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Aos 93 anos, Francisco Lima mora sozinho em Goiânia, corre na esteira duas vezes por semana, terminou a Maratona de Uberaba em 5 horas 34 minutos e 52 segundos e agora precisa de mais 26 provas para chegar a 200 competições antes de completar 94

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Escrito por Jefferson Augusto Publicado em 04/09/2026 às 14:40 Atualizado em 04/09/2026 às 14:50
Corredor idoso de cabelo branco e faixa vermelha na testa corre sozinho no meio de uma avenida fechada para prova de rua
Corredor idoso durante prova de rua em avenida fechada. Imagem ilustrativa gerada por IA.
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A meta dele tem data marcada no calendário: maio de 2027, o mês do próprio aniversário.

Tem gente que aos 93 anos conta os anos. Francisco Lima conta provas. Morador de Goiânia, onde vive sozinho, ele mantém uma rotina de treino, viagem e competição de longa distância que não combina com nenhuma expectativa associada à idade dele, conforme reportagem do Tribuna do Planalto, que retomou a história publicada pela Folha de S.Paulo.

A meta que ele persegue agora é um número redondo com data marcada. Francisco quer chegar a 200 competições até maio de 2027, mês em que completa 94 anos, segundo a mesma reportagem. Faltam 26 corridas.

A prova que ele correu no dia 9

O resultado mais recente é o que dá a escala do que ele ainda consegue fazer. No dia 9, Francisco concluiu a Maratona de Uberaba em 5 horas, 34 minutos e 52 segundos, conforme o Tribuna do Planalto. São 42,195 quilômetros, a distância oficial da prova.

Esse tempo não é o de um passeio. Significa manter movimento contínuo por mais de cinco horas e meia, com hidratação, ritmo e gestão de esforço, numa idade em que a maioria das pessoas já não corre distância nenhuma.

O que falta para os 200

Pela conta apresentada na reportagem, ele soma hoje 174 competições, já que faltam 26 para as 200. Em pouco menos de dois anos, portanto, ele precisa manter uma média superior a uma prova por mês.

É um calendário apertado para qualquer corredor amador, de qualquer idade, e a agenda que ele mesmo descreveu à reportagem confirma o ritmo. Cada prova envolve inscrição, deslocamento, hospedagem e recuperação, e nenhuma dessas etapas fica mais fácil aos 93. Caso parecido, já noticiado, é o do idoso de 80 anos que encarou 217 quilômetros sob 48 graus e virou o mais velho a concluir uma das provas mais duras do mundo.

Como treina alguém que corre nessa idade

A preparação acontece durante a semana e é mais simples do que se imagina. Francisco contou à Folha que corre na esteira duas vezes e reserva outros dois dias para treinos de velocidade, segundo o relato reproduzido pelo Tribuna do Planalto.

São quatro sessões semanais, com divisão clara entre volume e intensidade, conforme o que ele relatou. É a mesma lógica de periodização que orienta corredores muito mais jovens, aplicada a um corpo que já passou dos noventa, como no caso já noticiado do ultramaratonista de 82 anos cuja capacidade aeróbica surpreendeu os pesquisadores que o avaliaram.

A frase que ele usa para explicar o próprio ritmo

Perguntado sobre a própria velocidade, ele resolve a questão com humor. “Só tem dois no mundo que correm assim, eu e eu”, disse Francisco, conforme registrou o Tribuna do Planalto.

A brincadeira tem um fundo estatístico. Na faixa etária dele, a comparação praticamente não existe, porque quase ninguém chega ali ainda competindo.

O calendário até maio de 2027

A agenda já tem compromissos prováveis. Em setembro, ele pretende disputar provas no ABC Paulista e em São José dos Campos, ambas no estado de São Paulo, de acordo com a reportagem.

Para novembro, considera participar das maratonas de Brasília e de Curitiba, além de uma competição no Maranhão, ainda segundo o mesmo texto. São quatro estados diferentes em três meses.

Ele mora sozinho, e isso faz parte da história

Francisco vive sozinho em Goiânia, o que significa que a rotina de treino, alimentação e viagem é organizada por ele mesmo, conforme o Tribuna do Planalto. Não há um cuidador administrando o calendário nem alguém dirigindo até as provas por ele.

O contato com os filhos continua, especialmente quando ele viaja a São Paulo para a tradicional Corrida Internacional de São Silvestre, ainda segundo a reportagem. A prova de 31 de dezembro virou ponto de encontro da família.

Os 13 filhos e a promessa dos 15 netos

Pai de 13 filhos, ele afirma estar procurando uma namorada mais jovem, e a justificativa que dá é uma promessa antiga: teria prometido ao próprio pai que lhe daria 15 netos, conforme o Tribuna do Planalto.

O detalhe é o tipo de coisa que costuma sumir das reportagens sobre longevidade, que preferem falar de dieta e suplemento. Aqui ele aparece do jeito que o entrevistado contou.

O médico que ele cita e os exames que faz

Francisco costuma dizer que “Jesus Cristo é meu médico”, segundo a mesma reportagem. Mas a frase não substitui acompanhamento: ele também procura profissionais de saúde periodicamente para verificar as condições física, cardíaca e arterial.

Essa combinação é o que sustenta a permanência dele nas provas. Corrida de rua exige atestado médico na inscrição, e a avaliação cardiológica é justamente o filtro que decide quem larga. Para quem não passa nesse filtro, existem alternativas de baixo impacto, como o exercício de dez minutos divulgado por pesquisadores da NASA, pensado para poupar o joelho.

Quantas pessoas com 90 anos ou mais correm no Brasil

O grupo em que ele está é pequeno, mas cresce. Dados fornecidos pela Ticket Sports à coluna da Folha mostram que 69 pessoas com 90 anos ou mais se inscreveram em provas comercializadas pela plataforma em 2023, número que passou para 134 em 2024 e chegou a 148 em 2025, conforme o levantamento citado pelo Tribuna do Planalto.

São mais que o dobro em dois anos, ainda segundo os mesmos dados. O crescimento é rápido em proporção, mesmo partindo de uma base minúscula.

O que 0,12% significa na prática

A outra ponta do dado mostra o tamanho real do fenômeno. Os participantes com mais de 80 anos representam apenas 0,12% dos corredores cadastrados na empresa, segundo a Ticket Sports.

Ou seja, segundo o mesmo levantamento da Ticket Sports, a cada mil corredores inscritos pouco mais de um passou dos 80. Francisco está numa faixa ainda mais estreita dentro dessa fatia.

Por que esse público repercute tanto

Segundo o CEO da Ticket Sports, Daniel Krutman, esse público gera grande repercussão por associar a prática esportiva à longevidade e costuma produzir alguns dos depoimentos mais marcantes das competições, conforme a reportagem.

É o mesmo efeito que faz uma prova de rua render mais manchete por um corredor de noventa e poucos anos do que pelo vencedor da elite. O depoimento vale mais do que o tempo no cronômetro.

O corpo de quem corre depois dos 80

O que acontece fisiologicamente com atletas dessa faixa é objeto de estudo há anos, e a literatura mostra que a capacidade aeróbica cai bem mais devagar em quem nunca parou de treinar. A perda existe, mas não é a queda vertical que o senso comum imagina.

A corrida não é o único caminho para manter condicionamento na terceira idade, e nem sempre é o mais indicado, conforme a orientação usual de profissionais de educação física. Caminhada, hidroginástica e treino de força cumprem parte da função sem a carga repetida sobre as articulações.

O documentário sobre a rotina dele

Outros detalhes da vida de Francisco, incluindo a alimentação que ele adota, aparecem no minidocumentário “Na Trilha da Vida”, produzido pela Tupi Filmes, segundo o Tribuna do Planalto.

É de lá que sai a parte da história que uma reportagem escrita não alcança: o ritmo da rotina diária, a casa, o percurso do treino.

O que a São Silvestre representa nessa conta

Entre as provas do calendário dele, uma tem peso próprio. A Corrida Internacional de São Silvestre, disputada em 31 de dezembro nas ruas de São Paulo, é a que leva Francisco a viajar e a reencontrar os filhos, conforme o Tribuna do Planalto.

É também a prova de rua mais tradicional do país, disputada pelo centro da capital paulista. Para quem persegue um número de competições, ela funciona ao mesmo tempo como mais uma marca na conta e como compromisso de família.

O número que ele persegue

Enquanto outros atletas idosos também acumulam centenas de provas de longa distância, Francisco mantém o foco num alvo específico, conforme a reportagem. Antes de completar 94 anos, ele quer cruzar outras 26 linhas de chegada.

A 200ª competição, se vier, cai em algum ponto até maio de 2027. Segundo a agenda que ele informou à reportagem, até lá são ABC Paulista e São José dos Campos em setembro, e Brasília, Curitiba e Maranhão no fim do ano.

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