Nova pesquisa indica que defumar e desidratar carne com fogo era uma forma de proteção alimentar antes mesmo do hábito de cozinhar surgir
Pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel, apresentaram uma nova explicação para o uso do fogo pelos primeiros humanos. Segundo um artigo publicado na revista Frontiers in Nutrition, o objetivo não era cozinhar, como se pensava até então, mas sim proteger e conservar a carne de grandes animais.
O uso do fogo em contexto doméstico tem registros de 400 mil anos atrás. Ainda assim, as razões para o controle do fogo por nossos ancestrais sempre geraram debates entre estudiosos. Agora, a equipe israelense propõe uma nova visão sobre o tema.
Fogo usado para conservar carne
De acordo com o estudo, os primeiros humanos utilizavam o fogo para defumar e desidratar carne, o que aumentava seu tempo de conservação. Esse método também ajudava a proteger os alimentos contra predadores.
-
São Paulo muda de patamar e vai sugar água do mar para abastecer cidade turística: usina inédita de R$ 56,4 milhões usará osmose reversa, entregará 20 litros por segundo e ampliará a oferta de água.
-
Povos indígenas dos Andes surpreendem cientistas ao revelar adaptação genética rara ligada ao consumo de batatas há 10 mil anos, uma descoberta que pode mudar o que sabemos sobre evolução, alimentação e sobrevivência humana
-
China revela computador quântico inédito com 2 núcleos e 200 qubits: nova arquitetura promete reduzir erros, aumentar estabilidade por até 100 segundos e acelerar a corrida global por máquinas quânticas mais poderosas e escaláveis
-
Laser que ocupava um laboratório inteiro agora cabe em chip minúsculo e entrega pulsos de 147 femtosegundos, abrindo caminho para relógios atômicos portáteis, diagnósticos médicos e sensores de alta precisão
Miki Ben-Dor, um dos autores da pesquisa, afirma que antes de 400 mil anos atrás não há evidências consistentes de uso frequente do fogo.
Isso indicaria que ele era usado apenas em situações muito específicas. “O processo de reunir combustível, acender uma fogueira e mantê-la acesa exigia um esforço significativo. Eles precisavam de um motivo convincente e energeticamente eficiente para isso”, explicou.
Sítios arqueológicos com indícios
Para comprovar a nova teoria, os cientistas analisaram todos os sítios arqueológicos com indícios do uso do fogo datados entre 1,8 milhão e 800 mil anos atrás. Apenas nove locais no mundo se enquadram nesses critérios: dois em Israel, seis na África e um na Espanha.
Em todos esses sítios foram encontrados grandes volumes de ossos de animais de grande porte, como elefantes, hipopótamos e rinocerontes. Isso reforça a ideia de que esses animais eram fundamentais na dieta dos primeiros humanos.
Segundo Ben-Dor, um único elefante podia fornecer calorias suficientes para alimentar de 20 a 30 pessoas por mais de um mês. A preservação dessa carne era, portanto, essencial.
Proteção e armazenamento
A carne desses animais era extremamente calórica e nutritiva. Para evitar a decomposição e afastar predadores, os humanos desenvolveram estratégias como defumar e desidratar a carne com fogo. Esses métodos impediam que ela estragasse e garantiam alimento por mais tempo.
Ran Barkai, outro autor do estudo, afirma que o uso do fogo pode ter começado por essas razões. Somente depois, o ato de cozinhar alimentos teria se tornado comum.
Impacto na dieta e na evolução
O estudo também sugere que o uso do fogo ligado à conservação de carne se relaciona com outras mudanças importantes na Pré-História. Uma delas seria o desaparecimento gradual de grandes animais e a necessidade de adaptar a dieta, buscando caças menores.
Essas descobertas reforçam teorias recentes de que muitos comportamentos humanos surgiram como resposta à caça de grandes animais e à busca por fontes de energia duradouras.
A ideia de que o fogo foi usado primeiro para cozinhar pode ter sido apenas parte do processo. A conservação, segundo os pesquisadores, veio antes.
Com informações de Revista Galileu.

Seja o primeiro a reagir!