Retrato herdado por uma família britânica permaneceu duas décadas fora dos holofotes até especialistas confirmarem uma rara pintura de Katherine Read, artista escocesa do século 18
Um quadro mantido durante cerca de 20 anos por uma família britânica ganhou relevância histórica depois de aparecer no programa Fake or Fortune?, da BBC.
Especialistas identificaram o retrato como uma obra da pintora escocesa Katherine Read, conhecida por sua atuação como retratista no século 18.
A investigação apresentada em julho de 2026 concluiu que a pintura representa o mais antigo retrato conhecido de uma pessoa indiana feito por uma artista europeia.
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A descoberta também chamou atenção pelo valor estimado. A obra foi avaliada em aproximadamente US$ 130 mil, cerca de R$ 674 mil.
Quadro chegou ao programa enrolado em saco de dormir
Mary-Louise Wedderburn, contadora aposentada, levou a pintura ao programa depois de herdá-la de um tio aproximadamente 20 anos antes.
O transporte chamou atenção imediatamente. O quadro chegou aos especialistas enrolado dentro de um saco de dormir.
Mary-Louise já desconfiava que Katherine Read poderia ter pintado o retrato.
A proprietária também acreditava que a artista talvez fosse uma parente distante de sua família.
A pintura apresenta uma jovem indiana usando diversas fileiras de pérolas, um grande pingente de esmeralda e outros adornos.
A identidade da mulher, entretanto, permanece desconhecida.
Katherine Read construiu carreira incomum no século 18
Katherine Read nasceu perto de Dundee, na Escócia, em 1723, dentro de uma família formada por 13 filhos.
A formação artística recebida pela pintora era incomum para mulheres daquele período.
Read viajou para Paris em 1745, onde estudou pintura em crayon.
A artista seguiu posteriormente para Roma.
Durante sua passagem pela Itália, produziu retratos de aristocratas e viajantes britânicos.
Read estabeleceu-se em Londres, em 1753, onde consolidou sua carreira.
A National Portrait Gallery registra que ela se tornou uma das retratistas mais requisitadas da capital britânica.
Essa reputação permaneceu durante mais de duas décadas.
A artista produziu mais de 300 retratos, principalmente representações de mulheres e crianças.
Viagem à Índia ajudou especialistas a autenticar a pintura
A trajetória de Read ganhou uma nova dimensão quando a artista seguiu para a Índia nos últimos anos de sua vida.
Pesquisadores acreditam que ela continuou retratando mulheres durante esse período.
A autenticação considerou diferentes características técnicas da pintura.
Pigmentos, padrões de pinceladas e construção dos volumes foram analisados pelos especialistas.
Documentos históricos também contribuíram para reconstruir a passagem de Katherine Read pela Índia.
Cartas e testamentos ajudaram os pesquisadores a estabelecer conexões entre a artista e aquele período.
Uma comparação importante envolveu um retrato de Helena Beatson, sobrinha de Read.
A análise levou os especialistas a considerar autêntica a atribuição da obra à pintora escocesa.
Mulher retratada pode ter vivido em Madras
Pesquisadores levantaram a hipótese de que a mulher pudesse ter posado em Madras, atual Chennai.
A personagem provavelmente fazia parte da elite ligada ao poder mogol local.
Especialistas também consideraram a possibilidade de ela ter sido esposa de um príncipe indiano.
Nenhum documento identificado revelou a identidade da jovem retratada.
A ausência desse nome mantém parte da história da pintura envolvida em mistério.
Retrato se destaca entre registros de mulheres indianas daquele período
A importância histórica da obra também está relacionada à mulher representada.
Retratos de indianas daquele período geralmente mostravam personagens ligadas a europeus, incluindo esposas ou acompanhantes.
A pintura atribuída a Katherine Read apresenta uma situação diferente.
A hipótese da investigação aponta para uma mulher pertencente a uma corte indiana, distante do ambiente doméstico europeu.
Esse contexto transforma o quadro em um registro relevante da presença de uma artista europeia retratando uma mulher da elite indiana no século 18.
A carreira de Read reforça ainda mais essa importância.
Antes de seguir para a Índia, a artista já havia recebido uma encomenda para pintar a rainha Charlotte, esposa de George III.
O quadro guardado durante cerca de duas décadas reúne, portanto, duas trajetórias pouco conhecidas.
Uma delas pertence a Katherine Read, artista reconhecida em seu próprio tempo.
A outra continua parcialmente escondida na tela: a história de uma mulher indiana cuja identidade permanece desconhecida séculos depois.
Você imaginaria que um quadro transportado em um simples saco de dormir poderia esconder uma obra histórica avaliada em centenas de milhares de reais?
