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Garrafas PET viram solução acústica para tetos e paredes: painel brasileiro usa o equivalente a 70 garrafas recicladas por m², dispensa adesivos na fabricação e transforma superfícies em tratamento acústico

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 10/09/2026 às 16:10 Atualizado em 10/09/2026 às 16:30
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Painel de feltro PET usa o equivalente a 70 garrafas recicladas por m², dispensa adesivos na fabricação e transforma tetos em tratamento acústico.

Garrafas plásticas que normalmente terminariam no fluxo de resíduos estão sendo transformadas em painéis capazes de ocupar tetos e paredes e, ao mesmo tempo, funcionar como elementos de controle acústico. Segundo a Petfelt, fabricante brasileira sediada em São Paulo, cada metro quadrado de seu feltro corresponde ao aproveitamento equivalente de 70 garrafas PET, enquanto o processo utiliza corantes ecológicos e não exige adição de adesivos na fabricação do material.

A solução aparece como concorrente funcional de sistemas tradicionais de acabamento de teto, inclusive do forro PVC, principalmente em projetos nos quais a superfície precisa cumprir mais de uma função. Em vez de apenas esconder instalações ou criar acabamento visual, módulos de feltro PET podem ser utilizados como painéis, nuvens, grids e baffles acústicos suspensos.

Os produtos de 12 mm informados pela fabricante possuem densidade de 270 kg/m³, peso aproximado de 2,4 kg por m² e podem conter até 70% de material reciclado pós-consumo, dependendo da configuração.

Garrafas PET deixam de ser embalagem e viram material de acabamento

O princípio é relativamente simples: o PET utilizado em embalagens pode ser reciclado, transformado novamente em fibras e reorganizado na forma de feltro.

Na Petfelt, esse material é utilizado como matéria-prima de revestimentos arquitetônicos. A empresa informa que trabalha com feltro 100% PET e que parte relevante desse conteúdo vem de material pós-consumo. Em linhas como os painéis Cross, o conteúdo reciclado pode chegar a 70%.

Painel de feltro PET usa o equivalente a 70 garrafas recicladas por m², dispensa adesivos na fabricação e transforma tetos em tratamento acústico.
Painel de feltro PET usa o equivalente a 70 garrafas recicladas por m², dispensa adesivos na fabricação e transforma tetos em tratamento acústico.

O número mais fácil de visualizar é fornecido pela própria fabricante: 1 m² de Petfelt equivale a cerca de 70 garrafas PET recicladas. Assim, um projeto com 100 m² de material corresponderia, pela equivalência informada pela empresa, a aproximadamente 7 mil garrafas.

Isso não significa necessariamente que cada placa contenha exatamente 70 embalagens fisicamente identificáveis. Trata-se da equivalência divulgada pela empresa entre a quantidade de PET reaproveitada e o número médio de garrafas.

Material dispensa adição de cola durante sua fabricação

Outro detalhe diferencia a solução de revestimentos que dependem de diferentes camadas aderidas quimicamente.

Na descrição institucional do processo, a Petfelt informa que o material é produzido com garrafas PET recicladas, corantes ecológicos e sem necessidade de adição de adesivos.

Isso se refere especificamente à fabricação do feltro. Não significa que toda instalação arquitetônica do produto seja obrigatoriamente executada sem qualquer cola, parafuso, cabo ou sistema de fixação.

Os sistemas de teto, por exemplo, podem utilizar cabos, niveladores, parafusos e estruturas próprias. A própria empresa informa que produtos como grids e baffles são fornecidos com acessórios específicos para montagem.

A diferença está no painel em si: as fibras formam o material sem depender da incorporação de uma cola adicional na composição indicada pela fabricante.

Painel de apenas 12 mm pode assumir funções que um teto comum não oferece

Uma das configurações mais frequentes possui 12 mm de espessura, densidade de 270 kg/m³ e peso de aproximadamente 2.400 gramas por metro quadrado, com tolerância de 10%.

Esses números tornam o material relativamente leve para aplicações suspensas ou fixadas em paredes.

Um painel convencional de parede da linha Cross, por exemplo, pode medir 1,20 metro por 2,40 metros, dimensão semelhante à de muitas chapas utilizadas na construção a seco.

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A diferença é que sua função principal não é estrutural. O material foi desenvolvido como elemento de acabamento e absorção sonora.

Nos tetos, a mesma matéria-prima pode aparecer verticalmente em baffles, horizontalmente em nuvens ou organizada em grids tridimensionais.

Isso permite que o projeto deixe parte da laje e das instalações aparentes enquanto utiliza os módulos apenas onde o desempenho acústico e visual é necessário.

Forro PVC e feltro PET resolvem problemas diferentes

Apesar do título destacar a concorrência com o forro PVC, os dois materiais não são substitutos perfeitos em qualquer obra.

O PVC tradicional é utilizado principalmente para criar uma superfície contínua, esconder telhado e instalações, facilitar limpeza e fornecer acabamento de baixo peso.

Já o feltro PET acústico ganha vantagem quando o projeto precisa controlar reverberação, melhorar inteligibilidade da fala ou tratar ambientes com excesso de superfícies rígidas.

Em escritórios, restaurantes, salas de reunião e ambientes amplos, um teto de concreto, paredes de vidro e piso duro podem refletir som repetidamente.

Nesse cenário, simplesmente instalar uma superfície lisa no teto não necessariamente resolve o problema acústico.

Os elementos de PET trabalham de maneira diferente: absorvem parte das ondas sonoras que chegam à superfície, reduzindo reflexões sucessivas.

É justamente nesse tipo de aplicação que o material começa a disputar espaço com sistemas tradicionais de forro e acabamento.

O próprio teto passa a trabalhar contra o eco

A principal transformação está na função da superfície acima das pessoas.

Um forro convencional pode funcionar praticamente como acabamento visual. Em um projeto acústico, o teto se torna parte ativa do comportamento sonoro do ambiente.

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A Petfelt afirma que seus produtos absorvem ondas sonoras e reduzem a reverberação e ruídos indesejados. O objetivo é melhorar clareza de fala, conforto auditivo e concentração.

Isso é especialmente relevante em grandes ambientes de trabalho.

Quando várias pessoas conversam ao mesmo tempo, reflexões nas paredes, vidros, piso e teto prolongam o som. O resultado não é necessariamente um ruído mais alto na fonte, mas um ambiente em que as vozes permanecem refletindo e se misturando.

Baffles suspensos e nuvens acústicas criam superfícies adicionais de absorção sem necessariamente fechar completamente o teto.

Sistema modular pode formar desenhos tridimensionais sobre o ambiente

O feltro PET também muda a aparência tradicional do forro.

Na linha Aura, por exemplo, os módulos podem medir 1,20 x 1,20 metro ou 1,20 x 2,40 metros, com alturas configuráveis entre cerca de 100 e 250 mm.

O módulo menor pesa aproximadamente 3,5 kg, enquanto o maior chega a cerca de 7 kg, segundo a ficha técnica da empresa.

Em vez de formar uma superfície lisa, as lâminas criam volumes suspensos.

Outra família, denominada Waves, utiliza curvas para construir sequências visuais sobre o teto. Já os grids organizam o feltro em estruturas que se cruzam.

Isso abre uma possibilidade que o forro tradicional raramente oferece: transformar o próprio tratamento acústico em elemento arquitetônico aparente.

Assim, o material deixa de ser algo escondido atrás de uma superfície decorativa. A função acústica e a estética passam a utilizar a mesma peça.

Resistência ao fogo é uma exigência importante para uso em interiores

Qualquer material aplicado em grandes áreas de teto precisa ser analisado também do ponto de vista de segurança contra incêndio.

Os produtos Petfelt de 12 mm consultados para esta reportagem possuem classificação de propagação de chamas Classe II-A, informada conforme a Instrução Técnica nº 10 do Estado de São Paulo e a norma ABNT NBR 16626.

Garrafas PET viram solução acústica para tetos e paredes: painel brasileiro usa o equivalente a 70 garrafas recicladas por m², dispensa adesivos na fabricação e transforma superfícies em tratamento acústico
Garrafas PET viram solução acústica para tetos e paredes: painel brasileiro usa o equivalente a 70 garrafas recicladas por m², dispensa adesivos na fabricação e transforma superfícies em tratamento acústico

Essa classificação aparece nas fichas de produtos como Cross, Waves, Aura e diferentes grids.

Isso não significa que o PET seja incombustível. A classificação está relacionada ao comportamento do produto em ensaios específicos de reação ou propagação de chamas.

Em projetos reais, arquitetos, engenheiros e responsáveis técnicos ainda precisam verificar exigências do Corpo de Bombeiros, tipo de ocupação, área aplicada e demais critérios do sistema construtivo.

O diferencial é que o produto possui uma classificação explicitamente declarada para esse aspecto, algo fundamental quando se pretende utilizá-lo em escritórios, auditórios, lojas e outros espaços de grande circulação.

Material pode aparecer em paredes, tetos e até entre mesas

Outra diferença em relação ao forro PVC está na possibilidade de usar a mesma matéria-prima em vários pontos da arquitetura.

A empresa oferece painéis de parede, divisores de ambientes, divisores de mesas, nuvens, baffles e grids.

Em um escritório aberto, por exemplo, o material pode aparecer no teto e simultaneamente entre estações de trabalho.

Em salas de reunião, pode ocupar parte da parede e criar elementos suspensos.

Em restaurantes, módulos podem ser posicionados sobre as áreas com maior concentração de pessoas, reduzindo a necessidade de cobrir todo o teto.

Essa modularidade também significa que um projeto acústico pode ser dimensionado de acordo com cada ambiente, em vez de tratar toda a superfície exatamente da mesma maneira.

Empresa brasileira trabalha com acústica há mais de 15 anos

Embora materiais feitos de garrafas recicladas ainda possam parecer novidade para parte do público residencial, a tecnologia não nasceu agora.

A Petfelt informa possuir mais de 15 anos de experiência no mercado de acústica e registra sua fundação em 2009, em São Paulo.

A expansão recente está ligada principalmente ao uso crescente de soluções acústicas aparentes na arquitetura corporativa e residencial.

Escritórios com teto aberto, ambientes integrados e grandes superfícies de vidro criaram maior necessidade de absorção sonora sem retornar obrigatoriamente aos antigos forros fechados.

Ao mesmo tempo, o interesse por materiais com conteúdo reciclado aumentou a procura por produtos capazes de combinar desempenho técnico com aproveitamento de resíduos.

O feltro PET está exatamente na interseção dessas duas tendências.

Garrafas que durariam décadas como resíduo passam a ocupar tetos e paredes

A força desse tipo de material está na mudança de função.

Uma embalagem de PET foi desenvolvida para permanecer em uso por pouco tempo, mas o polímero pode persistir no ambiente por períodos muito maiores se for descartado inadequadamente.

Ao reciclá-lo em fibras destinadas à arquitetura, o material passa a ter outra vida útil e outro valor econômico.

Segundo a equivalência informada pela Petfelt, um único metro quadrado representa aproximadamente 70 garrafas, enquanto os painéis podem conter até 70% de material reciclado pós-consumo.

Além disso, a própria fabricação do feltro não necessita da adição de adesivos, conforme a empresa, e o produto acabado pode receber classificação Classe II-A de propagação de chamas em linhas destinadas a interiores.

O resultado é uma alternativa que não disputa apenas estética com o forro PVC.

Em ambientes que precisam de controle acústico, o teto deixa de ser simplesmente uma superfície colocada para esconder aquilo que existe acima. Ele passa a absorver parte do som, criar volumes arquitetônicos e incorporar plástico reciclado ao próprio acabamento.

A mudança está na possibilidade de o projetista substituir uma superfície que executava praticamente uma única função por um sistema modular que reúne acabamento, arquitetura, absorção sonora e reaproveitamento de resíduos em uma mesma solução.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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