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Cientistas colocam o planeta em alerta ao confirmar em 2025 que a calota da Groenlândia cruzou o ponto de não retorno, com derretimento irreversível já comprometendo ao menos 27 cm de elevação do nível do mar que nenhuma ação climática pode mais impedir

Escrito por Débora Araújo
Publicado em 23/04/2026 às 14:57
Atualizado em 23/04/2026 às 15:02
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Cientistas colocam o planeta em alerta ao confirmar em 2025 que a calota da Groenlândia cruzou o ponto de não retorno.
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Estudos indicam que a Groenlândia atingiu ponto crítico irreversível, acelerando o aumento do nível do mar e intensificando riscos globais, segundo análises recentes de pesquisadores do clima mundial.

Em março de 2025, pesquisas publicadas em periódicos científicos como Communications Earth & Environment e no Bulletin of the Atomic Scientists consolidaram uma das conclusões mais preocupantes da ciência climática recente: a calota de gelo da Groenlândia já ultrapassou um ponto crítico de estabilidade e entrou em um processo de perda que não pode mais ser totalmente revertido, mesmo que as emissões globais fossem interrompidas imediatamente.

Esse tipo de ponto é conhecido como “ponto de não retorno”, ou tipping point, um limiar a partir do qual o sistema passa a evoluir por conta própria, sem depender diretamente das condições que o levaram até ali.

O dado mais impactante apresentado pelos estudos é que o derretimento já em curso está associado a pelo menos 27 centímetros de elevação do nível do mar que agora são considerados inevitáveisIsso não é uma projeção distante, mas uma consequência já incorporada ao sistema climático, resultado do aquecimento acumulado ao longo das últimas décadas.

O que significa cruzar um ponto de não retorno no sistema climático da Terra

O conceito de ponto de não retorno não indica que todo o gelo desaparecerá imediatamente, mas sim que o processo de perda se torna autossustentável. Na prática, isso ocorre porque a calota de gelo passa a perder massa em um ritmo que não pode mais ser compensado por novas formações de gelo, mesmo em cenários de redução de temperatura.

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Esse desequilíbrio cria um sistema em que o derretimento continua mesmo sem novos aumentos significativos de temperatura, o que representa uma mudança estrutural no comportamento do gelo. No caso da Groenlândia, esse processo está ligado a fatores como:

  • Aumento da temperatura do ar
  • Aquecimento dos oceanos ao redor da ilha
  • Redução do albedo, ou seja, da capacidade do gelo de refletir luz solar

Esses fatores combinados criam um ciclo em que o gelo derrete, expõe superfícies mais escuras, absorve mais calor e acelera ainda mais o derretimento.

A Groenlândia já perdeu gelo em escala crescente nas últimas décadas

Dados científicos mostram que a perda de gelo da Groenlândia não é um fenômeno recente, mas um processo que vem se intensificando desde o final do século XX. Estudos indicam que o ritmo de derretimento da calota quadruplicou desde a década de 1990, refletindo o impacto direto do aumento da temperatura global.

Esse aumento não ocorre de forma linear. Em vez disso, ele apresenta períodos de aceleração, especialmente em anos com temperaturas mais altas e eventos climáticos extremos. O acúmulo dessas perdas ao longo do tempo é o que levou ao cruzamento do ponto de não retorno, segundo os estudos mais recentes.

Evidências geológicas mostram que a calota já desapareceu no passado

Um dos elementos mais relevantes para a compreensão do fenômeno vem da análise de amostras geológicas. Pesquisas com rochas coletadas na região do Prudhoe Dome, na Groenlândia, indicam que a calota de gelo já derreteu completamente em algum momento nos últimos 10 mil anos.

Essas evidências mostram que o sistema é sensível a mudanças climáticas e que o desaparecimento da calota não é apenas uma hipótese teórica, mas um evento que já ocorreu na história do planeta.

No entanto, a diferença atual está na velocidade do processo. O aquecimento contemporâneo ocorre em um ritmo muito mais rápido do que variações naturais passadas, o que aumenta o risco de impactos abruptos.

Por que 27 centímetros de elevação do nível do mar representam um impacto global relevante

A elevação do nível do mar não ocorre de forma uniforme em todo o planeta, mas mesmo aumentos aparentemente modestos podem ter consequências significativas. Uma elevação de 27 centímetros é suficiente para aumentar a frequência de inundações costeiras, afetar infraestruturas urbanas e comprometer áreas habitadas por milhões de pessoas. Regiões mais vulneráveis incluem:

  • Cidades costeiras densamente povoadas
  • Áreas de baixa altitude
  • Regiões com infraestrutura crítica próxima ao mar

Além disso, a elevação do nível do mar pode intensificar eventos como marés de tempestade, ampliando os danos causados por ciclones e outros fenômenos extremos.

O papel da Groenlândia no sistema climático global

A calota de gelo da Groenlândia é uma das maiores reservas de água doce do planeta e desempenha um papel importante no equilíbrio climático global. Além de contribuir para o nível do mar, ela influencia correntes oceânicas e padrões climáticos em diferentes regiões.

Alterações na Groenlândia podem impactar sistemas como a circulação do Atlântico Norte, que afeta o clima da Europa, América do Norte e outras partes do mundo. Isso significa que o derretimento da calota não é apenas uma questão regional, mas um fenômeno com implicações globais.

Por que interromper emissões não é suficiente para reverter o processo atual

Um dos pontos mais discutidos nos estudos de 2025 é a ideia de irreversibilidade. Isso não significa que ações climáticas deixaram de ser relevantes, mas sim que parte do dano já está incorporada ao sistema e continuará produzindo efeitos mesmo em cenários de mitigação.

A redução de emissões ainda pode limitar a magnitude total do derretimento, mas não eliminar completamente o processo já iniciado. Esse cenário reforça a importância de políticas climáticas mais rápidas e abrangentes, capazes de evitar que outros sistemas atinjam pontos de não retorno semelhantes.

O que está em jogo com a perda progressiva da calota da Groenlândia

A perda da calota de gelo da Groenlândia representa mais do que um indicador ambiental. Ela é um sinal de transformação estrutural no sistema climático da Terra.

A combinação de irreversibilidade, impacto global e aceleração do processo coloca o fenômeno entre os mais críticos já observados pela ciência climática moderna.

Além da elevação do nível do mar, há implicações para biodiversidade, economia, segurança alimentar e estabilidade de comunidades costeiras.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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