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Fruticultor de Erechim resgata frutas esquecidas, enfrenta frio, falta de assistência e mercado pressionado, e transforma diversidade em renda o ano inteiro

Escrito por Geovane Souza
Publicado em 25/02/2026 às 10:08
Assista o vídeoFruticultor de Erechim resgata frutas esquecidas, enfrenta frio, falta de assistência e mercado pressionado, e transforma diversidade em renda o ano inteiro
Diversificação, marmelo, figo, framboesa e mirtilo garantem renda e preservam variedades em Erechim, RS, com venda direta e manejo criterioso.
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Em uma propriedade de 12 hectares no bairro Pessim, em Erechim, um fruticultor mantém vivo o cultivo de frutas nativas e variedades antigas, unindo saber de família, manejo paciente e venda direta.

No interior de Erechim, no norte do Rio Grande do Sul, Luciano Corto transformou um pomar em laboratório vivo de fruticultura diversificada. Em cerca de 5 a 6 hectares dedicados às frutas, cultiva de tudo um pouco, das nativas como butiá, goiaba serrana e araçá às antigas como marmelo e figo. O restante da área serve para manejo e preservação.

O sistema é simples no visual, mas sofisticado no manejo. A roçada ocorre em períodos-chave, próximo à poda e à colheita, reduzindo custo e formando uma camada de matéria orgânica no solo. Para quem olha de longe, parece capim alto; para quem conhece, é um mosaico produtivo com milhares de frutíferas em diferentes idades e portes.

Com 5 a 6 mil plantas, Corte organiza o ano para colher quase sempre. A safra abre em outubro com amora-preta e framboesa, passa por pêssego e ameixa, e avança com mirtilo, figo e marmelo do verão ao outono. A diversificação dilui riscos climáticos e de preço e evita picos de trabalho que exigiriam muita mão de obra.

Entre as fileiras, ele mantém abelhas para polinização e guarda estacas de variedades raras para multiplicar. Não se trata de agrofloresta, mas de pomar conduzido com foco em manejo, preservação genética e mercado de nicho, abastecido por uma tenda à beira da estrada e clientes da região.

Variedades antigas e frutas nativas sustentam renda, garantem oferta contínua e preservam genética

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Em vez de apostar tudo em uma única cultura, o produtor distribui o risco entre frutas nativas e variedades antigas de figo, marmelo e outras espécies. Ele resgata estacas em sítios vizinhos, produz as próprias mudas e devolve ao pomar cultivares que o comércio abandonou por questões de logística e padronização.

Além da preservação, a estratégia ajuda no mercado local. Quem compra direto busca sabor, história e diversidade, e paga melhor por framboesa, mirtilo e processados artesanais quando a oferta é curta.

Marmelo exige frio e manejo o ano todo, resgate de cultivares amplia calibre e sabor e evita perdas

O marmelo é o orgulho e o desafio. Exigente em frio e em água, produz melhor em altitude no Sul do Brasil. De acordo com a Embrapa Clima Temperado, o marmeleiro demanda horas de frio no inverno para quebrar dormência e florescer com regularidade em regiões acima de 600 m, o que converge com a experiência de produtores na Serra Gaúcha.

Para funcionar, o manejo é contínuo. No inverno, Corte aplica calda sulfocálcica para higienizar cascas e conter doenças como entomosporiose, conhecida também na maçã, que no marmelo pode ser devastadora. A poda reduz a quebra por vento e concentra a frutificação em ramos mais firmes.

A polinização cruzada entre diferentes tipos de marmelo melhora produtividade e calibre. No sítio, convivem o marmelo-maçã e o marmelo imperial, este último rende frutos muito grandes, às vezes perto de 1 kg, embora mais ácidos. A diversidade genética compensa falhas e alonga a janela de colheita.

Como parte da fruta é atacada por mosca-das-frutas e mariposa-oriental, o produtor recorre a insumos químicos de forma criteriosa na fase de crescimento, trocando para repelentes como o óleo de nim na aproximação da maturação. Segundo o Senar/RS, essa transição reduz resíduos e preserva polinizadores quando bem planejada e respeitada a carência.

No preço, o marmelo in natura sai a cerca de R$ 10 o quilo, e parte vai para marmelada, geleia, compota e chá, usos tradicionais que ajudam a girar estoque e valorizar a safra.

Figo, framboesa e mirtilo, escolha das variedades e polinizadores certos garante produção no frio

No figo, ele mantém um banco vivo de cultivares como São Pedro, Gota de Mel e roxo de Valinhos, cada qual com produtividade e tolerância ao frio diferentes. Em invernos rigorosos, variedades menos rústicas sofrem, por isso a aposta é em diversificar para sempre ter safra.

A framboesa tem duas colheitas ao ano, na primavera e no outono. É trabalhosa, mas paga bem no varejo, com potes de 100 g vendidos por R$ 10 a R$ 15 na ponta da safra. Já o mirtilo é minucioso na colheita e sensível a fungos e ao pH do solo, o que explica preços em torno de R$ 70 a R$ 80 o quilo no congelado local.

Para o mirtilo, abelhas nativas e mamangavas são chave. De acordo com pesquisas divulgadas pela Embrapa, a polinização por abelhas de maior porte melhora o vingamento do mirtilo, já que a abelha europeia visita menos suas flores. Preservar esses polinizadores é vital para a agricultura familiar.

Venda direta e diversificação protegem da pressão de preços e da dependência do atacado

Em vez de ficar preso a um atacadista e enfrentar leilão de preços, o produtor prioriza a venda direta na tenda da estrada e para consumidores da cidade. Assim, agrega valor nas frutas miúdas e processados, e não precisa escalar volume além da demanda local.

Quando a oferta regional explode, como no pêssego em safras cheias, quem depende de atravessador sofre para escoar. Com o leque de frutas, Corte evita o “tudo ou nada” e mantém renda distribuída ao longo do ano.

Calendário de colheita, manejo do solo e insumos na medida certa equilibram o sistema

A agenda anual é afinada com o clima de altitude do Alto Uruguai. Outubro abre com amora e framboesa; no verão entram pêssego, ameixa, mirtilo e figo; o marmelo ocupa o fim do verão e outono; cítricos e nativas ajudam a preencher lacunas.

O solo raso e pedregoso pede paciência com o enraizamento, e a roçada pontual forma um “tapete” de palhada que conserva umidade e nutre o terreno. Em áreas mais secas ou expostas à geada, ele protege com árvores e testa espécies como pitaia e palma, que toleram adversidades.

Nem tudo é 100% orgânico. Amoras, framboesas, mirtilos e figos tendem a ir bem com manejo biológico; já frutas de caroço exigem tratamentos na fase de formação do fruto. Segundo a Emater/RS-Ascar, a chave é ajustar o manejo integrado para reduzir impactos e preservar polinizadores.

Com mão de obra escassa, o produtor calibra área e escala para não perder fruta no pé. A diversificação não apenas espalha riscos, como também distribui o trabalho em janelas mais curtas e manejáveis.

O que você pensa sobre a estratégia de diversificar e vender direto no campo gaúcho? Em regiões com atacado forte, faz sentido abrir mão de escala para priorizar valor agregado? Comente e traga sua experiência, especialmente se você já cultivou marmelo, framboesa ou mirtilo. O debate sobre preço justo, polinização e preservação de variedades antigas merece ganhar voz.

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Denise Borba
Denise Borba
27/02/2026 06:41

Acho muito validou esse tipo de produção, já que quem se beneficia somos nós aqui do sul.

Antônio Robermarques Pereira de Sá
Antônio Robermarques Pereira de Sá
25/02/2026 17:02

Como fazer para adquirir mudas destas plantas.(meu watzap 87-981783162)

Ana
Ana
Em resposta a  Antônio Robermarques Pereira de Sá
27/02/2026 05:45

Escreva para o Globo Rura, Embrapa, pesquise no Google.

Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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