Desenvolvida pela holandesa Monumental, a frota divide diferentes etapas da alvenaria entre robôs compactos coordenados por software. O modelo mantém materiais tradicionais, leva os equipamentos diretamente ao canteiro e oferece o trabalho automatizado como serviço para construtoras.
Uma frota de robôs autônomos criada pela Monumental executa diretamente no canteiro uma das tarefas mais repetitivas da construção: aplicar argamassa e assentar tijolos. Em determinadas condições, o sistema pode alcançar cerca de 1.000 tijolos durante um dia de trabalho.
Uma reportagem do The Times informa que as máquinas chegam a aproximadamente 1,2 tijolo por minuto. A publicação compara esse desempenho potencial com uma referência humana de produção e aponta capacidade próxima do dobro em condições favoráveis.
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A empresa pretende ampliar a operação no Reino Unido e contribuir para a construção de até 20 mil moradias em dois anos. A meta não significa que as residências serão inteiramente erguidas por máquinas, porque os equipamentos atuam especificamente na etapa de alvenaria.
Como a frota divide o trabalho
A Monumental não concentrou todas as funções em um único equipamento de grandes dimensões. O processo é distribuído entre robôs compactos que cumprem tarefas complementares e podem circular pelo canteiro conforme a execução das paredes avança.

Pisa realiza o assentamento dos tijolos e trabalha com a argamassa, enquanto Petra leva novas peças para a operação e Panama abastece o material usado nas juntas. A divisão permite que as tarefas de fornecimento e colocação ocorram de forma coordenada.
O sistema também depende do Atrium, plataforma de software desenvolvida pela empresa para transformar informações digitais do projeto em instruções executáveis. A geometria da parede é preparada antes do trabalho físico para orientar a posição dos materiais e as ações dos equipamentos.
Durante a execução, sensores e visão computacional ajudam os robôs a localizar sua posição e controlar o assentamento. Esses recursos precisam funcionar em canteiros nos quais piso, obstáculos, acessos e condições de trabalho podem mudar conforme diferentes etapas da obra são concluídas.
Os equipamentos foram concebidos para operar também sob chuva encontrada em obras reais. O vento, por outro lado, permanece entre as condições que impõem dificuldades ao trabalho automatizado fora de ambientes industriais controlados, segundo a reportagem britânica.
O tamanho reduzido das máquinas permite ainda que elas sejam movimentadas entre diferentes pontos do empreendimento. Isso evita a necessidade de instalar ao redor da construção uma estrutura fixa de grandes dimensões semelhante à encontrada em uma linha industrial.
Tijolos comuns e serviço contratado

Um dos elementos centrais do sistema é o uso de tijolos e argamassa convencionais. Em vez de depender de grandes componentes especiais ou exigir a substituição completa do método tradicional, os equipamentos trabalham com materiais já presentes na construção convencional.
A mudança ocorre principalmente na maneira como a parede passa do projeto para a execução. Parte da geometria é preparada digitalmente e convertida em instruções para as máquinas, enquanto o trabalho repetitivo de posicionar cada tijolo fica a cargo dos equipamentos.
A tecnologia também pode executar configurações que vão além de trechos totalmente uniformes. O desenvolvimento inclui diferentes orientações de tijolos e padrões decorativos, necessários para obras nas quais fachadas e paredes não seguem apenas sequências idênticas de assentamento.
A Monumental adotou ainda um modelo comercial diferente da simples venda dos robôs. A empresa leva sua própria frota ao empreendimento e entrega o serviço contratado de alvenaria, em uma relação semelhante à mantida pelas construtoras com subempreiteiras especializadas.
Esse formato deixa com a própria companhia a operação de sua tecnologia, em vez de exigir que cada cliente compre os equipamentos e organize sozinho manutenção, treinamento e utilização. No canteiro, profissionais continuam necessários para acompanhar o sistema e as demais etapas da construção.
O The Times informa que operadores podem ser preparados para trabalhar com os equipamentos em aproximadamente quatro semanas. A atividade envolve supervisão das máquinas e interação com o sistema, em vez de se concentrar exclusivamente no esforço físico contínuo do assentamento manual.
Expansão da frota no Reino Unido

Em julho deste ano, a Monumental anunciou uma rodada Série B de US$ 32 milhões, liderada pela Khosla Ventures. No comunicado sobre o investimento, a empresa informou que pretende aumentar a equipe, colocar mais robôs em campo e ampliar sua presença em novos mercados.
A companhia afirma que seus equipamentos já participaram da construção das paredes de mais de 100 casas no Reino Unido e nos Países Baixos. Também relaciona a tecnologia a trabalhos em escola, centro comunitário, hotel e trechos de paredes de canais.
A Monumental informa ainda que sua frota já supera uma centena de robôs. A escala pretendida para o mercado britânico depende da distribuição de mais unidades entre diferentes empreendimentos, além da preparação de operadores e da integração do serviço aos cronogramas das construtoras.
A presença humana continua fazendo parte desse processo porque a automação substitui apenas determinadas tarefas da alvenaria. Supervisão, organização do canteiro e outras especialidades necessárias para concluir uma residência permanecem fora do trabalho específico executado pela frota de assentamento.
No anúncio da rodada de investimento, a Monumental informou que parte dos recursos também será destinada ao desenvolvimento de novas tarefas para os robôs, ampliando a plataforma além da aplicação de alvenaria que já é executada em obras.
