O preço médio do etanol nos postos chegou a R$ 4,13 por litro na pesquisa semanal da ANP de 27 de setembro a 3 de outubro, o equivalente a 63% da gasolina comum. Veja em quais estados ainda vale encher o tanque com etanol, como fazer a conta dos 70% e por que o preço subiu.
O etanol hidratado custou em média R$ 4,13 por litro nos postos do país entre 27 de setembro e 3 de outubro. O dado é do levantamento semanal de preços da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Na mesma coleta, a gasolina comum teve preço médio de R$ 6,55 por litro.
A pesquisa da ANP é amostral: nessa semana, a agência coletou o preço do etanol em 3.829 postos e o da gasolina em 4.474. Dividindo um preço pelo outro, o etanol saiu a 63,05% do valor da gasolina na média nacional.
Cinco semanas antes, entre 30 de agosto e 5 de setembro, essa relação era de 60,68%. A alta foi de 2,37 pontos percentuais.
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No mesmo intervalo, o preço médio do etanol passou de R$ 3,95 para R$ 4,13 por litro. Isso dá R$ 0,18 a mais em cada litro, uma alta de 4,6%.
A gasolina quase não se mexeu. O preço médio dela foi de R$ 6,51 para R$ 6,55, alta de R$ 0,04 por litro (0,6%).
Para quem abastece, o recado é este: o etanol segue mais barato que a gasolina na média do Brasil, mas a vantagem encolheu, e em parte do país ela já sumiu.
Em quais estados ainda compensa abastecer com etanol em outubro?
A conta mais usada é a dos 70%. Como o etanol rende cerca de 70% da gasolina no mesmo carro, ele só vale a pena quando custa até 70% do preço dela. Basta dividir o preço do etanol pelo da gasolina: abaixo de 0,70, compensa o etanol.
Na média do país, 70% de R$ 6,55 dá R$ 4,58. Esse é o preço máximo em que o etanol ainda compensa no posto médio brasileiro.
Como o etanol está em R$ 4,13, sobra uma folga de 45 centavos por litro antes de a gasolina passar a valer mais.
A conta do etanol em 1.000 km
Um exemplo hipotético ajuda a ver o tamanho disso no mês. Um carro que faz 10 km por litro com gasolina deve fazer perto de 7 km por litro com etanol.
Para rodar 1.000 km pelos preços médios nacionais, esse carro gasta R$ 655 com gasolina e R$ 590 com etanol. São R$ 65 de economia no mês.
No Espírito Santo, onde o etanol chegou a 73,4% da gasolina, a mesma conta vira contra ele. Seriam R$ 644 com gasolina e R$ 675,71 com etanol.
| Estado | Etanol, preço médio (R$/litro) | Gasolina comum, preço médio (R$/litro) | Etanol sobre gasolina (%) |
|---|---|---|---|
| São Paulo | 3,84 | 6,36 | 60,4 |
| Mato Grosso | 4,22 | 6,90 | 61,2 |
| Mato Grosso do Sul | 3,98 | 6,42 | 62,0 |
| Paraná | 4,19 | 6,61 | 63,4 |
| Goiás | 4,36 | 6,69 | 65,2 |
| Acre | 4,80 | 7,25 | 66,2 |
| Distrito Federal | 4,45 | 6,66 | 66,8 |
| Minas Gerais | 4,28 | 6,36 | 67,3 |
| Bahia | 4,50 | 6,65 | 67,7 |
| Rondônia | 5,08 | 7,42 | 68,5 |
| Pará | 4,59 | 6,68 | 68,7 |
| Santa Catarina | 4,53 | 6,47 | 70,0 |
| Amazonas | 4,99 | 7,06 | 70,7 |
| Roraima | 5,37 | 7,56 | 71,0 |
| Piauí | 4,85 | 6,82 | 71,1 |
| Paraíba | 4,59 | 6,42 | 71,5 |
| Tocantins | 4,97 | 6,95 | 71,5 |
| Ceará | 4,99 | 6,97 | 71,6 |
| Pernambuco | 4,97 | 6,93 | 71,7 |
| Rio de Janeiro | 4,76 | 6,62 | 71,9 |
| Rio Grande do Sul | 4,55 | 6,24 | 72,9 |
| Espírito Santo | 4,73 | 6,44 | 73,4 |
| Maranhão | 4,86 | 6,60 | 73,6 |
| Alagoas | 4,96 | 6,72 | 73,8 |
| Sergipe | 5,30 | 6,97 | 76,0 |
| Rio Grande do Norte | 5,15 | 6,73 | 76,5 |
| Amapá | 5,83 | 6,50 | 89,7 |
Pela tabela, o etanol compensa em 10 estados e no Distrito Federal: São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás, Acre, Minas Gerais, Bahia, Rondônia e Pará, além do DF.
Santa Catarina ficou colada no limite, com 70,02% sem arredondar. Cinco semanas antes, o estado estava em 67,6%, com o etanol a R$ 4,34.
Rio Grande do Sul e Espírito Santo também se afastaram dos 70%. No Rio de Janeiro e em todo o Nordeste, a gasolina segue valendo mais a pena.
Em Belo Horizonte, a alta apareceu antes de chegar à média estadual. O repórter Wallace Graciano, de O Tempo, usou dados da Nota Fiscal Mineira, da Secretaria de Fazenda de Minas. Por eles, o etanol passou de R$ 4,22 em 22 de setembro para R$ 4,37 em 7 de outubro.
Na capital mineira, a relação com a gasolina chegou a 68,4%. Para encher um tanque de 50 litros, o motorista paga R$ 7,50 a mais que duas semanas antes, segundo a mesma reportagem.
A regra dos 70% é uma média. O Tempo lembra que, em motores flex mais eficientes no etanol, o limite pode chegar a 75%. Vale conferir o consumo real do seu carro no manual ou no computador de bordo.
Por que o preço do etanol subiu nos postos em setembro?
O aumento começou na usina. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP), os preços do etanol hidratado e do anidro encerraram setembro em alta. A medição é do mercado paulista, onde as usinas vendem para as distribuidoras.

O Cepea aponta dois motivos: as chuvas atrapalharam a colheita e a moagem da cana, e o petróleo se valorizou com força. O centro de pesquisa também registrou distribuidoras comprando mais antes do feriado de 12 de outubro.
Pesaram mais as chuvas que atrasaram a colheita da cana em boa parte do Centro-Sul. Na primeira quinzena de setembro, a moagem caiu 34,2% sobre o mesmo período do ano passado, para 30,16 milhões de toneladas. Os números foram divulgados pela agência Reuters.
Cana colhida molhada rende menos açúcar por tonelada. Por isso, as usinas reduziram a parte da cana destinada ao açúcar, segundo análise da consultoria Power Mix com base no Cepea.
Pelas contas da Power Mix, o hidratado, que vai direto para o tanque, subiu 6,86% no mercado de usina desde o início de setembro. O anidro, que entra na gasolina, subiu 9,88%.
O anidro pesa também no preço da gasolina. Desde 1º de agosto, vale a mistura de 32% de etanol anidro na gasolina. A regra é da ANP e do Ministério de Minas e Energia.
Há um sinal de pausa. Entre 28 de setembro e 2 de outubro, o indicador Cepea/Esalq do hidratado recuou 0,7%. Ficou em R$ 2,5639 por litro, sem ICMS e sem PIS/Cofins.
Esse recuo ainda não chegou à bomba: na pesquisa da ANP da mesma semana, o preço médio do etanol subiu de R$ 4,10 para R$ 4,13. A Power Mix alerta que chuvas no início de outubro podem parar a colheita de novo.
O que muda se o corte de imposto acabar em 9 de outubro
Há ainda um prazo no calendário. O Decreto nº 13.116, de 9 de setembro, zerou o PIS/Cofins do etanol hidratado, um corte de R$ 0,19 por litro. O desconto vale até 9 de outubro.
O mesmo decreto cortou R$ 0,63 por litro do PIS/Cofins da gasolina A, a que sai da refinaria antes de receber o etanol anidro. Até 8 de outubro, não encontramos anúncio de prorrogação na imprensa consultada.
Imagine que o corte acabe e o imposto volte inteiro para a bomba, o que não é garantido. O etanol médio iria de R$ 4,13 para cerca de R$ 4,32.
Na gasolina, os R$ 0,63 pesam só sobre a parte de gasolina A, que é 68% do litro vendido no posto. A conta fica em 0,63 x 0,68, ou cerca de R$ 0,43, e o preço médio iria para perto de R$ 6,98.
Nessa simulação, a relação entre etanol e gasolina cairia para cerca de 62%, porque a volta do imposto pesa mais na gasolina. É uma hipótese: distribuidoras e postos podem repassar menos, mais tarde ou de forma diferente.
Na hora de abastecer, a conta cabe no celular: multiplique o preço da gasolina na placa do posto por 0,7. Se o etanol estiver abaixo do resultado, ele compensa. Se estiver acima, fique com a gasolina.
