Hatch elétrico lançado em 2024 alcançou uma marca histórica de produção, enquanto a Geely se prepara para fabricar o modelo no Brasil por meio de sua parceria industrial com a Renault
A fabricante chinesa Geely anunciou nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026, que o EX2 atingiu a marca de 1 milhão de unidades produzidas mundialmente. O resultado foi alcançado aproximadamente dois anos após o lançamento do hatch elétrico, apresentado na China em outubro de 2024.
Comercializado no mercado chinês como Xingyuan, o veículo conquistou espaço entre os elétricos compactos e expandiu sua presença internacional. O novo marco industrial também ganha importância para o Brasil, onde sua fabricação está prevista para começar em dezembro.
De 200 mil a 1 milhão: produção acelerou em apenas dois anos
A trajetória industrial do Geely EX2 revela a velocidade de expansão do modelo. Em maio de 2025, a fabricante comemorou 200 mil unidades produzidas. Em março de 2026, o volume acumulado já havia alcançado 600 mil veículos.
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Cinco meses depois, em agosto, a produção ultrapassou 800 mil unidades. Agora, segundo informações publicadas pela AutoIndústria, o hatch chegou ao primeiro milhão, acrescentando aproximadamente 200 mil automóveis à contagem em apenas dois meses.
Geely EX2 liderou as vendas na China, mas mercado apresenta sinais de desaceleração

O desempenho comercial ajuda a explicar o crescimento da produção. Durante 2025, o EX2 registrou 465.775 unidades vendidas na China, tornando-se o automóvel mais comercializado do país naquele ano, considerando todos os segmentos.
Entretanto, os números de 2026 mostram uma mudança importante. Conforme levantamento do CnEVPost, foram vendidas 310.391 unidades entre janeiro e setembro, queda de 9,6% em comparação com o mesmo período de 2025.
Apesar da retração acumulada, setembro registrou 44.275 vendas, o melhor resultado mensal de 2026 até aquele momento. O desempenho demonstra que o modelo continua relevante em um mercado chinês marcado pela forte concorrência entre fabricantes de veículos elétricos.
Tecnologia, espaço interno e preço competitivo ajudam a explicar o sucesso
Desenvolvido sobre a plataforma GEA, o Geely EX2 utiliza motor elétrico traseiro e tração nas rodas posteriores. Na China, o modelo oferece diferentes configurações de potência e baterias, com autonomia anunciada de até 480 quilômetros pelo ciclo chinês CLTC.
No Brasil, o hatch é comercializado com motor de 116 cavalos, autonomia de até 289 quilômetros pelo padrão Inmetro e porta-malas traseiro de 375 litros.
A proposta combina dimensões compactas, espaço interno e tecnologia, características que ajudam a posicionar o EX2 como concorrente de outros elétricos urbanos, incluindo modelos da BYD.
Brasil já representa um mercado importante para o elétrico chinês
O EX2 chegou oficialmente ao mercado brasileiro em novembro de 2025. Desde então, conquistou espaço nas concessionárias e passou a disputar consumidores interessados em abandonar veículos a combustão.
Até setembro de 2026, aproximadamente 31,7 mil unidades haviam sido emplacadas no Brasil, incluindo cerca de 29,2 mil somente entre janeiro e setembro deste ano, conforme dados da Fenabrave divulgados pela AutoIndústria.
Produção brasileira começa em dezembro na fábrica da Renault, no Paraná

A próxima etapa da expansão será realizada em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O EX2 será fabricado no Complexo Ayrton Senna, estrutura industrial utilizada pela Renault e integrada à parceria com a Geely.
Em comunicado oficial publicado em setembro, as fabricantes confirmaram que o início da produção está previsto para dezembro de 2026.
O elétrico será o segundo modelo Geely produzido no complexo, depois do SUV híbrido plug-in EX5 EM-i, cuja fabricação começou em setembro. A comercialização do EX2 nacional está prevista para fevereiro de 2027.
Investimentos de R$ 5,8 bilhões ampliam a estratégia industrial brasileira
A operação faz parte de um ciclo de investimentos que soma R$ 5,8 bilhões até 2027, considerando R$ 3,8 bilhões anunciados anteriormente e outros R$ 2 bilhões comunicados em setembro.
Os recursos estão associados à modernização da unidade paranaense, à ampliação da capacidade industrial e à introdução de novos veículos eletrificados.
Para a Geely, a fabricação nacional representa uma oportunidade de ampliar sua presença regional e reduzir parte da dependência dos automóveis importados da China.
Fabricação nacional poderá diminuir a dependência das importações
Atualmente, o abastecimento brasileiro do EX2 depende de veículos importados, situação que expõe a operação a dificuldades logísticas e restrições na disponibilidade de unidades.
A produção no Paraná poderá reduzir essa dependência, embora ainda não exista garantia de queda nos preços ou eliminação imediata das filas de espera.
Depois de alcançar um milhão de carros produzidos em apenas dois anos, o desafio da Geely será transformar o sucesso internacional do EX2 em uma operação industrial consolidada no Brasil, fortalecendo sua participação em um mercado cada vez mais disputado pelos fabricantes de veículos elétricos.
