Casa de barreado ganha estrutura com taquara, barro amassado em máquina caseira, pouca ou nenhuma base de cimento e instalação elétrica embutida para entregar conforto de casa moderna.
A casa de barreado que o Renato decidiu erguer não é cabana improvisada nem construção frágil. É um projeto pensado para mostrar que o barro, quando bem trabalhado, ainda pode competir com tijolo e bloco na hora de garantir conforto e segurança. Em vez de rejeitar o que os antigos faziam, ele resolveu entender a técnica, adaptar ao presente e provar na prática que uma casa de barreado pode ser fresca, bonita e durável.
No lugar de betoneira, entrou uma máquina simples para amassar o barro. No lugar de ferragem pesada, entrou taquara bem travada. No lugar de paredes finas, surgiram paredes grossas, que seguram o calor lá fora e mantêm o interior mais estável. Ao mesmo tempo, Renato fez questão de preparar tudo para receber elétrica, hidráulica, janelas grandes e acabamentos de hoje, mostrando que uma casa de barreado não precisa ficar presa ao passado para funcionar. Este relato foi baseado em um vídeo do canal Terra Rosana, e o vídeo completo será incluído abaixo para quem quiser ver a construção em detalhes.
Máquina caseira transforma barro em massa uniforme
Antes de erguer a primeira parede de casa de barreado, Renato sabia que precisava resolver o básico. Sem barro bem amassado, não existe casa de barreado que dure.
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A solução foi olhar para a tradição e adaptar. Em vez de pisar o barro no pé, como se fazia antigamente, ele montou um sistema simples usando um tambor, um eixo e uma pá interna.
Dentro do tambor, uma tábua presa ao eixo gira e prensa o barro. O conjunto faz o serviço que antes era feito por um animal puxando a amarra.
Hoje, em vez de cavalo, Renato usa a moto para girar o sistema e controlar a mistura. Enquanto o eixo corta, vira e amassa, ele dosa a água para o barro ficar no ponto certo.
O objetivo é sempre o mesmo. O barro da casa de barreado precisa virar uma massa homogênea, sem torrões e sem excesso de água.
Se fica muito mole, a parede racha e cai. Se fica muito duro, não entra direito na trama de bambu e perde aderência. Com a máquina improvisada, ele consegue repetir a mistura, manter o padrão e garantir qualidade em cada trecho de parede.
Taquara, barro e parede grossa segurando a estrutura

Com o barro pronto, começa a parte que mais chama atenção de quem vê a casa de barreado por dentro. Nada de coluna de concreto dominando a cena. A base foi feita com pedra sobre pedra, encaixadas com cuidado e quase sem cimento, como se fazia nas construções mais antigas.
Acima disso, vem um esqueleto de madeira e taquara. As varas de bambu são amarradas e travadas na estrutura, formando uma espécie de painel vazado.
É ali que a massa entra. Renato bate o barro de baixo para cima, respeitando a gravidade e comprimindo cada camada para dentro da trama. O impacto faz um pedaço de barro encontrar o outro e preencher os vazios.
As paredes da casa de barreado ficam grossas, pesadas e com aparência rústica por fora. Rachaduras superficiais aparecem nos primeiros dias, o que é normal para esse tipo de construção. Depois, entra um reboco especial, feito de terra, areia e cal, para nivelar e preparar a superfície.
A ideia nunca foi esconder que é barro, mas sim entregar uma casa de barreado sólida, alinhada e pronta para receber acabamento de qualidade.
Elétrica moderna dentro da casa de barreado
Um dos maiores desafios para transformar uma casa de barreado em casa de uso diário está na parte elétrica. Antigamente, muitas construções desse tipo nem tinham fio na parede.
Hoje é diferente. Renato quer ligar chuveiro, iluminação, tomada de cozinha e tudo o que uma casa atual precisa.
A solução foi planejar primeiro a estrutura e só depois bater o barro. Antes de fechar as paredes, ele montou a trama de bambu, passou os conduítes, travou as caixinhas de tomada e interruptor nas madeiras e deixou tudo no lugar. Só então a massa da casa de barreado foi aplicada em volta, cobrindo a parte grossa da instalação.
Mais tarde, vai entrar um reboco de terra, areia e cal, seguindo o mesmo conceito da parede externa, e por fim a pintura.
Para quem olha de dentro, a casa de barreado vai parecer qualquer outra casa bem feita, com quadro de energia, pontos definidos e elétrica distribuída de forma segura. A diferença é que, por trás do acabamento, não existe tijolo. Existe barro bem batido segurando tudo.
Banheiro e acabamentos pensando na prática
Nem tudo da casa de barreado precisa ser barro. No banheiro, por exemplo, Renato optou por uma base em alvenaria convencional, com tijolo, porém usando a mesma massa de terra, areia e cal no revestimento. O objetivo é garantir resistência onde há umidade constante, sem perder a integração visual com o restante da construção.
O projeto também prevê janelas maiores, diferentes das aberturas pequenas das casas antigas. A ideia é aproveitar melhor a luz natural e a ventilação, sem comprometer a estrutura da casa de barreado.
Dentro das paredes, foram colocadas peças de madeira em pontos específicos, a cada intervalo definido, para que no futuro seja fácil pendurar prateleiras, armários e suportes sem depender só do barro.
Assim, a casa de barreado ganha cara de casa completa, com banheiro funcional, janelas amplas, pontos de fixação bem planejados e espaço interno para uso real da família, não apenas para demonstração de técnica.
Conforto térmico de casa de barro em região quente

Enquanto muita gente associa casa moderna a bloco, laje e telha de cerâmica, quem já viveu em casa de barro sabe de outra verdade.
A parede grossa de terra tem um comportamento diferente com o calor. Em dia quente, ela absorve e atrasa a transferência de temperatura para dentro. Em região de sol forte, isso faz diferença.
Renato e os moradores lembram de outras casas de barreado e de pau a pique da família, que já provaram esse conforto na prática.
Em clima quente, a casa de barreado tende a ficar mais fresca do que construções finas e mal isoladas. Não é uma geladeira, mas reduz o impacto do calor e cria um ambiente mais estável ao longo do dia.
Ao mesmo tempo, a mistura de barro e madeira conversa com a paisagem em volta. A casa de barreado se encaixa melhor nas montanhas e na vegetação do entorno, fugindo da aparência fria de blocos de concreto.
É uma construção que parece nascer do próprio terreno, mas que agora vem com fio elétrico, banheiro completo e planejamento de longo prazo.
Tradição, aprendizado e futuro da casa de barreado
Nada disso acontece por acaso. O conhecimento da casa de barreado veio de observação, conversa com gente mais velha e respeito pelas técnicas de antes. Renato visitou construções antigas, ouviu relatos de casas com décadas de uso e adaptou o que fazia sentido ao contexto atual.
Ele sabe que muita gente ainda torce o nariz para a ideia de morar em casa de barreado. Por isso, cada detalhe da obra é uma espécie de argumento visual.
A fundação sobre pedra, as paredes bem batidas, a trama de bambu fechada, a elétrica escondida sem improviso, o banheiro planejado, as madeiras para fixar prateleiras. Tudo isso mostra que a casa de barreado pode ser raiz sem ser precária, antiga sem ser atrasada e simples sem abrir mão de conforto.
No fim, o projeto é menos uma volta ao passado e mais uma prova de que dá para escolher outro caminho na construção. Em vez de depender só de cimento e bloco, dá para trazer o barro de volta, com critério, técnica e ajuda da tecnologia.
E você, moraria em uma casa de barreado moderna como essa ou ainda prefere apostar apenas no tijolo e no concreto na hora de construir?


Muy bien, gracias por recordarme el concepto casa de arcilla
Renato, faz uma pra mim