Em Balneário Camboriú, Francisco Graciola, fundador da FG Empreendimentos, relembra a infância no interior de Gaspar, o acidente que ameaçou a visão e virada ao virar barbeiro. Depois, abriu barbearia em Blumenau, dormiu no banco e acumulou capital até apostar em prédios e torres de alto padrão em Santa Catarina
Em Balneário Camboriú, a trajetória de Francisco Graciola, fundador da FG Empreendimentos, virou símbolo de ascensão empresarial em Santa Catarina ao conectar infância no interior de Gaspar, trabalho precoce e uma virada forçada por um acidente que colocou a visão em risco. Hoje, o nome dele circula no centro do mercado imobiliário de luxo.
A reconstituição dessa caminhada apareceu em um conteúdo publicado no YouTube durante um passeio por Balneário Camboriú com o empresário Luciano Hang. O cenário não foi aleatório. Balneário Camboriú, no Litoral Norte catarinense, é onde a FG se consolidou como protagonista e onde projetos como One Tower e Senna Tower ajudam a explicar o tamanho do salto.
Da roça em Gaspar ao banco da barbearia em Blumenau

Francisco Graciola nasceu no interior de Gaspar, cresceu em família numerosa e começou a trabalhar ainda criança no cultivo de arroz.
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O ponto de inflexão, segundo ele, veio depois de um acidente que comprometeu sua visão e o afastou da atividade rural. É o tipo de detalhe que muda o roteiro de vida sem aviso.
Aos 14 anos, ele passou a aprender a profissão de barbeiro com um tio e, pouco tempo depois, abriu a própria barbearia em Blumenau.
Sem recursos para pagar moradia, dormia no próprio estabelecimento. A imagem que ele mesmo escolhe para resumir essa fase é direta e sem romantização, quando diz que “dormia no banco” onde clientes esperavam.
Pequenos negócios, capital acumulado e a entrada na construção civil
O caminho até Balneário Camboriú não foi uma linha reta. Com perfil empreendedor, ele diversificou os negócios para além do salão, somando atividades como costura e alfaiataria e, mais tarde, lanchonetes.
A lógica era simples e cumulativa, ampliar fontes de receita, segurar custos e transformar rotina de trabalho em capital.
Essa expansão abriu espaço para investir em terrenos e, depois, na construção civil, setor que passaria a definir sua trajetória. O primeiro edifício, com quatro andares, foi erguido há cerca de quatro décadas.
A partir dali, o crescimento descrito por ele foi contínuo, com obras em diferentes cidades catarinenses até a consolidação em Balneário Camboriú.
Balneário Camboriú como vitrine e o padrão de qualidade como discurso
A consolidação em Balneário Camboriú tem uma dimensão prática e outra simbólica.
Na prática, a cidade virou um polo imobiliário e uma vitrine da verticalização urbana brasileira, palco onde torres residenciais ganham visibilidade nacional.
No símbolo, Balneário Camboriú passou a funcionar como cartão de visita de uma construtora que se apresenta como referência em alto padrão.
Graciola associa a base do sucesso a dedicação extrema ao trabalho e ao padrão de qualidade, recorrendo a uma ideia que ele repete como mantra, cuidado e capricho.
Esse discurso é parte do que sustenta a reputação de quem vende edifícios como produto de precisão, especialmente quando o mercado cobra acabamento, prazo e consistência.
FG, Hang e a escalada de projetos em Balneário Camboriú

A relação empresarial com Luciano Hang, segundo o próprio Graciola, começou há cerca de duas décadas, com investimentos conjuntos em terrenos e empreendimentos no litoral catarinense.
Com o tempo, a parceria evoluiu e se encaixou no desenho de uma empresa que acumula dezenas de torres residenciais de alto padrão em Santa Catarina, com Balneário Camboriú como vitrine.
Nesse pacote, aparecem projetos que viraram referência local, como o One Tower, citado como uma das maiores referências arquitetônicas de Balneário Camboriú.
A mesma parceria também surge associada ao Senna Tower, que está em construção e tem como meta ser o maior residencial do mundo, com mais de 550 metros e 157 andares, números que colocam o debate para além do marketing e dentro do território da engenharia.
O que 550 metros e 157 andares dizem sobre ambição e escala
Quando a conversa chega a 550 metros e 157 andares, a narrativa muda de biografia para escala.
Balneário Camboriú entra como ponto de ancoragem porque ali a verticalização já é parte da identidade urbana, e projetos cada vez mais altos ajudam a explicar por que a cidade virou referência nacional no mercado imobiliário.
A pergunta que fica não é só quem constrói, mas o que essa altura representa para a cidade.
A FG aparece inserida nesse movimento com uma projeção de ocupação de 3 milhões de m² em Santa Catarina nos próximos anos, incluindo o empreendimento que mira o recorde mundial.
No discurso do fundador, a fórmula do sucesso vira um tripé de fé, família e foco.
No plano prático, o que se vê em Balneário Camboriú é a tentativa de transformar trajetória pessoal, parceria empresarial e vitrine urbana em um projeto que pretende marcar época.
Balneário Camboriú virou o cenário onde uma história de origem em Gaspar, início de trabalho na lavoura, barbearia em Blumenau e expansão em pequenos negócios se conecta com torres de alto padrão e com a ambição de um residencial de 550 metros e 157 andares.
É uma narrativa que mistura sobrevivência, disciplina e aposta em escala, com a cidade servindo de vitrine e termômetro.
Para você que acompanha Balneário Camboriú de perto, essa verticalização é sinal de progresso urbano ou de limite sendo testado no cotidiano? E, olhando para a trajetória de Graciola, qual foi a virada mais decisiva, o acidente em Gaspar, a barbearia em Blumenau ou a escolha de apostar tudo na construção civil?

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