Quem pega a balsa entre o Porto da Ceasa, em Manaus, e o Careiro da Várzea para seguir pela BR-319 atravessa hoje um canal com banco de areia, e o DNIT só prevê começar a dragagem na próxima semana, com o Rio Negro a 16,97 metros.
O banco de areia foi avaliado numa inspeção conjunta da Antaq e do DNIT na terça-feira (20). A vistoria percorreu o trecho entre o Porto da Ceasa e o Careiro da Várzea.
Segundo a nota da Antaq, a formação de areia no canal de navegação altera as condições de passagem das embarcações e pode exigir dragagem para manter a rota.

DNIT promete draga de sucção já na próxima semana.
Depois da avaliação técnica, o DNIT informou que prevê iniciar os serviços de dragagem no trecho já na próxima semana. A data exata não foi divulgada.
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O trabalho será feito com uma draga de sucção e recalque, segundo o órgão. A ideia é adequar a navegabilidade e dar segurança às embarcações que fazem a travessia.
Representantes da empresa responsável pela futura dragagem do canal também acompanharam a visita, de acordo com a Antaq.
As rampas de embarque também podem precisar de obra.
A comitiva olhou ainda as rampas de embarque e desembarque. Com o recuo das águas na estiagem, elas podem precisar de adequações para que os veículos continuem subindo nas balsas.
Tanto a dragagem quanto as obras nas rampas ficam sob responsabilidade do DNIT, segundo a nota da agência reguladora.
Para quem depende da travessia, as duas pontas importam: um canal raso atrasa a balsa, e uma rampa fora do nível da água complica o embarque de carros e caminhões.
A travessia fica no corredor da BR-319.
A ligação Manaus–Careiro da Várzea está no corredor da BR-319, a rodovia que liga Manaus a Porto Velho, em Rondônia. Qualquer problema no canal pesa sobre quem segue viagem por terra.
O serviço é operado pelo Consórcio Rio Negro SPE, selecionado pela Chamada Pública nº 01/2026 da Antaq para transportar veículos e passageiros. A operação foi acompanhada durante a visita.
Diretores da Antaq e do DNIT foram pessoalmente ao canal.
O diretor-geral da Antaq, Frederico Dias, acompanhou a ligação ao lado do diretor de Infraestrutura Aquaviária do DNIT, Edme Tavares de Albuquerque Filho.
“Estamos acompanhando os problemas que a seca tem trazido para as travessias e buscando nos antecipar a situações que possam comprometer a prestação dos serviços”, afirmou Dias.
Segundo ele, o DNIT participou das visitas a pedido da agência. Também estiveram o coordenador de Engenharia Aquaviária do DNIT, Luciano Moreira de Sousa Filho, e técnicos da Antaq em Manaus.
Rio Negro marcou 16,97 metros na quarta-feira.
O Rio Negro já apresenta restrições para a navegação. A última medição, na quarta-feira (21), registrou 16,97 metros em Manaus, segundo a Agência iNFRA.
Mesmo assim, Frederico Dias disse que a situação está bem menos severa que a de 2023, quando o rio chegou a 12,9 metros. Hoje o nível está 4,07 metros acima daquela marca.

A descida caiu de 13 para 7 centímetros por dia.
Outro sinal citado pelo diretor-geral é a desaceleração da vazante. “Duas semanas atrás o rio estava baixando 13 centímetros ao dia, já caiu para 7 centímetros ao dia“, afirmou na quinta-feira (22).
Pelas projeções da Antaq, no cenário mediano, a navegabilidade começa a se recuperar a partir da quarta semana de novembro. Até lá, a travessia segue dependendo de intervenção.
Em outro trecho, entre Manaus e Itacoatiara, a dragagem feita pelo DNIT deu ganho de 1,2 metro de profundidade no passo crítico, segundo Dias.
A seca também levou a cobrança da taxa ao consumidor.
A estiagem pesa no bolso de quem compra em Manaus. Em setembro, mostramos que a sobretaxa da seca entra quando o Rio Negro cai aos 17,7 metros.
Segundo Frederico Dias, a Antaq já concluiu a análise de todos os avisos de cobrança apresentados até agora, com homologações condicionadas e também negativas.
Antaq também vistoriou a travessia de Igapó-Açu.
No mesmo dia, outra equipe técnica da agência esteve na travessia de Igapó-Açu, também na BR-319. As duas visitas foram feitas ao mesmo tempo.
De acordo com a Antaq, as vistorias dão sequência ao trabalho de fiscalização das últimas semanas, quando já tinham sido identificadas dificuldades de navegação nos trechos.
Dá pra entender a pressa: para quem sai de Manaus por terra, a balsa é o primeiro trecho da viagem, e a draga ainda não tem dia exato para começar.
Você que depende da balsa para o Careiro da Várzea já sentiu a travessia mais lenta nesta seca?
