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Fraldas e absorventes saem de “lixo impossível” e entram na rota industrial: planta europeia processa 70 mil toneladas por ano, separa polímeros e superabsorventes contaminados, recupera fibras e plásticos e testa a economia circular em escala real

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 15/02/2026 às 23:28
Atualizado em 15/02/2026 às 23:52
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Planta europeia transforma fraldas descartáveis em matéria-prima industrial ao testar reciclagem em larga escala, com separação de fibras e plásticos e desafios logísticos que envolvem coleta, sanitização e mercado para materiais recuperados.

Uma planta de demonstração na Europa foi projetada para receber 70 mil toneladas por ano de fraldas descartáveis e produtos de incontinência, separar materiais como fibras e plásticos e tentar transformar um resíduo historicamente destinado a aterro ou incineração em insumos industriais.

No lixo urbano, fraldas e absorventes costumam desaparecer em sacos misturados com restos orgânicos e embalagens, mas o volume e a umidade desse descarte transformam o tema em problema de infraestrutura quando a indústria tenta tratá-lo como matéria-prima.

A barreira central é dupla e acontece ao mesmo tempo: separar camadas diferentes de polímeros e fibras com qualidade industrial, enquanto o processamento precisa limitar riscos sanitários e ambientais ligados à presença de fluidos e matéria orgânica.

Capacidade industrial e escala de 70 mil toneladas por ano

No programa LIFE da União Europeia, um projeto antigo sobre reciclagem de fraldas e materiais de incontinência relata que a planta de demonstração, instalada em Arnhem, na Holanda, foi concebida com capacidade de 70 mil toneladas anuais após análises indicarem que uma escala menor não se sustentaria.

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Esse mesmo registro descreve a composição típica do fluxo tratado como majoritariamente úmido, com percentuais aproximados de água, fibra de madeira, plástico e uma fração menor de polímero superabsorvente, além de contaminantes, o que ajuda a explicar por que a triagem doméstica não resolve sozinha.

Ao levar esse material para uma linha industrial, o projeto informa que recuperava grande parte das fibras e a totalidade do plástico, com a água direcionada a tratamento biológico no próprio sítio, numa tentativa de fechar o ciclo operacional.

Ainda assim, o relatório aponta que parte do fluxo não era recuperada e que havia pesquisa em andamento para recuperar também o superabsorvente, mostrando que “reciclar” esse resíduo pode significar recuperar frações específicas, não necessariamente tudo.

Coleta seletiva e desafios sanitários na reciclagem de absorventes

Uma planta desse porte depende de fornecimento contínuo, o que exige acordos com municípios, operadores e geradores institucionais, além de regras claras para armazenar e transportar um resíduo pesado, úmido e sensível para trabalhadores e vizinhança.

Na prática, o material chega com variação de marcas, tamanhos e composições, e ainda carrega diferentes graus de contaminação conforme a origem, o que aumenta a pressão por padronização do que entra na fábrica para garantir previsibilidade do que sai.

Associações do setor têm insistido que a dificuldade não está só na máquina, mas no sistema, porque a coleta seletiva de resíduos absorventes envolve percepção pública, higiene e custo, e isso costuma travar projetos antes mesmo de eles chegarem ao “chão de fábrica”.

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Em um relatório de 2023 encomendado pela EDANA, a consultoria Ramboll estima que resíduos de produtos absorventes de higiene representem cerca de 7,4% do lixo urbano na Europa e que a reciclagem ainda seja residual, com apenas até 0,2% tratado de forma sustentável.

Mercado para fibras e plásticos reciclados

A passagem de “lixo” para “matéria-prima” ocorre quando fibras e plásticos recuperados atendem a especificações, documentação e regularidade, porque compradores não compram narrativa ambiental, e sim um material com características repetíveis, rastreável e com destino industrial definido.

O projeto do LIFE descreve que a fibra recuperada era comercializada para a indústria de papel, enquanto a fração plástica, composta por tipos comuns como LDPE e PP, buscava aplicações como produtos plásticos, indicando que o valor do processo depende tanto da saída quanto da entrada.

Quando esse mercado não se consolida, o risco econômico aparece rápido, e a própria EDANA registra que várias iniciativas mapeadas globalmente foram descontinuadas, em parte por limitações de maturidade técnica, dados econômicos insuficientes e desafios com tratamento de efluentes.

Também por isso, empresas e consórcios que defendem a rota industrial tendem a enfatizar processos fechados e etapas de sanitização, já que a aceitação do material recuperado passa por padrões ambientais e de saúde, além de licenças, fiscalização e segurança do trabalho.

Novas plantas e o teste da economia circular em escala real

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Em julho de 2025, a cidade de Treviso, na Itália, inaugurou uma planta de demonstração ligada ao projeto EMBRACED, financiado pelo Circular Bio-based Europe, com a proposta de transformar fraldas usadas e outros absorventes em matérias-primas secundárias.

Segundo o comunicado do programa europeu, o projeto afirmou ter demonstrado a recuperação de celulose e plásticos ao fim dos trabalhos em 2022, e a tecnologia escalada declara cumprir padrões ambientais e de saúde com esterilização a vapor certificada.

Esse tipo de anúncio ajuda a deslocar a pauta da curiosidade para a governança industrial, porque a replicação em outras cidades depende de contratos de coleta, estabilidade regulatória e uma engenharia de operação capaz de lidar com odor, armazenamento e risco biológico sem improviso.

Ao mesmo tempo, o setor reconhece que não existe “solução perfeita” disponível para reciclar resíduos absorventes em curto prazo com sucesso técnico e econômico garantido, o que mantém a discussão aberta entre reciclagem, energia e descarte.

Se o desafio envolve tecnologia, coleta e mercado ao mesmo tempo, o que costuma falhar primeiro no lugar onde você vive: a organização para recolher esse resíduo separado, a capacidade de processá-lo com segurança, ou a falta de compradores para o material recuperado?

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Cristina
Cristina
17/02/2026 19:17

O passado nos mostra que e possível usar outros materiais no lugar de fraldas descartáveis e quanto ao uso de absorventes existem hoje tecnologias e produtos ecológicos, basta quererem utiliza Los .

TheFuture
TheFuture
17/02/2026 15:05

Ao invés de eliminar o plástico de uma vez por todas da humanidade, estão querendo fazer as pessoas usarem mais lixos. É um absurdo como a ganância cresce em um ritmo acelerado, deixando a ética de lado e destruindo a população e a natureza. É lamentável.

Jorge Gomes
Jorge Gomes
16/02/2026 18:00

É possível que aumentamos este poderio na reciclagem de fraldas, começando a fazer com que as fabricantes as recebam para o tratamento devido.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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