1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / Fenda submersa na Islândia parece uma janela entre dois continentes: água glacial filtrada por até 100 anos atravessa 50 km de rochas vulcânicas e revela, com visibilidade acima de 100 metros, a separação entre América do Norte e Eurásia debaixo d’água
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

Fenda submersa na Islândia parece uma janela entre dois continentes: água glacial filtrada por até 100 anos atravessa 50 km de rochas vulcânicas e revela, com visibilidade acima de 100 metros, a separação entre América do Norte e Eurásia debaixo d’água

Escrito por Ana Alice
Publicado em 13/06/2026 às 18:06
Atualizado em 13/06/2026 às 18:08
Assista o vídeoConheça a Fissura de Silfra, na Islândia, onde água glacial filtrada por lava revela uma paisagem submersa entre placas tectônicas. (Imagem: Ilustrativa)
Conheça a Fissura de Silfra, na Islândia, onde água glacial filtrada por lava revela uma paisagem submersa entre placas tectônicas. (Imagem: Ilustrativa)
  • Reação
  • Reação
2 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Em uma fissura submersa da Islândia, água glacial atravessa rochas vulcânicas por décadas, criando um cenário raro de transparência extrema em uma das regiões tectônicas mais observadas por mergulhadores e cientistas.

A Fissura de Silfra, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia, é uma rachadura submersa abastecida por água de degelo que atravessa campos de lava antes de chegar à superfície.

O processo natural de filtragem deixa a água com visibilidade próxima de 100 metros em condições favoráveis e mantém a temperatura baixa durante todo o ano, geralmente entre 2 °C e 4 °C.

Localizada na parte norte do lago Þingvallavatn, Silfra integra uma área marcada por fissuras, falhas geológicas e atividade sísmica.

O Parque Nacional Thingvellir, onde a fenda está situada, fica em uma região vulcânica ativa a 49 quilômetros de Reykjavík e foi inscrito como Patrimônio Mundial da Unesco em 2004.

Água glacial filtrada por rochas vulcânicas

A água que chega a Silfra tem origem no degelo da geleira Langjökull, uma das maiores da Islândia.

Depois de derreter, ela se infiltra no solo e percorre campos de lava porosos até emergir na fissura, num processo que funciona como filtro natural.

De acordo com o Parque Nacional Thingvellir, esse trajeto subterrâneo leva cerca de 30 anos.

Já operadoras especializadas em mergulho na região, como a Dive.is, informam que a filtragem pode durar de 30 a 100 anos antes de a água alcançar a nascente que abastece Silfra.

A diferença entre as estimativas exige cuidado na formulação.

O prazo de “até 100 anos”, usado em textos turísticos sobre a fissura, aparece em fontes ligadas à operação de mergulho.

A fonte oficial do parque adota o período de aproximadamente três décadas como referência.

Durante esse percurso, a água passa por rochas vulcânicas, fraturas subterrâneas e sedimentos.

A filtragem remove partículas em suspensão e ajuda a explicar a transparência registrada no local.

Segundo a administração do parque, quando a água chega à fissura, a visibilidade pode alcançar cerca de 100 metros.

Por que Silfra tem água tão transparente

A claridade da água não está relacionada apenas ao caminho subterrâneo.

A baixa temperatura também interfere nas condições do ambiente, pois limita a presença de matéria orgânica em suspensão e contribui para manter a água com pouca turbidez.

A Guide to Iceland informa que a temperatura de Silfra permanece entre 35 °F e 39 °F, faixa equivalente a cerca de 2 °C a 4 °C, em todas as estações.

A estabilidade ocorre porque a água vem de uma fonte subterrânea abastecida pelo degelo glacial.

Para visitantes, essa condição exige equipamentos específicos.

As atividades de snorkel e mergulho são feitas com roupa seca, isolamento térmico, luvas, capuz e acompanhamento de guias.

No caso do mergulho com cilindro, operadores locais exigem certificações e experiência prévia com roupa seca, já que o frio e o controle de flutuabilidade aumentam a complexidade da atividade.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Fenda entre placas tectônicas na Islândia

Silfra é frequentemente descrita como um ponto de mergulho entre a Placa Norte-Americana e a Placa Eurasiana.

Essa apresentação se tornou comum no turismo porque a Islândia está sobre a Dorsal Mesoatlântica, uma cadeia associada ao afastamento entre grandes placas tectônicas.

A explicação oficial do Parque Nacional Thingvellir traz uma ressalva.

Segundo a administração do parque, Silfra é uma das cerca de 100 fissuras formadas em uma faixa de aproximadamente 5 quilômetros entre as bordas da Placa Norte-Americana e da microplaca Hreppar.

O órgão informa ainda que a fissura faz parte desse sistema, mas não corresponde sozinha a toda a separação entre as placas.

Essa distinção não altera o fato de Silfra estar em uma área de expansão tectônica.

A fissura permite observar, debaixo d’água, uma parte visível de um processo geológico mais amplo, relacionado ao movimento de afastamento da crosta na Islândia.

A origem da paisagem também costuma ser simplificada em relatos turísticos.

O terremoto de 1789 abriu e modificou fissuras na região, mas o Parque Nacional Thingvellir informa que Silfra já existia antes desse episódio, provavelmente há mais de mil anos, com base em registros geológicos e históricos.

Tamanho da Fissura de Silfra e percurso subaquático

A fissura fica na porção norte do lago Þingvallavatn, dentro do Parque Nacional Thingvellir.

De acordo com a administração do parque, Silfra pode ter até 10 metros de largura e alcançar 60 metros de profundidade em alguns pontos.

Operadoras de mergulho descrevem a área de visitação como um percurso dividido em setores.

Entre os nomes usados estão Silfra Big Crack, Silfra Hall, Silfra Cathedral e Silfra Lagoon.

Essa divisão ajuda guias e visitantes a identificar os trechos do trajeto durante as atividades na água.

A Big Crack corresponde à parte inicial do percurso.

Em seguida, a Hall e a Cathedral aparecem como trechos mais amplos e profundos da fissura.

A Lagoon, por sua vez, é uma área mais rasa e aberta, usada como ponto final em muitas experiências de snorkel.

A proximidade com Reykjavík também favorece o fluxo de visitantes.

Segundo a Unesco, Thingvellir fica 49 quilômetros a leste da capital islandesa.

Guias turísticos informam que o deslocamento de carro costuma levar cerca de 45 minutos, dependendo das condições climáticas e da estrada.

Uma paisagem alterada por terremotos e falhas geológicas

Silfra não é uma estrutura estática.

Em uma área sujeita a abalos sísmicos, deslocamentos de rochas podem alterar cavidades, abrir passagens e modificar partes do relevo submerso.

A Dive.is informa que terremotos já provocaram mudanças no perfil de profundidade da fissura, com queda de blocos e formação de novos túneis e terrenos subaquáticos.

A Unesco também registra que o Parque Nacional Thingvellir está em uma zona sísmica ativa, onde o terreno permanece sujeito a mudanças naturais.

Segundo a organização, o piso do vale afundou de 3 a 4 metros desde a fundação do Alþing, assembleia histórica islandesa criada em 930, e esse processo deve continuar.

Esse contexto ajuda a explicar por que a fissura é usada em materiais de divulgação científica e turismo geológico.

A água transparente permite observar camadas de rocha, paredes basálticas e fraturas associadas à dinâmica tectônica da região.

Ao contrário de áreas de mergulho conhecidas pela presença de corais ou grande diversidade de peixes, Silfra é procurada principalmente por sua geologia.

A vida visível na fissura inclui algas verdes e formações vegetais aquáticas descritas por operadores locais, enquanto o principal elemento de observação permanece sendo a estrutura rochosa iluminada pela água clara.

O que a Fissura de Silfra revela sobre a Islândia

A Fissura de Silfra mostra uma parte da geologia islandesa que não aparece apenas em vulcões, campos de lava e fontes termais.

No mesmo ambiente, a região reúne água glacial, rocha vulcânica porosa, fraturas abertas na crosta e sinais de atividade sísmica.

A combinação desses fatores transforma a fissura em um ponto de observação da paisagem subterrânea e tectônica do país.

A água filtrada por décadas torna visíveis detalhes que, em outros ambientes, ficariam encobertos por sedimentos ou baixa visibilidade.

Do ponto de vista científico, Silfra permite relacionar processos de longa duração a uma experiência visual direta.

O percurso da água começa na geleira, atravessa lava antiga e aparece em uma fenda associada ao movimento da crosta.

O visitante, por sua vez, observa esse sistema em uma escala reduzida, mas ligada a fenômenos que moldam a Islândia há milhares de anos.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

Compartilhar em aplicativos
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x