1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / Homem revela um truque antigo da roça para reduzir o gasto com ração, alimentando os porcos com abacate, casca de mandioca e outras sobras de processamento
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

Homem revela um truque antigo da roça para reduzir o gasto com ração, alimentando os porcos com abacate, casca de mandioca e outras sobras de processamento

Escrito por Geovane Souza
Publicado em 19/01/2026 às 17:10
Atualizado em 19/01/2026 às 17:11
Assista o vídeoHomem revela um truque antigo da roça para reduzir o gasto com ração, alimentando os porcos com abacate, casca de mandioca e outras sobras de processamento
Criador em Minas reduz custos na engorda de porcos ao complementar a ração com abacate e casca de mandioca (Foto: Reprodução/YouTube)
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Um criador em Minas mostra o uso de abacate de descarte e casca de mandioca na alimentação dos porcos para reduzir custos. A prática é antiga no campo, mas exige cuidado com toxinas naturais, mofo e equilíbrio nutricional.

Um vídeo gravado em área rural de São Sebastião do Paraíso, no sudoeste de Minas Gerais, colocou em evidência um tema que costuma ficar fora das discussões urbanas. Um criador relata que engorda porcos usando abacate de descarte e casca de mandioca que sobra do processamento, reduzindo a dependência de ração comercial.

O relato chama atenção porque conecta três pontos que pressionam a suinocultura familiar. O primeiro é o custo de insumos como milho e farelo de soja, que pesa mais quando a produção é pequena e a compra é fracionada.

O segundo é a lógica do aproveitamento local. No vídeo, o produtor descreve um sistema em que a mandioca gera alimento para venda e também sobras que viram ingrediente para os animais, enquanto o esterco volta ao solo como adubo orgânico.

O terceiro é o risco de transformar economia em problema sanitário. Subprodutos agrícolas podem ser úteis, mas não são automaticamente seguros em qualquer quantidade, do jeito que saem do campo ou da cozinha.

O que o vídeo revela sobre a suinocultura familiar

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

A cena que mais prende o público não é a técnica sofisticada, e sim a simplicidade. O criador fala de porcos alimentados com abóbora, mandioca e abacate, com pouca oferta de milho, e descreve uma rotina manual que envolve descascar, separar e armazenar a mandioca.

Esse tipo de conteúdo viraliza porque traduz um desafio real em linguagem direta. Ao mesmo tempo, ele expõe uma discussão que divide opiniões, já que parte do público enxerga a prática como sustentabilidade e outra parte como improviso que pode colocar os animais em risco.

Mandioca e casca na alimentação de suínos o que dizem pesquisas e boletins técnicos

O uso de resíduos da mandioca como ingrediente na alimentação animal é estudado há décadas no Brasil. Uma revisão divulgada em 2016 destaca que o processamento da mandioca gera resíduos sólidos como cascas e massa residual, além de resíduos líquidos como a manipueira, e aponta que esses materiais muitas vezes ainda são descartados de forma inadequada, apesar do potencial zootécnico.

No mesmo documento, há uma estimativa importante para entender escala e logística. As cascas podem representar cerca de 10 a 15 por cento do peso das raízes, dependendo do método de descasque, e aparecem como matéria-prima rica em carboidratos para compor ração e reduzir dependência de grãos.

O ponto mais sensível é a segurança. Boletim da Embrapa sobre alimentação de suínos afirma que variedades chamadas bravas ou amargas podem intoxicar animais quando usadas imediatamente após a colheita, por causa de substâncias que liberam ácido cianídrico, e ressalta a necessidade de tratamento prévio.

Outro documento técnico da Embrapa explica por que isso acontece. A mandioca tem compostos cianogênicos como a linamarina, que ao ser hidrolisada pode gerar ácido cianídrico, e a classificação de risco varia conforme o teor, com faixas de referência em mg de HCN por kg de raiz fresca.

Além do aspecto tóxico, existe o nutricional. O mesmo boletim da Embrapa descreve a mandioca como alimento energético, com amido como principal componente, mas com teores baixos de proteína e aminoácidos, o que reforça que subprodutos podem baratear energia da dieta, mas não resolvem o balanço sozinho.

Abacate como alimento para porcos economia real e cuidados com toxinas e mofo

O aproveitamento de abacate fora do padrão de venda também aparece em estudos internacionais e na literatura veterinária, mas sempre acompanhado de alertas. O Manual Veterinário MSD descreve casos de toxicoses associadas ao abacate em diferentes espécies e relaciona o problema ao composto persina, observando que folhas, frutos e sementes podem estar envolvidos, com folhas citadas como a parte mais tóxica.

Em artigo científico de 2020, pesquisadores discutem que a tolerância ao abacate varia por espécie e lembram que muitas variedades contêm persina, com concentração relevante em sementes. O mesmo trabalho cita resultados em que uma pasta feita de resíduos de frutos moídos foi incluída em dieta de suínos em terminação sem queda de desempenho, enquanto o risco de toxicidade foi discutido em função da composição e da presença de sementes.

Na prática da roça, o maior perigo costuma ser menos “o abacate em si” e mais o estado do alimento oferecido. O estudo da MDPI relata que polpa de abacate armazenada ao ar livre foi rapidamente contaminada por mofo e leveduras em poucos dias, mesmo com pH inicial baixo, reforçando que o manejo de armazenamento muda tudo.

Esse cuidado conversa com uma recomendação comum em segurança alimentar. Reportagem de divulgação científica da UFSM lembra que frutas estão entre os alimentos mais propensos à contaminação por fungos e que, ao perceber mofo, a orientação é descartar o alimento deteriorado.

Quando a ração barata vira risco e onde está a linha entre sustentabilidade e improviso

O debate que o vídeo provoca é legítimo. De um lado, há ganhos possíveis ao reduzir desperdício, usar recursos locais e transformar sobras em insumos, uma lógica que interessa tanto para o bolso quanto para o ambiente, especialmente em pequenas propriedades.

Do outro, há riscos claros quando a busca por economia ignora limites. No caso da mandioca, a presença de compostos cianogênicos é documentada e depende de variedade, processamento e forma de oferta, o que torna perigoso generalizar a experiência de uma propriedade para todas as outras.

No caso do abacate, a literatura veterinária registra toxicoses em diferentes espécies e associa o problema à persina, além de apontar que partes como folhas e sementes podem concentrar mais risco, o que exige prudência ao usar resíduos e restos de colheita.

A síntese é simples e incômoda. Subproduto não é sinônimo de lixo, mas também não é sinônimo de ração completa, e a diferença entre inovação e acidente pode estar em detalhes de higiene, quantidade e formulação que precisam de orientação técnica.

Você acha que usar abacate e casca de mandioca para engordar porcos é solução inteligente ou gambiarra perigosa. No seu ponto de vista, o campo é mais eficiente quando aproveita tudo ou isso abre espaço para riscos que ninguém vê. Deixe seu comentário e diga onde você colocaria o limite entre economia e responsabilidade na alimentação animal.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

Compartilhar em aplicativos
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x