Ferramentas feitas de ossos de elefantes e hipopótamos foram encontradas no desfiladeiro de Olduvai e indicam que hominídeos já aplicavam técnicas avançadas há 1,5 milhão de anos.
Um achado arqueológico no desfiladeiro de Olduvai, na Tanzânia, revelou algo surpreendente: uma coleção de ferramentas feitas de osso datada de 1,5 milhão de anos.
A descoberta foi feita por paleoantropólogos que estudavam o sítio conhecido como Complexo T69, no Frida Leakey Korongo West Gully.
Uso de osso como matéria-prima de ferramentas
Os pesquisadores encontraram 27 ossos moldados em formato de ferramentas. A maioria deles vinha de grandes mamíferos, como elefantes e hipopótamos.
-
Engenheiros criam jaqueta que transforma umidade do ar em água potável e pode gerar até 900 ml por dia para trilhas, acampamentos, socorristas, trabalhadores rurais e militares em locais sem acesso fácil a fontes seguras
-
NASA quer reaproveitar rover reserva de Marte na Lua e pode mandar veículo de 1 tonelada, movido a energia nuclear, para explorar o polo sul lunar sem depender da luz solar
-
Máquina de lavar roupas movida a pedal, feita com peças de bicicleta, lava a roupa em três minutos sem gastar uma gota de eletricidade, e a engenhoca que parece uma bicicleta de academia ainda devolve as roupas 80% secas.
-
Humanos primitivos já faziam camas há quase 200 mil anos dentro de uma caverna africana, renovavam camadas de grama sobre cinzas e deixaram pistas microscópicas de um hábito familiar, revelando que dormir com conforto, proteção e rotina começou muito antes das casas e dos colchões modernos
Esses objetos foram cuidadosamente trabalhados, com lascamento semelhante ao aplicado em ferramentas de pedra, segundo explicações dos cientistas envolvidos.
Essa técnica consiste em retirar pequenas lascas do material para formar bordas cortantes.
O processo, normalmente associado à pedra, foi adaptado ao osso, o que indica uma inovação significativa por parte dos hominídeos da época.
Salto cognitivo nos primeiros humanos
A descoberta surpreendeu os estudiosos por revelar um nível de cognição que, até então, não se associava a hominídeos tão antigos.
As ferramentas de osso são anteriores em mais de um milhão de anos a outras evidências conhecidas de produção sistemática de ferramentas ósseas.
“Isso mostra que os ancestrais humanos eram capazes de transferir habilidades da pedra para o osso”, afirmou a Dra. Renata Peters, da University College London.
Ela destacou que esse tipo de transferência exige pensamento complexo e adaptação, algo raro para o período estudado.
Nova perspectiva sobre a tecnologia ancestral
De acordo com o Dr. Ignacio de la Torre, do CSIC – Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha, esse achado indica que os primeiros humanos expandiram suas opções tecnológicas. “Eles deixaram de usar apenas pedra e passaram a trabalhar com outras matérias-primas, como o osso”, explicou.
Para ele, isso reflete um avanço nas capacidades mentais e estruturais dos hominídeos. Segundo o pesquisador, o ddomínio de técnicas de transformação do material representa uma evolução no repertório técnico e cognitivo dos ancestrais humanos.
Local com tradição em grandes descobertas
O desfiladeiro de Olduvai é conhecido por revelar importantes peças da história humana. Esse novo achado reforça a importância da região e mostra que ainda há muito a ser descoberto sobre os hábitos e habilidades dos primeiros hominídeos.
A coleção de ferramentas ósseas revela que os humanos de 1,5 milhão de anos atrás já demonstravam sinais de criatividade, adaptação e pensamento técnico. Esses vestígios podem reescrever parte da linha do tempo sobre a evolução das tecnologias humanas.

