A G7 Log recebeu 61 caminhões VW Meteor para levar minério, coque, fertilizante e outras cargas a granel, num lote de 35 unidades 6×4 e 26 6×2 que chega com plano de manutenção de três anos e telemetria desenvolvida junto com a Volkswagen Caminhões e Ônibus.
A entrega foi divulgada pela Volkswagen Caminhões e Ônibus, a VWCO, e publicada pela revista Transporte Moderno na quinta-feira, 22 de outubro. O lote soma 61 caminhões extrapesados VW Meteor.
A compradora é a G7 Log Transportes, empresa especializada no transporte rodoviário de granéis sólidos e de carga seca. Ela atua em todo o país, mas a renovação mira as operações no Sudeste.
Para quem dirige para a transportadora, a troca significa caminhão novo na rotina pesada das minas, das siderúrgicas e das fábricas de fertilizante, com manutenção programada já contratada no pacote.
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Lote tem 35 caminhões 6×4 e 26 na configuração 6×2
Segundo a VWCO, a compra reúne 35 unidades na configuração 6×4, com dois eixos de tração, e 26 na versão 6×2. A divisão acompanha o tipo de carga e de estrada que cada operação enfrenta.
A montadora não divulgou as versões de motor nem o valor do negócio. As reportagens publicadas até agora também não informam em quais cidades os caminhões vão rodar primeiro.
O que está confirmado é o destino: os Meteor vão puxar implementos usados no transporte de granel pesado, um trabalho que exige chassi robusto e muita disponibilidade.

Minério, coque, clínquer e escória estão na lista de cargas
De acordo com a fabricante, os caminhões vão transportar minério, coque, fertilizantes, clínquer, gesso e escória, além de cargas secas em geral. São insumos que ligam mineradoras, usinas de aço, cimenteiras e o agronegócio.
O clínquer é a base do cimento, a escória sai dos altos-fornos das siderúrgicas e o coque alimenta a produção de aço. Cada tonelada dessas cargas passa por caçamba antes de chegar à fábrica ou ao porto.
Por isso parte da frota recebeu customizações de fábrica. Os caminhões foram preparados para trabalhar com caçamba de quarto eixo e rodocaçamba, conforme a necessidade de cada contrato.
Manutenção vem contratada por três anos ou 200 mil quilômetros
A negociação incluiu o plano de manutenção Volks|Prev, com cobertura de três anos ou 200 mil quilômetros, o que vencer primeiro. É a parte do contrato que mais pesa na conta de quem roda em operação severa.
Os veículos também saíram com um sistema de telemetria desenvolvido em conjunto pela transportadora e pela montadora, segundo o Blog do Caminhoneiro. O foco declarado é gestão de frota, consumo e segurança dos motoristas.
Na prática, a telemetria permite acompanhar à distância onde cada caminhão está, como está sendo conduzido e quando precisa parar na oficina, sem depender só do relato de quem está ao volante.
Diretor da G7 diz que a meta é cortar custo de manutenção
Thiago dos Santos Rodrigues, diretor da G7 Log Transportes, explicou o motivo da troca. “Com veículos mais modernos, nossa meta é reduzir expressivamente os custos de manutenção e assegurar uma disponibilidade ainda maior”, afirmou.
Ele ligou a renovação às demandas dos clientes da empresa no Sudeste. Para uma transportadora de granel, caminhão parado na oficina é contrato atrasado e carga esperando no pátio do cliente.
Do lado da montadora, Ricardo Alouche, vice-presidente de Vendas, Marketing e Pós-Vendas da VWCO, disse que a entrega dos 61 caminhões “reforça a confiança da G7” nos produtos e serviços da marca.
Transportadora tem 250 caminhões próprios e usa 1.500 de terceiros por mês
Fundada em 2011, a G7 Log tem hoje cerca de 250 caminhões próprios e trabalha com aproximadamente 1.500 veículos de terceiros por mês, segundo os dados divulgados pela VWCO.
Com esses números, o lote de 61 Meteor representa perto de um quarto da frota própria da transportadora.
Dá pra entender o tamanho da aposta: é uma renovação grande para uma empresa que, a cada mês, depende de seis caminhões de terceiros para cada caminhão que tem na garagem.
A empresa tem as certificações ISO 9001, SASSMAQ e ISO 39001, de acordo com o Blog do Caminhoneiro, que publicou a íntegra do comunicado com as falas dos dois executivos.
Relação com a Volkswagen começou com um único MAN TGX em 2014
A parceria entre as duas empresas começou em 2014, quando a transportadora comprou seu primeiro MAN TGX, caminhão vendido no Brasil pela própria VWCO. Desde então, a G7 vem incorporando caminhões da marca à frota.
A VWCO tem reforçado a linha de pesados nas últimas semanas. Às vésperas da Fenatran, a montadora apresentou o primeiro Constellation 8×4 de fábrica para betoneira e caçamba, voltado justamente à construção e à mineração.
A feira, maior vitrine de caminhões do país, acontece de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo, e costuma concentrar grandes encomendas de frotistas para o ano seguinte.
Compra acontece com juros altos e crédito mais difícil para renovar frota
A renovação da G7 vai na contramão de um setor cauteloso. Segundo o portal Mundo Logística, a Selic estava em 13,75% em setembro, e o Boletim Focus projeta 12% ao fim de 2027.
Thiago Pizzatto, vice-presidente do Setcepar, sindicato das transportadoras do Paraná, disse ao portal que os bancos fazem análises de crédito mais rigorosas e que os caminhões novos ficaram mais caros com a tecnologia Euro 6.
Ele também apontou fretes defasados diante dos custos e dificuldade de juntar caixa para a entrada de um caminhão zero. Na conta dele, manter um veículo velho rodando também custa, em manutenção e em tempo parado.
Montadoras esperam mercado estável de caminhões em 2027
Concorrentes da VWCO veem um mercado parado no mesmo patamar. A Mercedes-Benz estima, segundo a AutoData, de 102 mil a 103 mil caminhões acima de 7 toneladas em 2026, recuo de 3% a 5% sobre o ano passado.
A montadora alemã também projeta para a Fenatran negócios cerca de 10% menores que os de 2024, porque o programa Move Brasil antecipou compras que seriam feitas no segundo semestre.
Nesse cenário, uma encomenda de 61 caminhões de uma só transportadora chama atenção. Para quem vive de puxar granel no Sudeste, ela mostra que a troca de frota segue onde o contrato justifica.
Você acha que comprar caminhão novo com juros de 13,75% compensa para quem roda com minério e fertilizante todos os dias?
