Estudo global baseado em dados do satélite Sentinel-1 analisou 40 grandes deltas fluviais entre 2014 e 2023 e identificou que, em 18 deles, a subsidência anual do solo supera a elevação média do nível do mar, ampliando riscos de inundações, perda territorial e intrusão salina em áreas densamente povoadas
Um estudo global baseado em dados de satélite revela que 18 dos 40 maiores deltas fluviais do mundo afundam a taxas anuais superiores à elevação média do nível global do mar, ampliando riscos de inundações, perda de terras e intrusão salina em regiões densamente povoadas.
Pesquisadores analisaram a subsidência do solo em 40 grandes deltas fluviais entre 2014 e 2023 e constataram que, em quase metade deles, o afundamento anual supera a elevação média global do nível do mar, estimada em cerca de 4 milímetros por ano.
O trabalho aponta a extração de água subterrânea como principal causa.
-
Pesquisa revela indícios de que o autismo pode representar várias condições diferentes em vez de um único transtorno, transformando estratégias médicas, acelerando avanços na neurociência e ampliando a precisão de intervenções para milhões de pessoas
-
Genes neandertais ainda vivem em você e podem influenciar a carga viral de infecções comuns, revela estudo genético sobre imunidade humana
-
Tecnologia utilizando saliva: Novo método baseado em biomarcadores presentes na saliva pode elevar os padrões de segurança no trânsito e no trabalho, ajudando a reconhecer sinais de fadiga e sonolência com potencial para prevenir acidentes antes que eles aconteçam
-
Primeira vacina criada por inteligência artificial é testada em humanos e abre nova era na medicina
Estudo global com dados do Sentinel-1 identifica subsidência generalizada
A pesquisa utilizou dados do satélite Sentinel-1 para medir variações na elevação do solo associadas à subsidência, deposição de sedimentos e erosão.
Os autores classificam o trabalho como a avaliação global mais abrangente e de alta resolução já realizada sobre o tema.
Segundo os resultados, todos os deltas analisados, com exceção do Delta do Rio Grande, apresentaram pontos onde o solo afunda mais rápido do que o nível global do mar sobe. Em 38 deltas, mais de 50% da área sofreu subsidência ao longo do período estudado.
Dezoito deltas superam a taxa global de elevação do nível do mar
Dos 40 deltas examinados, 18 registraram taxas médias anuais de subsidência superiores à taxa atual de elevação do nível do mar. Entre eles estão deltas de grande relevância global, como os do Nilo, Amazonas, Mississippi e Ganges-Brahmaputra.
Em 19 deltas, incluindo Mississippi, Nilo e Ganges-Brahmaputra, mais de 90% da área total apresentou subsidência. Esses números indicam que o afundamento do solo é um fator dominante na perda relativa de elevação nessas regiões.
Deltas mais afetados registram afundamento médio de 8 mm por ano
Os deltas mais impactados identificados no estudo foram o do Chao Phraya, na Tailândia, o do Brantas, na Indonésia, e o do Rio Amarelo, na China. Nessas áreas, as taxas médias de afundamento alcançaram cerca de 8 milímetros por ano.
Esse valor corresponde aproximadamente ao dobro da taxa média global de elevação do nível do mar. De acordo com os pesquisadores, isso acelera significativamente os riscos costeiros além do que projeções baseadas apenas em mudanças climáticas indicariam.
Extração de água subterrânea surge como principal causa antropogênica
A análise detalhada dos dados mostrou que a mudança no armazenamento de água subterrânea é o fator antropogênico mais influente na subsidência observada em escala global. A extração intensiva de água para consumo urbano, agrícola e industrial provoca compactação do solo.
O estudo aponta que, embora o bombeamento de água subterrânea já seja conhecido como causa local de subsidência, sua dominância consistente em escala global chamou atenção dos autores, mesmo quando comparada a outras pressões humanas relevantes.
Urbanização intensifica compactação do solo em grandes deltas
Além da extração de água, a expansão urbana contribui para o afundamento ao adicionar peso significativo sobre solos naturalmente compressíveis. Grandes concentrações populacionais exercem pressão física direta e aumentam a demanda por água subterrânea.
Os deltas fluviais abrigam entre 350 milhões e 500 milhões de pessoas em todo o mundo. Nessas regiões estão localizadas 10 das 34 megacidades do planeta, além de infraestrutura essencial como portos e sistemas de transporte.
Redução de sedimentos agrava perda de terras em deltas fluviais
Outra causa relevante de subsidência identificada é a diminuição da carga de sedimentos transportados pelos rios até o oceano. Barragens, diques e estratégias de controle fluvial alteram o equilíbrio natural entre deposição de sedimentos e elevação do nível do mar.
No Delta do Rio Mississippi, por exemplo, cerca de 5.000 quilômetros quadrados de terra foram perdidos desde 1932 devido aos efeitos combinados de barragens, diques e erosão. A redução do aporte sedimentar limita a capacidade natural do delta de compensar o afundamento.
Fardo duplo aumenta riscos de inundações e deslocamento populacional
Os autores descrevem a situação enfrentada pelos deltas como um “fardo duplo”, resultado da combinação entre elevação do nível do mar e subsidência do solo. Essa interação eleva o risco de inundações catastróficas e deslocamento de milhões de pessoas.
Segundo o estudo, existe uma discrepância significativa entre risco e capacidade de resposta. Os deltas que afundam mais rapidamente tendem a estar em regiões com menos recursos econômicos e institucionais para lidar com os impactos.
Subsdiência é vista como fenômeno potencialmente controlável
Apesar do cenário descrito, os pesquisadores destacam que os principais fatores de subsidência nos deltas têm origem humana, o que representa uma oportunidade de intervenção. A subsidência, segundo o estudo, geralmente é controlável.
Entre as medidas citadas estão a redução da extração de água subterrânea, o reabastecimento de aquíferos com água de inundação ou esgoto tratado, além de inundações controladas e desvios de sedimentos para aumentar a deposição natural.
Medidas integradas podem reduzir riscos a longo prazo
Os autores afirmam que restringir a construção de infraestrutura pesada em áreas mais propensas à subsidência pode ajudar a retardar o afundamento. Essas ações devem ser combinadas com políticas de proteção contra inundações e adaptação climática.
De acordo com o estudo, quando integradas, essas medidas têm potencial para reduzir significativamente os riscos a longo prazo enfrentados por algumas das regiões costeiras mais populosas e vulneráveis do mundo.

-
-
-
-
-
-
33 pessoas reagiram a isso.