O robô Jaibot, da Hilti, usa dados do AutoCAD e Revit para marcar e perfurar furos em tetos de obras, reduzindo trabalho manual acima da cabeça. A solução semiautomática mira instalações elétricas, hidráulicas, mecânicas e acabamentos internos, com ganhos de precisão, velocidade, documentação digital e segurança no canteiro de obra.
O robô Jaibot, desenvolvido pela Hilti, foi criado para executar marcação e perfuração em obras a partir de plantas digitais, usando informações vindas de softwares como AutoCAD e Revit. A tecnologia atua em canteiros de construção durante etapas de instalações mecânicas, elétricas, hidráulicas e acabamentos internos.
De acordo com a Hilti, a proposta é reduzir uma das tarefas mais repetitivas e desgastantes da construção civil: furar acima da cabeça para preparar pontos de instalação. Em vez de depender apenas da perfuração manual, o sistema usa dados digitais para orientar o equipamento no local correto, na profundidade definida e com mais controle sobre o avanço do serviço.
Robô leva o projeto digital para o teto da obra

O Jaibot funciona como uma ponte entre o planejamento digital e a execução física no canteiro. O projeto que antes ficava restrito às plantas técnicas passa a orientar diretamente a marcação e a perfuração dos pontos definidos para instalações. Na prática, o robô transforma coordenadas digitais em furos reais na estrutura.
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Esse tipo de aplicação ganha força em obras que já utilizam BIM e modelos digitais para reduzir conflitos entre disciplinas. Quando sistemas elétricos, hidráulicos, mecânicos e de acabamento precisam dividir o mesmo espaço, a precisão do furo deixa de ser apenas detalhe operacional e passa a influenciar prazo, retrabalho e qualidade da entrega.
Como o Jaibot usa AutoCAD, Revit e estação total
O processo começa com o envio dos dados do AutoCAD ou Revit para a nuvem da Hilti. Depois, o arquivo de trabalho é importado para um tablet de campo, usado nas aplicações de layout. Em seguida, uma estação total Hilti PLT 300 ajuda a localizar o equipamento dentro da obra e orientar sua posição.
A partir daí, o robô executa os furos dentro de seu alcance, seguindo o plano de perfuração digital. Localização, diâmetro e profundidade não ficam dependentes apenas da marcação manual, mas de um fluxo de dados previamente definido no projeto. Isso ajuda a reduzir variações entre o que foi planejado e o que aparece no teto da obra.
Perfuração acima da cabeça deixa de ser tarefa puramente manual

A perfuração acima da cabeça é uma atividade cansativa, especialmente em instalações que exigem repetição de furos ao longo de grandes áreas. Além do esforço físico, há exposição a poeira, necessidade de posicionamento constante e risco associado ao trabalho em altura ou em posturas desconfortáveis.
Com o Jaibot, o trabalhador deixa de concentrar sua função na execução direta de cada furo e passa a operar, posicionar e acompanhar o equipamento. A mudança não elimina a presença humana, mas altera o papel da equipe, que deixa de executar manualmente a tarefa mais pesada e passa a supervisionar o processo.
Velocidade e precisão dependem do planejamento correto
A Hilti apresenta o Jaibot como uma tecnologia semiautomática voltada a aumentar produtividade, precisão e segurança. Mas o desempenho do robô depende diretamente da qualidade dos dados usados no início do processo. Se o projeto digital estiver mal coordenado, a execução também pode carregar problemas.
Por isso, o ganho de velocidade não vem apenas da máquina em si. Ele depende de um fluxo integrado entre engenharia, planejamento, layout e operação no canteiro. O robô perfura com base no plano que recebe; quanto mais bem resolvido estiver o projeto, maior tende a ser a eficiência da execução.
Instalações elétricas, hidráulicas e mecânicas estão no centro da aplicação

O Jaibot foi pensado para instalações mecânicas, elétricas e hidráulicas, áreas conhecidas pela grande quantidade de pontos de fixação, suportes, passagens e interferências. Em obras maiores, pequenas falhas de marcação podem gerar atrasos, ajustes improvisados e perda de produtividade.
A tecnologia também pode ser aplicada em acabamentos internos, quando há necessidade de perfurações repetitivas e alinhadas ao projeto. O ponto central é usar automação em uma etapa que costuma misturar esforço físico, repetição e alta exigência de precisão. Nesse contexto, o robô entra como ferramenta de execução, não como solução isolada para todos os problemas da obra.
Sistema sem fio opera com remoção integrada de poeira
Outro aspecto informado pela Hilti é que o Jaibot funciona com sistema sem fio e pode operar por até 8 horas entre recargas. O equipamento também conta com remoção integrada de poeira, recurso importante em atividades de perfuração, principalmente em ambientes internos.
A fabricante afirma ainda que o robô não exige habilidades especializadas para operação. Ainda assim, o uso eficiente do sistema exige organização do canteiro, preparação dos arquivos, posicionamento correto da estação total e acompanhamento da execução. Automatizar a perfuração não significa dispensar método; significa deslocar parte do esforço para planejamento e controle.
Menos erro pode significar menos retrabalho
Em obras com várias equipes trabalhando ao mesmo tempo, erros de furação podem gerar uma cadeia de problemas. Um ponto fora de posição pode exigir correção, interferir em outro sistema ou comprometer o ritmo de instalação. Quando isso acontece em escala, o retrabalho deixa de ser pontual e passa a afetar o cronograma.
Ao seguir o projeto digital, o Jaibot busca reduzir esse tipo de falha. Durante a marcação e a perfuração, o sistema também sincroniza informações para acompanhamento do status do projeto. Essa documentação em tempo real pode ajudar gestores a enxergar o avanço da obra com mais clareza, em vez de depender apenas de verificações manuais posteriores.
Automação chega em um setor pressionado por mão de obra
A construção civil enfrenta, em muitos mercados, dificuldade para encontrar mão de obra qualificada em determinadas funções. Nesse cenário, tecnologias semiautomáticas ganham espaço porque prometem aliviar tarefas repetitivas e direcionar trabalhadores para atividades de operação, conferência e coordenação.
Isso não significa que o canteiro se torne completamente automatizado. O robô precisa de equipe, planejamento, transporte, posicionamento, supervisão e integração com o restante da obra. A diferença é que parte do trabalho pesado passa a ser executada por uma máquina orientada por dados, enquanto os profissionais ficam mais focados no controle do processo.
O avanço chama atenção porque não se trata apenas de colocar uma máquina no canteiro, mas de conectar projeto digital, estação total, equipe de obra e documentação em tempo real. Você acha que robôs como o Jaibot podem melhorar a segurança e a produtividade na construção civil, ou esse tipo de tecnologia ainda está distante da realidade da maioria das obras? Deixe sua opinião nos comentários.


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