Ataques de Israel e EUA ao Irã reacendem alerta nuclear. Entenda por que o processo de enriquecimento de urânio gera tanta preocupação e o que é enriquecimento de urânio
Em 13 de junho, Israel lançou uma série de bombardeios contra alvos militares e nucleares no Irã. A justificativa para os ataques veio logo após a divulgação de um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que levantou suspeitas sobre três locais de produção de urânio não declarados pelo governo iraniano.
O Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, o que significa que se comprometeu a não desenvolver armamentos desse tipo.
Já Israel nunca assinou o acordo, mas é amplamente reconhecido por possuir um arsenal nuclear. A ofensiva teve como foco centros de pesquisa e nomes estratégicos ligados ao programa nuclear iraniano.
-
Lã ficou tão barata que não pagava nem a tosquia, então criadores da Espanha buscaram outro negócio: transformar 160 quilos do material em guarda-sóis térmicos para piscina, criando uma saída curiosa para valorizar um produto rural que virou problema no campo
-
Navio brasileiro recebe 400 toneladas de combustível com 30% renovável em Roterdã: Transpetro testa B30 pela primeira vez na frota, mira emissões menores no transporte marítimo e mostra como petroleiros podem virar vitrine de uma transição silenciosa nos portos mais estratégicos do mundo
-
Fileiras de “bolas de pedra” aparecem só na maré baixa em praia da Califórnia, com concreções de até 1,5 metro alinhadas como se alguém tivesse montado uma pista de boliche no Pacífico
-
Homem faz gambiarra genial e transforma airfryer em caixa de som funcional com rádio, alto-falantes e usa botões de temperatura como controle de volume
Relatório da AIEA e a resposta do Irã
A informação de que o Irã poderia estar desenvolvendo armas nucleares rapidamente repercutiu no cenário internacional.
No entanto, pouco depois da divulgação do documento, o próprio diretor da AIEA, Rafael Grossi, afirmou que ainda não é possível confirmar se o país está de fato fabricando uma bomba.
O governo iraniano, por sua vez, negou qualquer intenção militar e declarou que o programa nuclear tem apenas fins civis, como geração de energia.
Mesmo com o esclarecimento parcial da AIEA, os ataques continuaram. No sábado, 21 de junho, os Estados Unidos entraram na ofensiva e atacaram três instalações nucleares no território iraniano. A escalada preocupou diplomatas e governos de várias partes do mundo.
Tentativa de cessar-fogo entre Israel e Irã
Diante do aumento da tensão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo entre os dois países.
Mas o cenário ainda é de instabilidade. Israel acusa o Irã de violar o acordo, e o Irã devolve a mesma crítica. Ambos seguem trocando acusações, e o clima é de desconfiança mútua.
Por trás do conflito, está o debate sobre a produção e o enriquecimento de urânio. Esse processo, embora essencial para fins civis, também pode ser usado para fabricar armas de destruição em massa.
O que é urânio enriquecido?
O urânio é um elemento químico que aparece naturalmente na Terra sob três formas: U-238, U-235 e U-234. Esses tipos são chamados de isótopos, ou seja, versões do mesmo elemento com massas diferentes.
O mais comum é o U-238, responsável por cerca de 99% de todo o urânio existente. Já o U-235, mais instável, representa cerca de 1%.
É justamente essa instabilidade do U-235 que o torna ideal para gerar energia. Por isso, os cientistas desenvolveram um processo chamado enriquecimento, que serve para aumentar artificialmente a presença desse isótopo no material.
Como é feito o enriquecimento
O primeiro passo é transformar o urânio em gás. Para isso, ele é misturado com flúor, formando o hexafluoreto de urânio.
Esse gás é colocado em uma centrífuga, que gira em alta velocidade. Durante o processo, o U-238, mais pesado, vai para as bordas, enquanto o U-235, mais leve, se concentra no centro.
Filtros com poros microscópicos ajudam a separar os dois isótopos. O resultado é um urânio mais “enriquecido”, com maior concentração de U-235, e outro “empobrecido”, com menos. Quanto mais U-235 no material, maior o nível de radiação que ele emite.
Para alcançar 3% de enriquecimento, o nível necessário para gerar energia elétrica em usinas nucleares, é preciso repetir esse processo cerca de 1.400 vezes.
É um trabalho lento e caro. Usos civis permitem até 20% de enriquecimento. Acima de 85%, já é possível criar armas nucleares.
Estoques iranianos e o alerta da ONU
Segundo a ONU, o Irã possui cerca de 400 quilos de urânio enriquecido a 60%. Isso ultrapassa, com folga, o limite recomendado para aplicações civis.
Se essa quantidade for levada até o nível de 90%, que é o necessário para armas, poderia render até nove bombas nucleares.
Monitoramento internacional e outros usos do urânio
A AIEA monitora de perto as instalações dos países signatários do tratado. O Brasil, por exemplo, aderiu ao acordo em 1998 e utiliza urânio enriquecido apenas para pesquisas e geração de energia, como nas usinas Angra 1 e Angra 2.
Já o urânio empobrecido, com pouco U-235, também pode ter utilidades. Ele é menos radioativo, mas ainda assim serve para blindagens e projéteis de alto impacto. Mesmo sem potencial para fissão, ainda pode causar estragos.
Conflito aberto e impasse diplomático
Apesar do anúncio de cessar-fogo feito pelos Estados Unidos, a crise entre Israel e Irã continua sem solução. A troca de acusações persiste, e a questão do enriquecimento de urânio segue no centro do impasse. A comunidade internacional observa com cautela os próximos passos de ambos os lados.
Com informações de Super Interessante.
