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Paraguai entra com força na guerra dos microchips e se alia a Taiwan para instalar fábricas de semicondutores e abastecer toda a América Latina

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 26/08/2026 às 16:33 Atualizado em 26/08/2026 às 17:01
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Fabricante taiwanesa avalia instalar unidade em Minga Guazú para montar memórias DRAM e SSDs, aproveitando imposto de 1%, tarifa zero para máquinas e energia hidrelétrica de baixo custo

A taiwanesa ADATA iniciou a prospecção industrial para instalar uma fábrica de memória e armazenamento em Minga Guazú, no Paraguai, com produção voltada ao Cone Sul e exportações para Estados Unidos e Canadá.

Fábrica de memória entra na fase formal de prospecção

A ADATA Technology começou a avaliar formalmente a implantação de uma unidade destinada à montagem e fabricação de hardware de computadores no departamento de Alto Paraná, região paraguaia próxima à fronteira com o Brasil.

O projeto foi discutido em reuniões realizadas em Assunção. Participaram dos encontros o vice-presidente da ADATA para a América Latina, Felipe Masselli, representantes do Ministério da Indústria e Comércio, integrantes da Rede de Investimentos e Exportações e a delegação diplomática taiwanesa.

A proposta ainda está em fase de prospecção. O planejamento apresentado prevê transformar a região em uma plataforma para montagem de superfície, embalagem e testes de componentes tecnológicos.

A produção seria destinada ao atendimento do mercado do Cone Sul. A localização também foi considerada para facilitar exportações aos Estados Unidos e ao Canadá.

Após inspeções em áreas próximas ao Aeroporto Internacional de Guaraní, Masselli confirmou que a companhia avalia as condições oferecidas pelo Paraguai para operações de maquila e montagem.

Segundo o executivo, esses modelos são considerados altamente competitivos para o estabelecimento de produção de alta tecnologia na América do Sul. O material não informa prazo para construção, início das operações, capacidade produtiva, investimento previsto ou quantidade de empregos.

Unidade poderá montar placas, memórias RAM e unidades SSD

O projeto não prevê uma fábrica primária de wafers de silício. A operação estudada pela ADATA está concentrada em uma etapa específica da cadeia eletrônica, relacionada à montagem e aos testes de equipamentos.

A futura unidade poderá utilizar tecnologia de montagem em superfície, conhecida pela sigla SMT, para instalar componentes eletrônicos de maneira automatizada em placas de circuito impresso.

O planejamento também inclui montagem e testes de módulos de memória RAM dinâmica, além da produção de unidades de armazenamento de estado sólido de alta velocidade. Outra atividade prevista é a programação dos controladores usados nesses equipamentos.

O processo industrial projetado exige ambientes controlados. A estrutura descrita inclui salas limpas, filtragem de alta eficiência contra micropartículas e controle rigoroso de temperatura e umidade.

Essas medidas são necessárias para reduzir riscos de descargas eletrostáticas durante a manipulação dos componentes. A operação também prevê fornos de soldagem em atmosfera inerte de nitrogênio.

Os componentes semicondutores de alta densidade seriam importados por via aérea de Taipei e integrados às placas e aos módulos na unidade paraguaia.

Incentivos fiscais e energia de Itaipu pesam na avaliação

A análise da empresa considera os incentivos oferecidos pelo Regime Maquila. Conforme a Lei 7547 de 2025, as operações enquadradas nesse modelo ficam sujeitas a um imposto único de 1% sobre o valor agregado nacional.

O regime também prevê a suspensão de direitos aduaneiros e impostos internos para a admissão temporária de insumos e chips empregados na produção destinada à exportação.

Outro instrumento considerado é a Lei 7548 de 2025. A norma estabelece tarifa zero e imunidade de direitos sobre a importação de máquinas industriais e linhas de montagem robotizadas.

O fornecimento de eletricidade também integra a avaliação. A energia hidrelétrica da usina binacional de Itaipu chegaria ao projeto por meio da subestação de Yguazu, com capacidade de 500 quilovolts.

A tarifa contratada indicada para a indústria fica entre US$ 35 e US$ 45 por megawatt-hora. A matriz energética prevista para a operação é apresentada como 100% descarbonizada.

Minga Guazú oferece ligação terrestre com o Brasil

A localização permitir permitiria uma conexão terrestre de pouco mais de 1.000 quilômetros pela Ponte da Integração e pela rodovia brasileira BR-277. A projeção é de que as cargas possam ser entregues em até 36 horas.

O projeto também considera as Regras de Origem do Mercosul, formalizadas na Decisão CMC 06 de 2023. O Paraguai possui tratamento especial e diferenciado previsto até o final de 2038.

Pelas condições apresentadas, produtos paraguaios podem incorporar até 60% de insumos provenientes de fora do Mercosul. Cumpridos os critérios de origem, a produção poderá receber certificação para tarifa intrabloco zero nos mercados brasileiro e argentino.

A proposta da ADATA é relacionada à estratégia de cooperação tecnológica de Taiwan com o Paraguai, conduzida por meio do Plano de Prosperidade Aliada.

Minga Guazú já recebeu outro investimento taiwanês citado nesse contexto: uma fábrica de montagem de ônibus elétricos da Master Transportation.

O planejamento da fábrica de memória também prevê apoio para treinamento técnico pela Universidade Politécnica Taiwan-Paraguai. A instituição forma profissionais nas áreas de microeletrônica e computação conforme os padrões acadêmicos do Instituto de Tecnologia de Taiwan.

A ADATA é apresentada como a segunda maior fabricante independente de módulos de memória do mundo e uma das principais fornecedoras globais de armazenamento de estado sólido. A empresa, porém, ainda não anunciou uma decisão definitiva sobre a implantação da unidade no Paraguai.

Com informações de asuncionjournal.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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