Memorando prevê fornecimento de fertilizantes fosfatados entre 2026 e 2027; volume pode reduzir falta projetada, mas preços, embarques e compras exigem acertos comerciais entre empresas.
O Brasil busca contratar 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados do Marrocos para reforçar o abastecimento entre 2026 e 2027. O volume consta de um memorando assinado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e pela OCP Nutricrops em 18 de setembro, durante visita ao complexo industrial de Jorf Lasfar. A quantidade poderia atender a 76% do déficit projetado para esses insumos na safra 2026/27.
Segundo o Compre Rural, em reportagem publicada em 22 de setembro de 2026, o governo estima uma diferença de aproximadamente 5 milhões de toneladas entre a necessidade e a oferta de fosfatados. O documento abre caminho para negociações, mas a aquisição dependerá de contratos entre a empresa marroquina e compradores brasileiros. Preço, câmbio, frete e condições de pagamento ainda precisam ser acertados.
Quantidade prevista não significa compra concluída

O memorando não comprova a aquisição das 3,8 milhões de toneladas. Ele estabelece um volume de referência para o fornecimento ao mercado brasileiro. A assinatura pelo Ministério da Agricultura também não significa que o governo federal será o comprador dos produtos ou que toda a quantidade já tenha destino definido no país.
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As operações comerciais deverão ser negociadas entre a OCP e os operadores brasileiros. São esses acordos que determinarão quanto será comprado, quais produtos serão entregues e em que condições. A diferença é importante para o planejamento da safra: uma intenção de fornecimento ainda precisa se transformar em contratos e entregas.
Meta equivale a três quartos do déficit de fosfatados
A estimativa de cobertura resulta de uma conta direta: 3,8 milhões de toneladas correspondem a 76% dos 5 milhões de toneladas de déficit mencionados pela reportagem. Se todo o volume atender à necessidade projetada, restariam aproximadamente 1,2 milhão de toneladas a cobrir, mantendo-se a mesma previsão de oferta e demanda.
O percentual se aplica à diferença estimada para os fosfatados, e não ao consumo total de fertilizantes no Brasil. Também não indica que 76% da demanda agrícola nacional esteja garantida. A negociação tem um objetivo delimitado: ampliar a disponibilidade de uma categoria de insumos utilizada na adubação das lavouras.
Visita ao Marrocos incluiu indústria, comércio e pesquisa
O memorando foi formalizado durante a missão do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, ao Marrocos. A agenda divulgada pelo ministério previa, para 18 de setembro, reuniões em Rabat e uma visita à fábrica da OCP Nutricrops em Jorf Lasfar, com assinatura de um protocolo entre as partes.
A viagem também incluiu um seminário empresarial Brasil–Marrocos, em Casablanca, e encontros com autoridades agrícolas e representantes do Centro Internacional de Pesquisa Agrícola em Áreas Secas. O fornecimento de fertilizantes integrou uma programação que tratou de investimentos, comércio e cooperação técnica entre os dois países.
Oferta maior não garante preço menor na propriedade
Para o produtor, o possível benefício imediato está na disponibilidade de produto para comprar. O memorando não fixa desconto nem assegura queda no preço dos adubos. O custo final continuará sujeito ao valor cobrado na origem, à cotação das moedas, ao frete marítimo e às despesas de distribuição no Brasil.
Essas variáveis podem mudar entre a negociação e a entrega. Por isso, a quantidade prevista no documento não permite calcular quanto o agricultor pagará pelo insumo. Mesmo com maior oferta, será necessário comparar propostas que considerem prazo de pagamento, transporte até o destino e características do produto adquirido.
Superfosfato triplo está entre os produtos destacados
O superfosfato triplo, conhecido como TSP, aparece entre os principais produtos previstos, conforme o Compre Rural. Ele é uma fonte concentrada de fósforo, nutriente necessário ao desenvolvimento das raízes, ao estabelecimento das plantas e aos processos de transferência de energia envolvidos no crescimento vegetal.
A parceria também prevê o desenvolvimento de formulações adequadas aos solos e às culturas brasileiras. Essa parte da cooperação trata da composição e da aplicação dos insumos, além do volume negociado. A previsão de trabalho conjunto, porém, não significa que novos produtos já tenham sido desenvolvidos ou colocados à disposição dos agricultores.
Importações mantêm Brasil dependente do mercado externo
Os números apresentados pela reportagem ajudam a dimensionar essa dependência. Em 2025, o Brasil recebeu 49,11 milhões de toneladas de fertilizantes, das quais 43,32 milhões vieram do exterior. Na comparação feita pela fonte, a parcela importada representa aproximadamente 88% do total.
Com essa participação, mudanças no mercado internacional afetam diretamente o planejamento de compras. Conflitos, problemas logísticos, custos de energia e oscilações cambiais podem alterar preços e prazos. Reforçar o fornecimento ajuda a enfrentar o risco de falta, mas mantém o abastecimento ligado à produção estrangeira e ao transporte até o Brasil.
Cooperação com a OCP já envolve instituições de pesquisa
A relação entre instituições brasileiras e o grupo marroquino também tem uma frente científica. Em fevereiro de 2025, a Universidade Mohammed VI Polytechnic, a OCP Fertilizantes, a OCP Nutricrops e a Embrapa anunciaram um acordo para fortalecer pesquisa e desenvolvimento em agricultura sustentável. Essa iniciativa antecede o memorando de fornecimento de setembro.
Na parceria descrita pelo Compre Rural, estão previstos trabalhos sobre saúde do solo, bioinsumos, soluções digitais, logística e agricultura de menor emissão de carbono. São atividades com objetivos distintos da compra imediata de adubos. Seus resultados dependem da execução dos projetos, enquanto o abastecimento da safra exige negociação e entrega dos produtos.
Contratos e embarques mostrarão o alcance do memorando
Durante a missão, segundo a reportagem, o ministro também apresentou o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, o Profert, destinado a estimular investimentos e ampliar a capacidade produtiva nacional. A iniciativa acompanha a busca por fornecedores externos, mas o documento com a OCP não representa a implantação de uma nova fábrica no Brasil.
O avanço do fornecimento poderá ser medido pelos volumes efetivamente contratados, pelos produtos escolhidos e pelos prazos de embarque. A chegada ao país e a distribuição aos compradores serão as etapas que permitirão avaliar quanto da meta de 3,8 milhões de toneladas se converteu em abastecimento para 2026 e 2027.
