Sob temporal durante a madrugada, rotina no campo exige força, estratégia e fé para preservar produção de leite mesmo com silagem comprometida, cama molhada e manejo atrasado
A informação foi divulgada pelo canal “Pecuária Leiteira Familiar”, em vídeo publicado recentemente nas redes sociais. No registro, a própria família mostra em detalhes como a chuva intensa durante a madrugada impactou diretamente a rotina da fazenda, desde o preparo da silagem até a ordenha das vacas no curral encharcado.
Logo nas primeiras horas do dia, o cenário já era desafiador. A chuva forte, acompanhada de vento de lado, atingiu o barracão e molhou parte da estrutura interna. Como consequência, a cama das vacas amanheceu encharcada, o curral acumulou barro e a pista precisou ser novamente raspada antes da ordenha. Ainda assim, o produtor de leite reforça um ponto que define a atividade: “não tem dia nem hora”. Choveu? Trabalha. Não choveu? Trabalha do mesmo jeito.
Além disso, o período também coincide com a fase de preparo da silagem. No entanto, fazer silo com excesso de chuva compromete parte da qualidade do material armazenado. A umidade excessiva reduz o padrão ideal de fermentação e pode gerar perda nutricional. Mesmo assim, não há alternativa: é preciso seguir em frente, porque o gado leiteiro depende dessa alimentação para manter a produção estável.
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Chuva intensa aumenta dificuldade da silagem e compromete manejo do gado leiteiro
Com o solo extremamente molhado, algumas áreas da propriedade simplesmente não puderam ser colhidas. Segundo o produtor, determinadas partes da roça são mais úmidas e, com o volume elevado de chuva, não suportam o peso do maquinário. Portanto, a colheita da silagem precisou ser parcialmente adiada.
Enquanto isso, o barro tomou conta do curral. Em alguns pontos, a água acumulou visivelmente no meio da pista. Mesmo após a raspagem, ainda era possível notar o chão encharcado. “Chega a atolar”, relatou. Apesar disso, a rotina não pode parar. Primeiramente, foi necessário mexer a cama das vacas, reorganizar o trato e separar os lotes antes de iniciar a ordenha.
Por outro lado, o produtor destaca que a chuva também tem seu lado positivo. Ela fortalece o crescimento da pastagem, ajuda na recuperação das nascentes e mantém o capim em desenvolvimento. Ou seja, ao mesmo tempo que dificulta o manejo diário, garante base alimentar futura para o rebanho.
A ordenha começou com leve atraso devido ao temporal. Contudo, como enfatizou o produtor, “não é atraso, faz parte da atividade”. No primeiro lote, as vacas já estavam se alimentando normalmente. Já no segundo lote, ainda aguardavam para retornar ao barracão após a reorganização da cama.

No manejo diário, algumas vacas se destacam pela produção. A “Sereia”, que pariu recentemente, apresentou média de 17 litros na parte da manhã. Outras vacas registraram produções de 16, 12 e até 18 litros. No geral, a sequência média de leite gira entre 17 e 20 litros por ordenha matinal, demonstrando que, apesar das condições climáticas adversas, o rebanho mantém desempenho consistente.
Além disso, há vacas recém-paridas que exigem atenção especial. A “Docinho”, por exemplo, entrou recentemente em lactação. Já a “Estrela” estava em protocolo reprodutivo, passando por inseminação artificial no próprio momento da ordenha, aproveitando o manejo já realizado.
Inseminação artificial, manejo técnico e eficiência mantêm produtividade mesmo sob pressão climática
A inseminação artificial é um dos pontos técnicos mais importantes da propriedade. Inicialmente, foi utilizado sêmen sexado na vaca “Estrela”. No entanto, como não houve prenhez confirmada, optou-se posteriormente pelo sêmen convencional.
O procedimento exige agilidade. O sêmen é retirado da água quente, seco cuidadosamente, cortado com cortador específico e inserido no aplicador com bainha protetora. Segundo o produtor, o processo precisa ser rápido para preservar a viabilidade do material genético. Em poucos minutos, o procedimento é concluído.

Enquanto isso, na sala de ordenha, a estrutura conta com extrator de leite e organização por lotes, o que ajuda a reduzir o tempo total do processo. Mesmo em dias de chuva, o sistema mantém eficiência. Algumas vacas tendem a balançar as patas durante a ordenha, o que exige cuidado para evitar interferência nos equipamentos. Ainda assim, a equipe adapta o posicionamento e segue o fluxo normal.
Outro detalhe que chama atenção é a estratégia de inseminar durante a ordenha para evitar manejo adicional posterior. Dessa forma, otimiza-se tempo e reduz-se estresse do animal.
Ao final da primeira etapa da manhã, o silo já estava colocado, a pista raspada e a cama reorganizada. O barro continuava presente, mas o trabalho avançou. Em seguida, a ordenha do segundo lote foi concluída.
Mesmo sob chuva persistente, vento forte e solo encharcado, a produção de leite seguiu ativa. E é justamente essa persistência que define o produtor rural brasileiro: enfrentando clima, barro, manejo pesado e desafios técnicos, mas mantendo a atividade funcionando todos os dias.
No encerramento, a família agradeceu aos parceiros que registraram a rotina na fazenda e reforçou o sentimento que move a atividade leiteira: fé, trabalho e constância.
Você já imaginou enfrentar chuva, barro e ainda assim manter a produção de leite funcionando todos os dias? Conta pra gente o que você achou dessa rotina no campo.


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