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Guerra na Ucrânia: Sedanka sofre com baixas russas e revela desigualdade regional

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 23/02/2026 às 09:59
Atualizado em 23/02/2026 às 10:01
Sedanka, enfrenta consequências devastadoras da Guerra na Ucrânia, com baixas russas elevadas e forte impacto sobre povos indígenas.
Foto: IA
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Sedanka, enfrenta consequências devastadoras da Guerra na Ucrânia, com baixas russas elevadas e forte impacto sobre povos indígenas.

A pequena vila de Sedanka, no extremo leste da Rússia, perdeu quase todos os homens entre 18 e 55 anos após o avanço da Guerra na Ucrânia.

O que está acontecendo envolve contratos militares assinados desde 2024, dezenas de mortos e desaparecidos, e uma comunidade isolada que agora enfrenta o inverno sem força de trabalho.

Localizada na Península de Kamchatka, a mais de 7 mil quilômetros da linha de frente, a vila se tornou símbolo das baixas russas e da profunda desigualdade regional no país. 

De um total de 258 habitantes, 39 homens aderiram ao conflito.

Destes, 12 morreram e sete estão desaparecidos. Assim, quase todas as famílias foram diretamente impactadas. 

“É de partir o coração — muitas das nossas pessoas foram mortas”, declara Natalia, moradora cujo nome foi alterado por razões de segurança, em entrevista ao Serviço Mundial da BBC.

“O marido da minha irmã e meus primos estão na linha de frente. Em quase todas as famílias, há alguém lutando.” 

Baixas russas atingem níveis recordes na Guerra na Ucrânia 

O drama de Sedanka ocorre em meio a um cenário alarmante. Levantamento da BBC, em parceria com o site russo Mediazona e pesquisadores voluntários, verificou 40.201 soldados russos mortos apenas em 2025. 

A estimativa aponta que o número pode chegar a 80 mil até o fim do ano, tornando 2025 o período mais letal desde o início da invasão em larga escala, em 24 de fevereiro de 2022.

Ao todo, já foram identificados 186.102 militares russos mortos. 

Especialistas afirmam que esses dados podem representar entre 45% e 65% do total real.

Portanto, o número de mortos pode variar entre 286 mil e 413,5 mil. 

Enquanto isso, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou à emissora France 2 que, “oficialmente”, 55 mil ucranianos morreram no campo de batalha.

Segundo estimativas cruzadas com a BBC, o total pode chegar a 200 mil. 

Povos indígenas sofrem impacto desproporcional 

Embora a maioria das baixas russas envolva sobrenomes de origem eslava, os números revelam uma realidade mais dura para os povos indígenas da Sibéria e do extremo leste. 

Sedanka é habitada principalmente por koryaks e itelmens. Pelas regras vigentes, esses grupos poderiam ser isentos da mobilização, mas, na prática, muitos acabaram se alistando. 

A ativista antiguerra Maria Vyushkova afirma que a mídia estatal reforça estereótipos culturais. “Muitas comunidades indígenas se orgulham dessa herança como parte de sua identidade. A Rússia usa esse orgulho para recrutar para a guerra”, disse Vyushkova. 

Em números absolutos, já foram confirmadas mortes de 201 nenets, 96 chukchi, 77 khanty, 30 koryaks e sete inuítes.

Entre homens de 18 a 60 anos, isso representa cerca de 2% dos chukchi e 1,32% dos koryaks. 

Desigualdade regional explica concentração das baixas russas 

Assim, a desigualdade regional aparece como um dos principais fatores para entender por que vilas como Sedanka enviam proporcionalmente mais homens para a Guerra na Ucrânia. 

Dados mostram que 67% dos mortos são de áreas rurais ou cidades com menos de 100 mil habitantes, embora essas regiões concentrem 48% da população russa.

Então em Moscou, a taxa é de apenas cinco mortes a cada 10 mil homens. 

Já em regiões mais pobres, como Buryatia e Tuva, o índice é até 33 vezes maior.

Portanto o demógrafo Alexey Raksha explica que diferenças em renda, educação e oportunidades influenciam diretamente essa disparidade. 

Outro especialista russo reforça: “Para muitos, o fator determinante não é apenas a pobreza, mas a falta de perspectivas — a sensação de que não há nada a perder”. 

Sedanka enfrenta o inverno sem homens em idade ativa 

Além das estatísticas, a realidade cotidiana se impõe.

Sedanka já enfrentava dificuldades estruturais antes da guerra. 

Assim, a maioria das casas não possui água encanada, banheiro interno ou aquecimento central, mesmo com temperaturas que chegam a -10°C no inverno.

“Todos os nossos homens partiram para a operação militar especial”, afirmou um grupo de mulheres ao governador da região, em março de 2024.

“Não há ninguém para cortar lenha para o inverno e aquecer nossos fogões”, acrescentaram. 

Sem mão de obra, tarefas básicas se tornaram um desafio. Uma em cada cinco casas, construídas na era soviética, foi considerada insegura.

Assim, a única escola está em estado de emergência, com risco estrutural. 

Monumentos e promessas ainda não cumpridas 

No outono de 2024, foi inaugurado um monumento aos “participantes da operação militar especial”.

O governo regional também prometeu conceder o título de “vila de valor militar” e criar um programa de assistência às famílias. 

No entanto, grande parte dessas promessas ainda não foi cumprida.

Assim, apenas quatro casas tiveram os telhados reparados, e isso ocorreu após repercussão na imprensa. 

Enquanto isso, funerais como o de Vladimir Akeev, caçador e pescador morto quatro meses após assinar contrato com o Exército, tornaram-se rotina.

Guerra na Ucrânia deixa marcas profundas além do campo de batalha 

O caso de Sedanka mostra que os efeitos da Guerra na Ucrânia vão muito além das trincheiras.

Então eles atingem vilas isoladas, ampliam a desigualdade regional e impactam de forma desproporcional os povos indígenas. 

Mais do que números, as baixas russas representam comunidades inteiras fragilizadas.

Então em Sedanka, a ausência dos homens em idade ativa não é apenas estatística — é uma transformação silenciosa na estrutura social de uma vila que já vivia no limite. 

Veja mais em: Guerra Rússia-Ucrânia: a cidade russa que perdeu quase todos seus homens para o conflito – BBC News Brasil

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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