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Filho de pedreiro deixa a Bolívia, aprende a profissão com o primo, muda para a Espanha e revela por que ganhar até € 1.400 por mês na construção civil transformou sua vida em comparação aos € 400 que recebia em seu país

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Escrito por Felipe Alves da Silva Publicado em 31/07/2026 às 18:45
Assista o vídeoPedreiro latino-americano trabalha em obra na Espanha e representa o crescimento da demanda por profissionais da construção civil.
Pedreiro boliviano afirma que salário na Espanha pode ser até três vezes maior do que o recebido em seu país de origem. Foto: Divulgação/@AdrianG. Martín
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A diferença salarial entre Espanha e Bolívia ajudou a mudar a trajetória de um pedreiro boliviano que atua no setor da construção civil há quase duas décadas. Além da remuneração, ele destaca melhores materiais, novas técnicas de trabalho e um mercado que continua precisando de profissionais qualificados.

Durante anos, a construção civil esteve entre os principais motores da economia espanhola. Atualmente, porém, o setor enfrenta um desafio crescente: encontrar trabalhadores suficientes para atender à demanda por novas moradias, reformas e grandes obras de infraestrutura. Enquanto muitos acreditam que a falta de mão de obra está diretamente ligada aos salários, o relato de um pedreiro boliviano mostra que a realidade pode ser bastante diferente, principalmente para quem compara os rendimentos obtidos na Espanha com os de outros países da América do Sul.

Segundo informações divulgadas pelo portal El Cronista, em reportagem baseada em entrevista concedida ao canal de YouTube @AdrianG. Martín, Albino compartilhou sua experiência trabalhando na construção civil espanhola e explicou por que decidiu permanecer no país desde sua chegada, em 2019.

Da Bolívia para a Espanha: a trajetória construída com ajuda da família

Após aprender a profissão com um primo na Bolívia, Albino mudou-se para a Espanha em busca de melhores oportunidades e construiu uma carreira na construção civil.
Após aprender a profissão com um primo na Bolívia, Albino mudou-se para a Espanha em busca de melhores oportunidades e construiu uma carreira na construção civil. Foto: Divulgação/@AdrianG. Martín

Albino vive na Espanha há cerca de seis anos, mas sua história com a construção civil começou muito antes. Hoje, aos 42 anos, ele afirma que passou praticamente metade da vida trabalhando como pedreiro.

Durante a entrevista, contou que sua entrada na profissão aconteceu graças ao incentivo de um primo que já atuava na área. Segundo ele, foi esse familiar quem o apresentou ao trabalho e ensinou as técnicas necessárias para desenvolver a profissão.

No início, a adaptação não foi simples. Albino reconheceu que sequer conseguia assentar um tijolo corretamente quando começou. Entretanto, com o aprendizado diário e a orientação do primo, adquiriu experiência suficiente para evoluir profissionalmente.

Atualmente, sua função vai além do trabalho manual. Conforme explicou, ele participa da gestão das obras e acompanha diferentes etapas da construção, acumulando conhecimentos técnicos que ampliaram sua atuação dentro do setor.

Salário até três vezes maior explica por que vale a pena trabalhar na Espanha

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O aspecto que mais chama atenção em seu depoimento é a comparação entre os salários pagos na Espanha e na Bolívia.

Segundo Albino, um pedreiro pode receber entre € 1.300 e € 1.400 por mês trabalhando em território espanhol. Já em seu país de origem, a remuneração costuma ficar próxima de € 400 mensais.

Apesar dessa diferença significativa, ele destaca que a jornada de trabalho praticamente não muda.

“Na Espanha um pedreiro ganha cerca de 1.300 a 1.400 euros. Na Bolívia você pode ganhar uns 400 euros. Em relação às horas, trabalha-se as mesmas oito horas.”

Essa diferença salarial acaba tornando a construção civil espanhola uma alternativa bastante atrativa para muitos trabalhadores estrangeiros, especialmente aqueles vindos de países latino-americanos.

Além da remuneração mais elevada, o mercado oferece oportunidades de crescimento profissional e acesso a obras de maior complexidade.

Materiais modernos e falta de profissionais ampliam oportunidades

A combinação entre escassez de mão de obra qualificada, envelhecimento da força de trabalho e uso de tecnologias modernas faz da construção civil espanhola um setor com boas oportunidades para profissionais experientes.
A combinação entre escassez de mão de obra qualificada, envelhecimento da força de trabalho e uso de tecnologias modernas faz da construção civil espanhola um setor com boas oportunidades para profissionais experientes.

Albino também chamou atenção para outro ponto importante: a qualidade dos materiais utilizados na construção espanhola.

Segundo ele, existem diferenças consideráveis entre os produtos disponíveis nos dois países.

Na Bolívia, por exemplo, há poucas opções de gesso e outros insumos utilizados nas obras. Na Espanha, por outro lado, o mercado disponibiliza diversos tipos de materiais especializados, incluindo diferentes argamassas, cimentos e sistemas construtivos.

Essa variedade permite maior qualidade técnica nas construções e facilita a execução de projetos mais complexos.

Enquanto isso, o setor espanhol enfrenta um problema que preocupa empresas e entidades da construção.

Dados mostram que a força de trabalho está envelhecendo rapidamente. Há cerca de vinte anos, trabalhadores com menos de 30 anos representavam aproximadamente 20% dos pedreiros do país. Atualmente, esse percentual caiu para menos de 5%, evidenciando a dificuldade em atrair jovens para a profissão.

Ao mesmo tempo, cerca de um em cada quatro trabalhadores da construção civil na Espanha é imigrante, reforçando a importância da mão de obra estrangeira para manter o setor em funcionamento.

A necessidade de profissionais também continua elevada.

Segundo dados da plataforma especializada Jobted, a construção civil encerrou 2025 com mais de 1,5 milhão de trabalhadores empregados e segue buscando mão de obra qualificada para atender à demanda crescente.

Os salários variam conforme a experiência e a especialização. Nos cargos iniciais, a remuneração gira em torno de € 13.780 brutos por ano, enquanto profissionais altamente qualificados podem ultrapassar € 36.000 anuais.

O relato de Albino ilustra como fatores como remuneração, qualificação profissional e acesso a melhores tecnologias podem transformar a realidade de trabalhadores que decidem buscar oportunidades fora de seus países de origem. Ao mesmo tempo, evidencia um desafio cada vez maior para a construção civil espanhola: renovar sua força de trabalho em um mercado que continua aquecido e depende, cada vez mais, da contribuição de profissionais estrangeiros.

Você aceitaria deixar o Brasil para exercer a mesma profissão em outro país se pudesse ganhar até três vezes mais e ainda ter acesso a melhores condições de trabalho?

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Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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