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Ele ficou escondido debaixo da terra por 150 milhões de anos e bastaram 14 vértebras para revelar um gigante de 25 metros e derrubar a certeza de que esse mega dinossauro jamais havia saído da América do Norte

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Escrito por Roberta Souza Publicado em 17/09/2026 às 18:37
Fósseis de 150 milhões de anos encontrados em Teruel formam o primeiro registro confirmado do gênero fora da América do Norte e mudam o mapa das migrações de dinossauros no Jurássico Superior
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Fósseis de 150 milhões de anos encontrados em Teruel formam o primeiro registro confirmado do gênero fora da América do Norte e mudam o mapa das migrações de dinossauros no Jurássico Superior

Desde que os primeiros ossos de Diplodocus foram encontrados nos Estados Unidos, no final do século XIX, todos os exemplares confirmados do gênero pareciam ligados à América do Norte. Agora, 14 vértebras da cauda e vários ossos em formato de V desenterrados em Teruel, na Espanha, revelaram que o gigante de pescoço longo também viveu na Europa há cerca de 150 milhões de anos, conforme matéria publicada pelo El País no dia 15 de setembro de 2026.

Os restos pertencem a um único animal que teria alcançado aproximadamente 25 metros de comprimento. Além disso, o conjunto representa um dos esqueletos de diplodocídeo mais completos já encontrados no continente europeu.

O estudo foi publicado no Journal of Vertebrate Paleontology por pesquisadores da Fundação Conjunto Paleontológico de Teruel-Dinópolis. Entretanto, a descoberta não significa que os cientistas tenham identificado uma nova espécie. Até o momento, as características permitem atribuir o exemplar ao gênero Diplodocus, mas não definir com segurança a qual espécie ele pertencia.

As vértebras apareceram em um sítio de Teruel e começaram a desmontar uma certeza mantida por gerações

Os fósseis vieram do sítio paleontológico La Tejería, localizado em El Castellar, na província espanhola de Teruel. A região já havia fornecido restos de diferentes dinossauros, porém ninguém esperava encontrar ali uma combinação anatômica tão característica do Diplodocus.

Os paleontólogos recuperaram 14 vértebras caudais excepcionalmente preservadas, além de arcos hemais, também chamados de chevrons. Esses ossos ficam na parte inferior da cauda e protegem vasos sanguíneos, ao mesmo tempo que servem como pontos de fixação para músculos.

O próprio nome Diplodocus faz referência a uma estrutura óssea semelhante a uma viga dupla observada nesses arcos. Por isso, embora os pesquisadores não tenham encontrado um esqueleto completo, a cauda preservou pistas anatômicas especialmente úteis para a identificação.

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A equipe comparou detalhes das vértebras com exemplares já conhecidos e realizou análises evolutivas. Conforme novos resultados apontavam para o mesmo grupo, os cientistas concluíram que o animal encontrado na Espanha pertencia ao gênero que, até então, só possuía registros confirmados na América do Norte.

O gigante tinha cerca de 25 metros, mas uma sequência de ossos da cauda foi suficiente para revelar sua identidade

O Diplodocus integrava o grupo dos saurópodes, dinossauros herbívoros quadrúpedes reconhecidos pelo pescoço longo, cabeça pequena e corpo sustentado por quatro pernas robustas. Entretanto, os diplodocídeos apresentavam uma característica ainda mais marcante, uma cauda extremamente comprida e afinada.

Segundo os pesquisadores, o exemplar espanhol teria dimensões semelhantes às de grandes parentes norte-americanos, como o Diplodocus hallorum. A estimativa de aproximadamente 25 metros coloca o animal entre os gigantes que habitaram a atual Espanha durante o Jurássico Superior.

Apesar do tamanho, esses dinossauros tinham uma construção corporal relativamente esguia quando comparados a outros saurópodes. O pescoço permitia alcançar uma ampla faixa de vegetação, enquanto a cauda funcionava como contrapeso e participava da movimentação do corpo.

Manter um animal dessa dimensão exigia grande quantidade de energia, mas o formato alongado ajudava a distribuir o peso. Ainda assim, apenas novos fósseis poderão revelar detalhes sobre a idade do indivíduo, seu desenvolvimento e a espécie exata à qual pertenceu.

A descoberta sugere que dinossauros atravessaram passagens temporárias quando o Atlântico ainda começava a separar continentes

O Diplodocus era conhecido principalmente pela Formação Morrison, conjunto de rochas do oeste dos Estados Unidos famoso pela abundância de dinossauros do final do Jurássico. Desde a descrição do gênero, em 1878, seus registros permaneceram concentrados nessa região.

O fóssil espanhol muda essa distribuição. Para os autores, o achado representa uma das evidências mais fortes de que animais terrestres circularam entre a América do Norte e a Europa quando o proto-Atlântico Norte ainda estava em formação.

Isso não significa que um Diplodocus tenha atravessado o oceano a nado. Há cerca de 150 milhões de anos, os continentes ocupavam posições diferentes e o Atlântico era muito mais estreito. Além disso, períodos de queda no nível do mar podem ter exposto pontes terrestres ou sequências de ilhas capazes de facilitar deslocamentos ao longo de várias gerações.

Portanto, os pesquisadores não afirmam que o indivíduo encontrado em Teruel nasceu na América e migrou até a Espanha. O que os ossos sugerem é uma dispersão do gênero entre massas continentais que ainda mantinham conexões temporárias.

Com o auxílio de análises anatômicas, modelos evolutivos e tecnologia aplicada à paleontologia, a equipe conseguiu transformar uma sequência de vértebras em evidência sobre movimentos ocorridos milhões de anos antes da configuração atual do planeta.

Teruel já guardava outros gigantes, mas o novo fóssil revela um ecossistema ainda mais diverso do que se imaginava

A região onde o exemplar apareceu também preserva fósseis de saurópodes, terópodes, estegossauros e ornitópodes. Essa variedade indica que o leste da Península Ibérica abrigava ecossistemas costeiros complexos no final do Jurássico.

Teruel já era conhecida por gigantes como Turiasaurus e Losillasaurus, saurópodes com características diferentes das encontradas nos diplodocídeos. Agora, a presença confirmada de Diplodocus acrescenta outra linhagem ao mosaico de grandes herbívoros que ocuparam a área.

Além disso, o fóssil reforça a importância da Península Ibérica para compreender a circulação de animais entre continentes. Restos do final do Jurássico e do início do Cretáceo aparecem principalmente na costa portuguesa, na costa das Astúrias e na Cordilheira Ibérica.

Os ossos estudados estão expostos na sala de dinossauros do Museu Aragonês de Paleontologia, em Dinópolis. Enquanto isso, novas escavações poderão encontrar outras partes do animal e esclarecer se a Espanha guardava uma espécie já conhecida ou uma forma ainda não descrita.

Se apenas 14 vértebras foram suficientes para mudar o mapa conhecido do Diplodocus, quantas certezas sobre os dinossauros ainda podem estar enterradas em lugares onde ninguém esperava encontrá-los?

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Roberta Souza

Autora no portal Click Petróleo e Gás desde 2019, responsável pela publicação de mais de 8.000 matérias que somam milhões de acessos, unindo técnica, clareza e engajamento para informar e conectar leitores. Engenheira de Petróleo e pós-graduada em Comissionamento de Unidades Industriais, também trago experiência prática e vivência no setor do agronegócio, o que amplia minha visão e versatilidade na produção de conteúdo especializado. Desenvolvo pautas, divulgo oportunidades de emprego e crio materiais publicitários direcionados para o público do setor. Para sugestões de pauta, divulgação de vagas ou propostas de publicidade, entre em contato pelo e-mail: santizatagpc@gmail.com. Não recebemos currículos

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