BioFirst conclui aquisição integral da Biotrop enquanto empresa brasileira amplia capacidade de produção de bactérias e fungos benéficos, com potencial declarado para atender lavouras em até 50 milhões de hectares.
O grupo belga BioFirst passou a controlar 100% da brasileira Biotrop, empresa especializada em soluções biológicas para a agricultura, após adquirir a participação minoritária de 14,71% que ainda estava nas mãos de outros acionistas.
A operação foi anunciada em 5 de outubro de 2026 e ocorre enquanto a companhia prepara uma expansão industrial capaz de produzir 23 milhões de litros de bactérias benéficas e 600 toneladas de fungos benéficos.
Segundo o grupo, esse volume pode atender lavouras em até 50 milhões de hectares no Brasil.
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A BioFirst já controlava a Biotrop desde 2023, quando adquiriu aproximadamente 85% das ações da companhia brasileira em uma transação baseada em valor empresarial de R$ 2,8 bilhões.
Naquele acordo, a parcela restante deveria ser adquirida após um período de transição, mas o grupo europeu antecipou o processo e concluiu a compra integral antes do prazo inicialmente previsto.
Com a aquisição da fatia final, a Biotrop passa a integrar de forma completa a estrutura da BioFirst, que pretende simplificar sua organização e acelerar a combinação de tecnologias de diferentes empresas do grupo.
Biotrop passa a ser 100% controlada pela BioFirst
A companhia brasileira atua principalmente com biopesticidas, bioestimulantes e inoculantes destinados a culturas extensivas e especiais de campo aberto.
Outras divisões da BioFirst trabalham com controle biológico por macro-organismos, polinização e soluções para horticultura.
O movimento ocorre em meio à expansão do mercado brasileiro de produtos biológicos, segmento no qual a Biotrop construiu uma estrutura industrial e de pesquisa voltada a grandes culturas, incluindo soja, milho e outras lavouras de escala comercial.
Segundo a própria empresa, seus produtos já foram utilizados em dezenas de milhões de hectares, e a expansão prevista para 2026 aumenta a capacidade de fabricação de microrganismos em escala industrial.
A principal novidade está na produção adicional de 23 milhões de litros de bactérias benéficas.
Esses microrganismos podem ser utilizados em diferentes tipos de produtos biológicos, incluindo inoculantes, biofertilizantes e soluções destinadas ao manejo de plantas e solo.
A mesma expansão prevê capacidade para fabricar 600 toneladas de fungos benéficos, outra categoria utilizada na agricultura biológica para funções que podem envolver promoção do desenvolvimento vegetal e controle biológico, dependendo da espécie e da formulação.
A BioFirst afirma que os volumes associados ao investimento mais recente da Biotrop são suficientes para alcançar até 50 milhões de hectares de áreas agrícolas no Brasil.
Esse número representa capacidade potencial de atendimento e não significa que toda essa área já esteja sendo tratada simultaneamente pelos novos produtos.

Produção de biológicos alcança escala de milhões de hectares
A escala projetada é significativa quando comparada à própria presença já alcançada pela empresa.
Em abril de 2025, a Biotrop informou que seus produtos haviam tratado o equivalente a 41 milhões de hectares somente em 2024.
Na mesma ocasião, declarou possuir três Centros Avançados de Multiplicação de Microrganismos e capacidade total instalada de aproximadamente 50 milhões de litros ou quilos de produtos.
A expansão de 2026, portanto, deve ser entendida como parte de uma estrutura industrial mais ampla, e não como a capacidade total da companhia limitada aos 23 milhões de litros citados no novo investimento.
A Biotrop mantém unidades produtivas no Brasil, incluindo instalações em Curitiba, no Paraná, e Jaguariúna, em São Paulo, além do centro de pesquisa BioOracle, localizado em Santo Antônio de Posse, também no interior paulista.
A empresa brasileira foi fundada em 2018 e cresceu apoiada na demanda do agronegócio por produtos biológicos destinados à nutrição, ao desenvolvimento das plantas e ao controle de problemas que anteriormente dependiam principalmente de soluções químicas convencionais.
Em sua estrutura de pesquisa, a companhia afirma realizar mais de 1.200 ensaios de campo e de pesquisa e desenvolvimento por safra, além de manter centenas de profissionais ligados diretamente ao atendimento técnico de produtores.
Aquisição começou em 2023 com negócio de R$ 2,8 bilhões
A aquisição pelo grupo europeu começou a tomar forma em 2023.
Naquele ano, a então Biobest, posteriormente reorganizada sob a marca BioFirst Group, concluiu a compra de aproximadamente 85% da Biotrop junto a acionistas que incluíam a gestora Aqua Capital e o fundo soberano de Singapura GIC.
A transação foi estruturada sobre um enterprise value de R$ 2,8 bilhões, equivalente a aproximadamente € 532 milhões pela conversão divulgada na época.
O acordo já previa a futura compra da parcela minoritária restante.
Em outubro de 2026, porém, a BioFirst informou que adquiriu antecipadamente os 14,71% ainda não controlados, incluindo participações detidas por acionistas como Aqua Capital e Zempar.
Segundo o grupo, a operação já estava integralmente provisionada e, por isso, não adiciona novos passivos relacionados à aquisição.
A conclusão da compra também altera a forma de integração das operações.
A BioFirst reúne atualmente quatro marcas principais: Biobest, BioWorks, Plant Products e Biotrop.
Enquanto a Biotrop concentra sua atuação em soluções microbianas para grandes culturas e agricultura de campo aberto, a Biobest trabalha com organismos benéficos, controle biológico e polinização, especialmente em sistemas de horticultura.
A estratégia do grupo é combinar essas tecnologias para oferecer uma plataforma mais ampla de manejo biológico, desde o solo até diferentes etapas do desenvolvimento das culturas.
Integração amplia alcance internacional da Biotrop
Esse processo já havia começado antes da aquisição integral.
A partir de janeiro de 2026, a Biotrop assumiu a gestão da divisão BioWorks, que atua com biopesticidas e bioestimulantes voltados principalmente à horticultura e possui operações nos Estados Unidos, África e União Europeia.
Na ocasião, a companhia informou que a BioWorks registrava faturamento anual de aproximadamente US$ 22 milhões, enquanto a integração buscava aproximar mercados de grandes culturas e horticultura dentro da mesma estrutura corporativa.
Para a Biotrop, o controle integral também abre espaço para expansão internacional.
O presidente da empresa, Jonas Hipólito, afirmou no anúncio da operação que a integração ao BioFirst aumenta as condições para levar as tecnologias desenvolvidas pela divisão brasileira a produtores de outros mercados.
O grupo europeu possui presença comercial e produtiva em diferentes regiões, incluindo Europa, América do Norte, América Latina, África, Ásia e Oceania.
A Biotrop, por sua vez, já mantém operações comerciais fora do Brasil, incluindo estruturas na Argentina e no Paraguai, além de atividades de pesquisa e expansão em outros países.
No Brasil, a estratégia continua concentrada no crescimento dos produtos biológicos aplicados em grandes áreas.
O portfólio da empresa inclui inoculantes, biofertilizantes, bioestimulantes e biopesticidas, categorias utilizadas em diferentes momentos do ciclo agrícola e que podem complementar sistemas convencionais de manejo.
Nova capacidade reforça produção de bactérias e fungos
A produção em grande escala de bactérias e fungos depende de estruturas industriais específicas, nas quais os microrganismos são multiplicados sob condições controladas antes de serem transformados em produtos comerciais.
A BioFirst destaca justamente essa capacidade de fermentação e multiplicação industrial como um dos ativos centrais da Biotrop no mercado brasileiro.
O avanço da empresa também foi acompanhado por investimentos anteriores.
Em 2023, a Biotrop informou ter destinado R$ 90 milhões à ampliação de sua estrutura fabril e previa outros R$ 30 milhões no ano seguinte, além de recursos direcionados à pesquisa, desenvolvimento e registros de novas tecnologias.
A aquisição integral não significa que a Biotrop deixará de operar com identidade própria.
A estrutura do BioFirst continua organizada em divisões especializadas, e a empresa brasileira permanece como a marca do grupo direcionada principalmente ao mercado de culturas extensivas e soluções microbianas.
O BioFirst mantém como objetivo estratégico ampliar sua posição no mercado mundial de soluções biológicas e chegar ao grupo das dez maiores empresas globais do setor agrícola até 2034.
No curto prazo, entretanto, o principal efeito concreto no Brasil está ligado à combinação entre controle societário integral e expansão produtiva.
A BioFirst agora detém 100% da Biotrop, enquanto a companhia brasileira avança com capacidade associada ao investimento de 2026 para produzir 23 milhões de litros de bactérias benéficas e 600 toneladas de fungos benéficos, com potencial declarado para atender até 50 milhões de hectares de lavouras brasileiras.

