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Etanol sobe R$ 0,18 em cinco semanas e só compensa no lugar da gasolina em 10 estados e no DF pela regra dos 70%, mostra o preço médio da ANP

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 08/10/2026 às 09:45 Atualizado em 08/10/2026 às 09:46
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Carro branco abastecendo em posto de combustível no Rio de Janeiro, com frentista na bomba e placa de preços ao fundo.
Posto no Rio de Janeiro em março de 2026; os preços da placa são daquela época. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
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O preço médio do etanol nos postos chegou a R$ 4,13 por litro na pesquisa semanal da ANP de 27 de setembro a 3 de outubro, o equivalente a 63% da gasolina comum. Veja em quais estados ainda vale encher o tanque com etanol, como fazer a conta dos 70% e por que o preço subiu.

O etanol hidratado custou em média R$ 4,13 por litro nos postos do país entre 27 de setembro e 3 de outubro. O dado é do levantamento semanal de preços da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Na mesma coleta, a gasolina comum teve preço médio de R$ 6,55 por litro.

A pesquisa da ANP é amostral: nessa semana, a agência coletou o preço do etanol em 3.829 postos e o da gasolina em 4.474. Dividindo um preço pelo outro, o etanol saiu a 63,05% do valor da gasolina na média nacional.

Cinco semanas antes, entre 30 de agosto e 5 de setembro, essa relação era de 60,68%. A alta foi de 2,37 pontos percentuais.

No mesmo intervalo, o preço médio do etanol passou de R$ 3,95 para R$ 4,13 por litro. Isso dá R$ 0,18 a mais em cada litro, uma alta de 4,6%.

A gasolina quase não se mexeu. O preço médio dela foi de R$ 6,51 para R$ 6,55, alta de R$ 0,04 por litro (0,6%).

Para quem abastece, o recado é este: o etanol segue mais barato que a gasolina na média do Brasil, mas a vantagem encolheu, e em parte do país ela já sumiu.

Em quais estados ainda compensa abastecer com etanol em outubro?

A conta mais usada é a dos 70%. Como o etanol rende cerca de 70% da gasolina no mesmo carro, ele só vale a pena quando custa até 70% do preço dela. Basta dividir o preço do etanol pelo da gasolina: abaixo de 0,70, compensa o etanol.

Na média do país, 70% de R$ 6,55 dá R$ 4,58. Esse é o preço máximo em que o etanol ainda compensa no posto médio brasileiro.

Como o etanol está em R$ 4,13, sobra uma folga de 45 centavos por litro antes de a gasolina passar a valer mais.

A conta do etanol em 1.000 km

Um exemplo hipotético ajuda a ver o tamanho disso no mês. Um carro que faz 10 km por litro com gasolina deve fazer perto de 7 km por litro com etanol.

Para rodar 1.000 km pelos preços médios nacionais, esse carro gasta R$ 655 com gasolina e R$ 590 com etanol. São R$ 65 de economia no mês.

No Espírito Santo, onde o etanol chegou a 73,4% da gasolina, a mesma conta vira contra ele. Seriam R$ 644 com gasolina e R$ 675,71 com etanol.

EstadoEtanol, preço médio (R$/litro)Gasolina comum, preço médio (R$/litro)Etanol sobre gasolina (%)
São Paulo3,846,3660,4
Mato Grosso4,226,9061,2
Mato Grosso do Sul3,986,4262,0
Paraná4,196,6163,4
Goiás4,366,6965,2
Acre4,807,2566,2
Distrito Federal4,456,6666,8
Minas Gerais4,286,3667,3
Bahia4,506,6567,7
Rondônia5,087,4268,5
Pará4,596,6868,7
Santa Catarina4,536,4770,0
Amazonas4,997,0670,7
Roraima5,377,5671,0
Piauí4,856,8271,1
Paraíba4,596,4271,5
Tocantins4,976,9571,5
Ceará4,996,9771,6
Pernambuco4,976,9371,7
Rio de Janeiro4,766,6271,9
Rio Grande do Sul4,556,2472,9
Espírito Santo4,736,4473,4
Maranhão4,866,6073,6
Alagoas4,966,7273,8
Sergipe5,306,9776,0
Rio Grande do Norte5,156,7376,5
Amapá5,836,5089,7
Fonte: preço médio de revenda do Levantamento de Preços de Combustíveis da ANP. É uma pesquisa amostral em postos, da semana de 27 de setembro a 3 de outubro de 2026. A coluna da relação foi calculada pelo CPG com os preços médios da planilha da ANP.

Pela tabela, o etanol compensa em 10 estados e no Distrito Federal: São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás, Acre, Minas Gerais, Bahia, Rondônia e Pará, além do DF.

Santa Catarina ficou colada no limite, com 70,02% sem arredondar. Cinco semanas antes, o estado estava em 67,6%, com o etanol a R$ 4,34.

Rio Grande do Sul e Espírito Santo também se afastaram dos 70%. No Rio de Janeiro e em todo o Nordeste, a gasolina segue valendo mais a pena.

Em Belo Horizonte, a alta apareceu antes de chegar à média estadual. O repórter Wallace Graciano, de O Tempo, usou dados da Nota Fiscal Mineira, da Secretaria de Fazenda de Minas. Por eles, o etanol passou de R$ 4,22 em 22 de setembro para R$ 4,37 em 7 de outubro.

Na capital mineira, a relação com a gasolina chegou a 68,4%. Para encher um tanque de 50 litros, o motorista paga R$ 7,50 a mais que duas semanas antes, segundo a mesma reportagem.

A regra dos 70% é uma média. O Tempo lembra que, em motores flex mais eficientes no etanol, o limite pode chegar a 75%. Vale conferir o consumo real do seu carro no manual ou no computador de bordo.

Por que o preço do etanol subiu nos postos em setembro?

O aumento começou na usina. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP), os preços do etanol hidratado e do anidro encerraram setembro em alta. A medição é do mercado paulista, onde as usinas vendem para as distribuidoras.

Fiscal de colete da ANP digita em notebook dentro de posto de combustível, ao lado de servidor que preenche formulário.
Fiscalização de margens de combustíveis em Campinas (SP), em setembro, com a Senacon, os Procons e a ANP. Foto: Senacon/Divulgação

O Cepea aponta dois motivos: as chuvas atrapalharam a colheita e a moagem da cana, e o petróleo se valorizou com força. O centro de pesquisa também registrou distribuidoras comprando mais antes do feriado de 12 de outubro.

Pesaram mais as chuvas que atrasaram a colheita da cana em boa parte do Centro-Sul. Na primeira quinzena de setembro, a moagem caiu 34,2% sobre o mesmo período do ano passado, para 30,16 milhões de toneladas. Os números foram divulgados pela agência Reuters.

Cana colhida molhada rende menos açúcar por tonelada. Por isso, as usinas reduziram a parte da cana destinada ao açúcar, segundo análise da consultoria Power Mix com base no Cepea.

Pelas contas da Power Mix, o hidratado, que vai direto para o tanque, subiu 6,86% no mercado de usina desde o início de setembro. O anidro, que entra na gasolina, subiu 9,88%.

O anidro pesa também no preço da gasolina. Desde 1º de agosto, vale a mistura de 32% de etanol anidro na gasolina. A regra é da ANP e do Ministério de Minas e Energia.

Há um sinal de pausa. Entre 28 de setembro e 2 de outubro, o indicador Cepea/Esalq do hidratado recuou 0,7%. Ficou em R$ 2,5639 por litro, sem ICMS e sem PIS/Cofins.

Esse recuo ainda não chegou à bomba: na pesquisa da ANP da mesma semana, o preço médio do etanol subiu de R$ 4,10 para R$ 4,13. A Power Mix alerta que chuvas no início de outubro podem parar a colheita de novo.

O que muda se o corte de imposto acabar em 9 de outubro

Há ainda um prazo no calendário. O Decreto nº 13.116, de 9 de setembro, zerou o PIS/Cofins do etanol hidratado, um corte de R$ 0,19 por litro. O desconto vale até 9 de outubro.

O mesmo decreto cortou R$ 0,63 por litro do PIS/Cofins da gasolina A, a que sai da refinaria antes de receber o etanol anidro. Até 8 de outubro, não encontramos anúncio de prorrogação na imprensa consultada.

Imagine que o corte acabe e o imposto volte inteiro para a bomba, o que não é garantido. O etanol médio iria de R$ 4,13 para cerca de R$ 4,32.

Na gasolina, os R$ 0,63 pesam só sobre a parte de gasolina A, que é 68% do litro vendido no posto. A conta fica em 0,63 x 0,68, ou cerca de R$ 0,43, e o preço médio iria para perto de R$ 6,98.

Nessa simulação, a relação entre etanol e gasolina cairia para cerca de 62%, porque a volta do imposto pesa mais na gasolina. É uma hipótese: distribuidoras e postos podem repassar menos, mais tarde ou de forma diferente.

Na hora de abastecer, a conta cabe no celular: multiplique o preço da gasolina na placa do posto por 0,7. Se o etanol estiver abaixo do resultado, ele compensa. Se estiver acima, fique com a gasolina.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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