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Filho de doméstica e autônomo do Sertão da Paraíba, jovem de 18 anos estudava até nove horas por dia, trabalhava como garçom até a madrugada, desativou as redes sociais e foi aprovado em Medicina na UFRJ, a 2,3 mil quilômetros de casa

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 02/08/2026 às 01:23 Atualizado em 02/08/2026 às 01:29
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Rotina entre escola, estudos e trabalho noturno marcou a trajetória de José Leonardo Martins Abreu, jovem do Sertão da Paraíba que desativou as redes sociais, estudou até nove horas por dia e conquistou uma vaga em Medicina na UFRJ, distante 2,3 mil quilômetros de casa.

Aos 18 anos, José Leonardo Martins Abreu transformou uma rotina dividida entre escola, estudo em casa e trabalho noturno em uma aprovação no curso de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, após três anos de preparação no Sertão da Paraíba.

Morador de São José de Piranhas, ele passou a enfrentar um desafio diferente depois da conquista: deixar a família, percorrer cerca de 2,3 mil quilômetros e reunir condições financeiras para iniciar a graduação em uma das universidades mais reconhecidas do país.

Trabalho como garçom acompanhou a preparação para Medicina

Filho de uma trabalhadora doméstica e de um autônomo, o jovem conciliou parte da preparação com o ensino médio no Instituto Federal da Paraíba, enquanto mantinha os estudos por conta própria e trabalhava como garçom em um bar e lanchonete.

Durante o período decisivo para o Exame Nacional do Ensino Médio, a rotina ganhou intensidade ainda maior, porque José Leonardo reservava entre oito e nove horas diárias para revisar conteúdos e resolver exercícios antes de iniciar o expediente noturno.

Esse planejamento precisava considerar não apenas o volume de matérias cobradas na prova, mas também o desgaste provocado pelas noites de trabalho, que frequentemente avançavam pela madrugada e reduziam o tempo disponível para descanso e recuperação física.

Segundo reportagem do Jornal da Paraíba, a privação de sono chegou a interferir diretamente na preparação, sobretudo na memorização e no aprendizado, embora o estudante avaliasse que a base construída nos anos anteriores ajudava a diminuir parte desse impacto.

Questões do Enem e cartões orientavam os estudos

Jovem do Sertão trabalhava como garçom, estudava até nove horas por dia e conquistou vaga em Medicina na UFRJ, a 2,3 mil quilômetros de casa.
Jovem do Sertão trabalhava como garçom, estudava até nove horas por dia e conquistou vaga em Medicina na UFRJ, a 2,3 mil quilômetros de casa.

Em vez de concentrar o último período de preparação em longas sequências de aulas, José Leonardo direcionou grande parte do tempo à resolução de questões, estratégia que permitia identificar erros, revisar pontos específicos e compreender melhor o formato do Enem.

Os cartões de revisão também ocupavam espaço importante na rotina, pois reuniam informações centrais de cada tema e facilitavam retomadas rápidas, especialmente nos momentos em que o cansaço ou a falta de tempo impediam sessões mais longas de estudo.

A combinação entre exercícios, revisão ativa e estudo em casa formou a base do método que o levou à vaga na UFRJ, enquanto a organização diária ajudava a manter o foco mesmo diante da carga de trabalho e do sono reduzido.

Outra decisão importante ocorreu no ambiente digital, já que o paraibano desativou seus perfis nas redes sociais durante o ano da aprovação para reduzir distrações e concentrar a atenção nas tarefas acadêmicas que definiam sua principal meta.

Expediente noturno avançava pela madrugada

Depois de passar horas diante de livros, questões e cartões de revisão, José Leonardo seguia para o bar e lanchonete, onde permanecia até a madrugada, antes de reiniciar no dia seguinte um ciclo que exigia disciplina constante.

Ao longo de três anos de preparação, o estudante precisou ajustar a rotina conforme avançava no ensino médio, ampliando gradualmente o tempo dedicado ao Enem sem abandonar o emprego que contribuía para sua renda e para as necessidades da família.

Nos dois primeiros anos, ele ainda dividia os dias entre as aulas do Instituto Federal, o estudo individual e o atendimento aos clientes, enquanto, no período final, aumentou a carga de preparação e manteve o trabalho noturno.

Quando o resultado foi divulgado, a aprovação provocou choro, gritos e alívio dentro de casa, e José Leonardo chamou imediatamente a mãe e o pai para compartilhar uma conquista construída em meio a jornadas exaustivas.

Distância surgiu como novo desafio após a aprovação

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A comemoração, porém, veio acompanhada da perspectiva de uma separação longa, porque o curso ficava em outro estado e exigia uma mudança capaz de alterar completamente a rotina do jovem e de sua família no Sertão paraibano.

A distância entre São José de Piranhas e o Rio de Janeiro tornou-se uma dificuldade concreta, pois a vaga havia sido conquistada, mas a mudança exigia recursos para transporte, aluguel, alimentação e outras despesas indispensáveis à permanência universitária.

Como a mãe trabalhava como doméstica e o pai atuava como autônomo, o início da graduação acrescentava custos elevados ao orçamento familiar, especialmente porque José Leonardo precisaria instalar-se em uma cidade localizada a milhares de quilômetros de casa.

Diante dessa necessidade, moradores de São José de Piranhas organizaram uma campanha para ajudar o estudante a custear a viagem e as primeiras despesas no Rio de Janeiro, transformando a conquista individual em uma mobilização coletiva da comunidade.

Campanha comunitária ajudou na mudança para o Rio

A iniciativa buscava reunir os valores necessários para transporte, moradia e alimentação, permitindo que ele ocupasse a vaga alcançada pelo Sisu sem transformar a distância e os custos iniciais em barreiras imediatas ao ingresso no curso.

Mesmo após a aprovação, José Leonardo afirmou que estava disposto a trabalhar novamente caso fosse necessário manter-se na capital fluminense, repetindo dentro da universidade uma experiência já conhecida durante o período de preparação para o Enem.

A escolha da UFRJ também foi feita com consciência sobre o tamanho da mudança, pois, apesar dos cerca de 2,3 mil quilômetros que o separavam da instituição, o jovem decidiu enfrentar o deslocamento e valorizou a qualidade da formação oferecida.

Jovem pretende atuar no Sistema Único de Saúde

Embora ainda não tivesse definido a especialidade médica que pretendia seguir, José Leonardo já indicava uma direção profissional ao declarar que desejava trabalhar no Sistema Único de Saúde e atuar diretamente no atendimento à população.

Antes da graduação, seus dias eram organizados entre o Instituto Federal, os estudos individuais e as mesas atendidas durante a noite, enquanto a aprovação transferiu os desafios para a mudança de estado, a adaptação acadêmica e a permanência no curso.

O método adotado durante a preparação reunia escolhas práticas, como priorizar questões do Enem, utilizar cartões de revisão, estudar sozinho em casa e eliminar distrações digitais, sempre encaixando essas tarefas antes de um expediente que terminava durante a madrugada.

Na passagem entre a aprovação e o início da vida universitária, a campanha comunitária tornou-se decisiva para cobrir despesas que não desapareciam com a gratuidade da vaga, incluindo moradia, alimentação, transporte e instalação em outra cidade.

Quantos outros estudantes brasileiros poderiam alcançar uma universidade pública se, depois de vencerem as provas, também encontrassem apoio suficiente para atravessar a distância entre a aprovação, a mudança de cidade e a permanência em um curso tão exigente?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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