Rodrigo Cristiano Eckhardt, ex-militar, usou a própria lancha para socorrer moradores durante a enchente de 30 de abril de 2024 em Lajeado, estimou ter resgatado cerca de 90 pessoas e, após a experiência, fez cursos de combate a incêndio e socorrismo até se tornar bombeiro voluntário em Passo do Sobrado.
O ex-militar Rodrigo Cristiano Eckhardt estava na lancheria da família em Lajeado, no Rio Grande do Sul, quando a falta de energia obrigou o estabelecimento a fechar em 30 de abril de 2024. Em vez de simplesmente ir embora, chamou o irmão Eduardo e sugeriu que os dois usassem a lancha destinada às pescarias para ajudar quem começava a enfrentar a subida da água.
Ao relembrar aquela enchente em entrevista publicada em 3 de julho de 2026, Eckhardt estimou ter retirado cerca de 90 pessoas ao longo do dia. A experiência acabou modificando sua trajetória profissional: depois da cheia, fez cursos ligados ao combate a incêndios e ao atendimento de emergência e passou a atuar como bombeiro. “Durante a enchente, descobri a minha vocação”, resumiu ao falar sobre a mudança.
Falta de luz fechou a lancheria e mudou o rumo daquele dia
Antes de trabalhar com salvamento, Rodrigo já havia passado por diferentes atividades profissionais. O ex-militar serviu ao Exército durante sete anos, trabalhou com transporte escolar e depois participou do comércio de lanches mantido pela família. Até a enchente de 2024, o trabalho de emergência ainda não fazia parte de sua rotina profissional.
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Naquele 30 de abril, ele e o irmão estavam justamente na lancheria quando a energia acabou. Com o estabelecimento sem condições de seguir funcionando, Rodrigo propôs que fossem ajudar. A ferramenta disponível não era uma embarcação de salvamento profissional, mas a lancha que a família utilizava em pescarias.
Os primeiros atendimentos aconteceram no bairro Jardim Botânico. Inicialmente, os irmãos ajudaram vizinhos a retirar móveis das casas diante do avanço da enchente. Depois, decidiram seguir para a região central de Lajeado para verificar a situação.
Essa mudança de local alterou completamente a dimensão da missão. O que começou como auxílio a pessoas próximas rapidamente se transformou em uma sequência de viagens para retirar moradores de áreas já tomadas pela água.
Ao colocar a lancha na água, ouviu pedidos de vários lados
Rodrigo contou que chegou às proximidades do hospital para colocar a lancha na água e encontrou pessoas pedindo ajuda. Os chamados vinham de diferentes pontos, e ele precisou decidir quem retirar primeiro enquanto tentava manter a segurança da embarcação.
Sem experiência profissional como bombeiro naquele momento, o ex-militar afirma que tentou conduzir os resgates devagar, evitando colocar mais pessoas em risco. A prioridade, segundo ele, era não transformar a pressa em um novo problema.
Ao ser questionado posteriormente sobre quantos moradores conseguiu retirar, Rodrigo respondeu que perdeu a conta. Sua estimativa ficou em aproximadamente 90 pessoas.
Ele também afirmou ter permanecido entre as operações durante várias horas, realizando sucessivas viagens de barco. O número de 90, portanto, é uma estimativa do próprio socorrista e não um balanço oficial das autoridades.
Mulher com pânico de água exigiu calma antes de entrar no barco
Nem todos os resgates dependiam apenas de chegar até a casa e colocar a pessoa na embarcação. Em uma das ocorrências, Rodrigo encontrou uma mulher que tinha medo intenso de água e apresentava resistência para entrar na lancha.
O ex-militar precisou conversar com ela antes da retirada. Explicou que seria colocado um colete salva-vidas e também uma corda de segurança, permitindo que fosse puxada caso escorregasse ou caísse. Somente depois de se sentir protegida a mulher aceitou seguir até o barco.
O episódio acabou antecipando uma habilidade que Rodrigo afirma usar hoje no atendimento de vítimas: manter a tranquilidade e conversar com quem está em estado de medo ou choque.
Segundo ele, essa capacidade de transmitir calma acabou parecendo natural quando começou a trabalhar profissionalmente em ocorrências. A experiência da enchente mostrou que resgatar não significava apenas conduzir uma embarcação, mas também conseguir que pessoas assustadas confiassem nas orientações recebidas.
Correnteza mais forte apareceu perto de prédio da Brigada Militar
Em outro momento, Rodrigo encontrou um antigo colega dos tempos de quartel que havia ingressado na Brigada Militar. O pedido, naquele caso, era ajudar na retirada de equipamentos existentes no prédio da corporação.
Segundo o relato do ex-militar, justamente naquela rua estava a correnteza mais intensa que ele enfrentou durante a operação.
Esse tipo de deslocamento exigia atenção adicional porque uma embarcação pequena precisava atravessar ruas completamente alteradas pela água, onde obstáculos habituais da cidade deixavam de estar visíveis.
A mesma lancha usada para lazer passou a operar em um ambiente de correnteza, estruturas submersas e pessoas esperando socorro, sem ter sido originalmente preparada como equipamento oficial de salvamento.
Último resgate incluiu cachorros presos perto da prefeitura
Uma das últimas ocorrências daquele dia não envolveu pessoas. Próximo à prefeitura, um morador pediu que Rodrigo tentasse retirar seus cachorros da área inundada. Segundo o relato, o homem afirmou já ter perdido dois animais durante a enchente.
Para conseguir se aproximar dos cães, Rodrigo precisou desligar o motor da embarcação. A manobra era necessária para alcançar os animais com maior segurança e evitar que a aproximação do barco criasse outro risco.
Depois do resgate dos cachorros, ele seguiu para Cruzeiro do Sul. Lá, juntou-se a bombeiros vindos de Santa Catarina, ampliando o contato com profissionais que já atuavam formalmente em resposta a emergências.
O episódio com os animais também marcou o encerramento de uma sequência de atendimentos que havia começado horas antes, quando a família ainda estava fechando a lancheria por causa da falta de energia.
Depois da enchente, ex-militar decidiu estudar salvamento
A mudança profissional não aconteceu apenas no discurso. Depois da enchente, Rodrigo procurou formação específica para transformar a experiência daquele dia em uma nova atividade.
Ele realizou cursos de combate a incêndio e socorrismo e começou a trabalhar como socorrista dos Bombeiros Voluntários de Passo do Sobrado.
Em 2026, aos 43 anos, também atuava como bombeiro na empresa BRF e como motorista socorrista na equipe ligada ao pedágio de Venâncio Aires. Uma trajetória que havia passado pelo Exército, transporte escolar e comércio familiar terminou direcionada definitivamente para emergência e salvamento.
Rodrigo afirma que sempre teve vontade de ajudar outras pessoas, mas foi somente durante a enchente que percebeu aquela característica como possível profissão.
Ao avaliar a mudança posteriormente, disse que não escolheria outra atividade e que seu único arrependimento era não ter descoberto essa vocação antes.
Segurança virou prioridade depois dos resgates
A experiência na água também influenciou a forma como Rodrigo passou a observar ocorrências profissionais. Para ele, segurança deve ser colocada acima da velocidade ou da tentativa de agir sem planejamento.
Isso significa manter equipamentos e veículos preparados para uso imediato e reduzir o tempo necessário para iniciar um atendimento. Na avaliação do bombeiro, segundos economizados na preparação podem fazer diferença quando existe uma vida em risco.
A preocupação aparece também no modo como descreveu os próprios salvamentos durante a cheia. Mesmo diante de dezenas de pessoas aguardando, afirmou que fazia as viagens com calma para evitar acidentes.
Aquela postura, que começou de maneira improvisada dentro de uma lancha de pescaria, tornou-se posteriormente parte da rotina profissional do ex-militar.
Uma lancha de pescaria acabou abrindo caminho para uma nova profissão
Quando a energia acabou na lancheria da família em 30 de abril de 2024, Rodrigo Cristiano Eckhardt ainda não sabia que a decisão tomada naquele momento mudaria sua vida profissional. Ele chamou o irmão, colocou a embarcação usada em pescarias na água e começou ajudando vizinhos.
Horas depois, já estimava ter transportado cerca de 90 pessoas, enfrentado correnteza, acalmado moradores com medo e retirado até cachorros de uma área inundada.
A enchente não transformou automaticamente Rodrigo em bombeiro, mas mostrou a ele uma atividade que decidiu perseguir profissionalmente. Vieram depois os cursos, o treinamento e o ingresso no atendimento de emergências.
De ex-militar e trabalhador da lancheria da família, passou a atuar diretamente em salvamento e socorro. E você, o que mais chama atenção nessa história: a decisão de colocar a própria lancha na enchente, os cerca de 90 resgates ou o fato de aquela experiência ter levado Rodrigo a mudar de profissão? Conte nos comentários.

