o BYD Atto 1, que tem carroceria maior e foi anunciado com preços inferiores na Austrália.
O apelo do Super-One está concentrado no projeto do carro: visual diferente, dimensões para ruas apertadas, comandos de inspiração esportiva e equipamentos incomuns na categoria. A CarsGuide lhe atribuiu nota 7,8 de 10 em teste publicado em 1º de outubro e destacou dirigibilidade, acabamento e personalidade. A mesma avaliação apontou preço elevado e alcance limitado frente a concorrentes de proposta mais utilitária, deixando clara a escolha feita pela Honda ao privilegiar diversão ao volante e design retrô.
Honda começou a vender o Super-One no Japão em maio; Brasil ainda não tem lançamento anunciado
O lançamento japonês aconteceu em 22 de maio de 2026, depois da abertura das reservas em abril. O novo carro integra a estratégia da Honda de levar eletrificação a segmentos compactos, com um produto que oferece personalidade diferente dos hatches convencionais. A fabricante também apresentou o projeto em eventos internacionais e realizou testes em vias australianas antes de sua estreia comercial no país, reforçando a adequação às condições locais.
Para o Brasil, a Honda não apresentou anúncio oficial de vendas do Super-One até outubro de 2026. O carro que esgotou 130 unidades em cinco horas na Austrália continua sendo uma aposta em mercados selecionados, com alcance e preço pensados para um público específico. O novo lote previsto para 2027 será a próxima oportunidade de medir se a procura inicial continua depois que os primeiros proprietários começarem a conviver com a autonomia de 202 km e com as particularidades do pequeno elétrico japonês.
Você pagaria mais por um carro elétrico com visual retrô, modo Boost e marchas simuladas, mesmo tendo menos autonomia que rivais mais baratos? Conte sua opinião nos comentários e compartilhe a reportagem com quem acompanha os carros japoneses e a disputa entre os elétricos compactos.

