Fabricante taiwanesa avalia instalar unidade em Minga Guazú para montar memórias DRAM e SSDs, aproveitando imposto de 1%, tarifa zero para máquinas e energia hidrelétrica de baixo custo
A taiwanesa ADATA iniciou a prospecção industrial para instalar uma fábrica de memória e armazenamento em Minga Guazú, no Paraguai, com produção voltada ao Cone Sul e exportações para Estados Unidos e Canadá.
Fábrica de memória entra na fase formal de prospecção
A ADATA Technology começou a avaliar formalmente a implantação de uma unidade destinada à montagem e fabricação de hardware de computadores no departamento de Alto Paraná, região paraguaia próxima à fronteira com o Brasil.
O projeto foi discutido em reuniões realizadas em Assunção. Participaram dos encontros o vice-presidente da ADATA para a América Latina, Felipe Masselli, representantes do Ministério da Indústria e Comércio, integrantes da Rede de Investimentos e Exportações e a delegação diplomática taiwanesa.
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A proposta ainda está em fase de prospecção. O planejamento apresentado prevê transformar a região em uma plataforma para montagem de superfície, embalagem e testes de componentes tecnológicos.
A produção seria destinada ao atendimento do mercado do Cone Sul. A localização também foi considerada para facilitar exportações aos Estados Unidos e ao Canadá.
Após inspeções em áreas próximas ao Aeroporto Internacional de Guaraní, Masselli confirmou que a companhia avalia as condições oferecidas pelo Paraguai para operações de maquila e montagem.
Segundo o executivo, esses modelos são considerados altamente competitivos para o estabelecimento de produção de alta tecnologia na América do Sul. O material não informa prazo para construção, início das operações, capacidade produtiva, investimento previsto ou quantidade de empregos.
Unidade poderá montar placas, memórias RAM e unidades SSD
O projeto não prevê uma fábrica primária de wafers de silício. A operação estudada pela ADATA está concentrada em uma etapa específica da cadeia eletrônica, relacionada à montagem e aos testes de equipamentos.
A futura unidade poderá utilizar tecnologia de montagem em superfície, conhecida pela sigla SMT, para instalar componentes eletrônicos de maneira automatizada em placas de circuito impresso.
O planejamento também inclui montagem e testes de módulos de memória RAM dinâmica, além da produção de unidades de armazenamento de estado sólido de alta velocidade. Outra atividade prevista é a programação dos controladores usados nesses equipamentos.
O processo industrial projetado exige ambientes controlados. A estrutura descrita inclui salas limpas, filtragem de alta eficiência contra micropartículas e controle rigoroso de temperatura e umidade.
Essas medidas são necessárias para reduzir riscos de descargas eletrostáticas durante a manipulação dos componentes. A operação também prevê fornos de soldagem em atmosfera inerte de nitrogênio.
Os componentes semicondutores de alta densidade seriam importados por via aérea de Taipei e integrados às placas e aos módulos na unidade paraguaia.
Incentivos fiscais e energia de Itaipu pesam na avaliação
A análise da empresa considera os incentivos oferecidos pelo Regime Maquila. Conforme a Lei 7547 de 2025, as operações enquadradas nesse modelo ficam sujeitas a um imposto único de 1% sobre o valor agregado nacional.
O regime também prevê a suspensão de direitos aduaneiros e impostos internos para a admissão temporária de insumos e chips empregados na produção destinada à exportação.
Outro instrumento considerado é a Lei 7548 de 2025. A norma estabelece tarifa zero e imunidade de direitos sobre a importação de máquinas industriais e linhas de montagem robotizadas.
O fornecimento de eletricidade também integra a avaliação. A energia hidrelétrica da usina binacional de Itaipu chegaria ao projeto por meio da subestação de Yguazu, com capacidade de 500 quilovolts.
A tarifa contratada indicada para a indústria fica entre US$ 35 e US$ 45 por megawatt-hora. A matriz energética prevista para a operação é apresentada como 100% descarbonizada.
Minga Guazú oferece ligação terrestre com o Brasil
A localização permitir permitiria uma conexão terrestre de pouco mais de 1.000 quilômetros pela Ponte da Integração e pela rodovia brasileira BR-277. A projeção é de que as cargas possam ser entregues em até 36 horas.
O projeto também considera as Regras de Origem do Mercosul, formalizadas na Decisão CMC 06 de 2023. O Paraguai possui tratamento especial e diferenciado previsto até o final de 2038.
Pelas condições apresentadas, produtos paraguaios podem incorporar até 60% de insumos provenientes de fora do Mercosul. Cumpridos os critérios de origem, a produção poderá receber certificação para tarifa intrabloco zero nos mercados brasileiro e argentino.
A proposta da ADATA é relacionada à estratégia de cooperação tecnológica de Taiwan com o Paraguai, conduzida por meio do Plano de Prosperidade Aliada.
Minga Guazú já recebeu outro investimento taiwanês citado nesse contexto: uma fábrica de montagem de ônibus elétricos da Master Transportation.
O planejamento da fábrica de memória também prevê apoio para treinamento técnico pela Universidade Politécnica Taiwan-Paraguai. A instituição forma profissionais nas áreas de microeletrônica e computação conforme os padrões acadêmicos do Instituto de Tecnologia de Taiwan.
A ADATA é apresentada como a segunda maior fabricante independente de módulos de memória do mundo e uma das principais fornecedoras globais de armazenamento de estado sólido. A empresa, porém, ainda não anunciou uma decisão definitiva sobre a implantação da unidade no Paraguai.
Com informações de asuncionjournal.

