1. Início
  2. Inteligência Artificial (I.A)
  3. Fazenda histórica do Barão de Anhumas vai virar data center de IA de 400 MW em Campinas após mais de 200 anos ligados ao açúcar, café, gado e patrimônio tombado
SP
Faça um comentário 4 min de leitura

Fazenda histórica do Barão de Anhumas vai virar data center de IA de 400 MW em Campinas após mais de 200 anos ligados ao açúcar, café, gado e patrimônio tombado

Imagem de perfil do autor Romário Pereira de Carvalho
Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 24/08/2026 às 10:21 Atualizado em 24/08/2026 às 10:27
Assista o vídeoFazenda histórica do Barão de Anhumas vai virar data center de IA com investimento inicial de US$ 500 milhões após ter 517 mil pés de café e casarão tombado em Campinas
Imagem: Reprodução
  • Reação
1 pessoa reagiu a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Complexo da Terranova ocupará a histórica Fazenda Pau d’Alho, terá foco em inteligência artificial, capacidade prevista de 400 MW até 2029 e preservará casarão, senzala, capela e pátios tombados pelo município de Campinas em 2010

Um data center em Campinas será construído na histórica Fazenda Pau d’Alho, propriedade ligada à expansão do café paulista e com imóveis tombados. O complexo poderá chegar a 400 megawatts de capacidade até 2029, equivalente a 40% da atual capacidade de Tecnologia da Informação comissionada no Brasil.

O empreendimento foi anunciado na quinta-feira (20) pela multinacional Terranova. A área fica às margens da Rodovia Governador Dr. Adhemar Pereira de Barros, a SP-340, e reúne construções que preservam parte da história econômica de Campinas.

Fazenda histórica do Barão de Anhumas vai virar data center de IA com investimento inicial de US$ 500 milhões após ter 517 mil pés de café e casarão tombado em Campinas
Imagem: Divulgação

Data center em Campinas terá investimento inicial de US$ 500 milhões

Segundo Mauricio Giusti, CEO da Terranova, o complexo poderá atingir 400 MW quando todas as etapas previstas estiverem concluídas, em 2029. O investimento inicial anunciado para o empreendimento é de US$ 500 milhões.

A dimensão ganha destaque quando comparada à estrutura existente no país. Segundo a Associação Brasileira de Data Centers, o Brasil reúne atualmente 1 gigawatt de capacidade destinada ao processamento de dados em instalações testadas e verificadas.

Assim, os 400 MW previstos para o empreendimento representam 40% dessa capacidade atualmente comissionada no país.

A capacidade dessas estruturas é medida em megawatts ou gigawatts porque a disponibilidade de energia elétrica é um dos principais fatores que determinam quantos servidores e sistemas podem funcionar dentro de um data center.

Segundo Giusti, grandes empresas de tecnologia poderão utilizar a estrutura para serviços de computação em nuvem, inteligência artificial e outras aplicações. A IA deverá estar entre os principais focos do complexo.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Fazenda começou com açúcar e chegou a reunir 517 mil pés de café

A transformação da área acrescenta um novo capítulo a uma propriedade cuja história começou no fim do século 18. Segundo a pesquisadora Julie Dutilh, a Fazenda Pau d’Alho foi fundada em 1796.

Naquele período, Antônio Benedito Cerqueira César, avô do ex-senador Francisco Glicério, inaugurou o primeiro engenho de açúcar. A área fazia parte de sua sesmaria e ficava na chamada Estrada de Goiás.

Posteriormente, o terreno passou para Manuel Leite de Barros. Sua viúva, Cândida da Rocha Ferraz, dividiu a sesmaria nas fazendas Anhumas, Pau d’Alho e Santa Cândida.

No fim da década de 1870, a propriedade passou pelas mãos de Joaquim Policarpo Aranha e depois de Manuel Carlos Aranha, que se tornaria o Barão de Anhumas e ficaria conhecido pela expansão da produção cafeeira.

Segundo o livro “Campinas, Município do Império”, do historiador Celso Maria de Mello Pupo, a fazenda possuía 300 mil pés de café e maquinários em 1885.

Depois da morte do Barão de Anhumas, em 1894, a propriedade foi herdada por Blandina Augusta de Queirós Aranha. Registros apontam produção de 14 mil arrobas de café em 1900 e 517 mil pés em 1914.

Fazenda histórica do Barão de Anhumas vai virar data center de IA com investimento inicial de US$ 500 milhões após ter 517 mil pés de café e casarão tombado em Campinas
Imagem: Reprodução

Casarão, senzala, capela e pátios são tombados

Parte dos recursos obtidos com a produção cafeeira permitiu à família Aranha concluir uma segunda sede e realizar a última ampliação do casarão existente na propriedade.

Essa etapa contou com participação de Ramos de Azevedo. Segundo Pupo, teria sido a primeira obra do escritório do arquiteto.

O conjunto recebeu materiais como painéis de pinho-de-riga, molduras de cedro e batentes de peroba, além de elementos de decoração associados ao estilo neoclássico.

O casarão, a senzala, a capela e os pátios foram tombados pelo município em 31 de maio de 2010. A Fazenda Pau d’Alho também passou a receber atividades de visitação escolar e cultural.

Segundo Giusti, os imóveis tombados serão preservados. A Terranova mantém tratativas com a Prefeitura de Campinas para restaurá-los, conversas confirmadas pelo Executivo municipal ao g1.

De criação de gado à inteligência artificial

Em 1948, a propriedade foi comprada pela família holandesa Dutilh. A fazenda passou a desenvolver criação e melhoramento de gado holandês, além de produzir leite e sêmen de animais holandeses e norte-americanos.

Também houve cultivo de milho, girassol, soja, sorgo e mandioca. Mais recentemente, a área consolidou sua função cultural antes de ser vendida pela família Dutilh à Terranova.

Como contrapartida para aprovação do novo projeto, a multinacional terá de construir um parque público, vias públicas e uma estação de tratamento de esgoto.

Julie Dutilh descreve a trajetória da fazenda como uma sucessão de ciclos econômicos, passando pela cana, café, leite e atividades culturais.

Agora, o data center em Campinas introduz a digitalização e a inteligência artificial nessa sequência histórica.

Esta matéria foi elaborada com base em informações do g1, com dados e declarações atribuídos à Associação Brasileira de Data Centers (ABDC), Terranova, Prefeitura de Campinas e pesquisadores citados no material consultado.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Romário Pereira de Carvalho

Já publiquei milhares de matérias em portais reconhecidos, sempre com foco em conteúdo informativo, direto e com valor para o leitor. Fique à vontade para enviar sugestões ou perguntas

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x