O etanol chegou a R$ 2,64 nas usinas paulistas, mas nos postos ainda custava cerca de 60,7% da gasolina. Compare os preços da ANP, descubra quanto custa rodar com um carro flex e veja o que pode mudar na bomba.
O etanol ficou mais caro na saída das usinas paulistas, mas continua levando vantagem sobre a gasolina para quem abastece um carro flex em boa parte de São Paulo. Na semana encerrada em 9 de outubro, o litro do combustível produzido nas usinas chegou a R$ 2,64, segundo a Consultoria Agro do Itaú BBA. Enquanto isso, a relação de preço entre etanol e gasolina no estado ficou em 60,7%: abaixo da referência de 70% que muitos motoristas usam diante da bomba.
No último levantamento disponível da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), relativa à semana de 4 a 10 de outubro, o etanol custava, em média, R$ 3,86 nos postos paulistas, contra R$ 6,36 da gasolina. A escolha do motorista depende desses dois preços de revenda e do rendimento do próprio carro. O valor recebido pela usina pertence a outra etapa da cadeia.
R$ 2,64 na usina e R$ 3,86 no posto: por que os números são diferentes
O levantamento do Itaú BBA acompanha o combustível vendido na origem industrial. Já a ANP acompanha o preço cobrado nos postos, depois das etapas de distribuição e comercialização. Os R$ 2,64 divulgados para o etanol hidratado paulista não são uma oferta aos consumidores.
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A análise divulgada em outubro mostra que o etanol nas usinas voltou a níveis observados no início da safra. As chuvas interromperam parte da moagem da cana-de-açúcar na região Centro-Sul e reduziram a disponibilidade imediata de combustível, enquanto o consumo doméstico continuou firme. O resultado foi pressão sobre as cotações na indústria.
Nos postos de São Paulo, porém, a média de R$ 3,86 do etanol ainda está bem distante dos R$ 6,36 da gasolina. O primeiro preço é cerca de 60,7% do segundo. Esse percentual representa a comparação entre o preço de um litro de cada combustível, não uma promessa de que qualquer carro fará a mesma quilometragem com os dois.

A conta dos 70% ainda favorece o etanol, mas seu carro tem a palavra final
Quem dirige um veículo flex pode começar pela conta mais simples: dividir o preço do etanol pelo da gasolina no mesmo posto. Se a bomba mostrar R$ 3,86 e R$ 6,36, a divisão resulta em aproximadamente 0,607, ou 60,7%. Pelo atalho tradicional dos 70%, o etanol sai na frente.
A referência existe porque o etanol costuma render menos quilômetros por litro. O resultado exato varia com o motor, o trânsito e a forma de dirigir. O cálculo mais fiel é olhar quantos quilômetros o seu carro percorre com um litro de etanol e com um de gasolina, e comparar o custo para percorrer a mesma distância.
Imagine um flex que faça 10 km/l com etanol e 14 km/l com gasolina. Usando os preços médios paulistas, rodar 100 quilômetros custaria R$ 38,60 com etanol e aproximadamente R$ 45,43 com gasolina. Nesse exemplo, a diferença seria de R$ 6,83 por 100 quilômetros a favor do combustível vegetal. Os consumos são ilustrativos, e cada motorista deve conferir os dados do próprio veículo.
Um tanque de 40 litros mostra a economia na bomba, mas há outro detalhe
Num abastecimento hipotético de 40 litros de etanol a R$ 3,86, o desembolso seria de R$ 154,40. Os mesmos 40 litros de gasolina a R$ 6,36 custariam R$ 254,40: uma diferença imediata de R$ 100 no caixa. Como a autonomia com etanol normalmente é menor, essa diferença no abastecimento não corresponde à economia para rodar a mesma quantidade de quilômetros.
O motorista que ainda não sabe a média real do carro pode acompanhar dois ou três abastecimentos de cada combustível, anotando litros e quilômetros percorridos. Depois, divide o preço de cada litro pelo consumo obtido. A escolha passa a ser feita pelo custo por quilômetro, que pode mudar de acordo com a cidade, o posto e a utilização do veículo.
Na capital paulista a relação é de 61,7%; no Rio chega a outro patamar
A diferença entre estados e municípios pode virar o jogo. A ANP registrou, na cidade de São Paulo, R$ 3,91 para o etanol e R$ 6,34 para a gasolina entre 4 e 10 de outubro. A proporção era de aproximadamente 61,7%, também favorável ao etanol pelo cálculo tradicional.
No Rio de Janeiro, a mesma pesquisa apontou R$ 4,74 para o etanol e R$ 6,53 para a gasolina na capital, uma proporção próxima de 72,6%. Para um flex que renda 70% com etanol em relação à gasolina, o combustível fóssil ganharia no custo por quilômetro naquele exemplo. Um automóvel mais eficiente com etanol poderia chegar a uma conclusão diferente.
Essas médias são retratos de cidades e semanas determinadas. O preço da bomba pode variar bastante até entre postos do mesmo bairro. O motorista deve usar os dois valores exibidos onde pretende abastecer, em vez de adotar a média do estado como preço do seu posto.

A gasolina também mudou: agora carrega 32% de etanol na mistura
Desde 1º de agosto de 2026, a gasolina comum vendida no país passou a receber temporariamente 32% de etanol anidro, conforme decisão do Conselho Nacional de Política Energética e regulamentação publicada pela ANP. O percentual anterior era de 30%. Essa mistura industrial é diferente do etanol hidratado que o motorista escolhe diretamente na bomba.
A composição da gasolina também interfere no rendimento. Por isso, a regra dos 70% funciona como referência rápida, mas não substitui o consumo real medido no carro. Um modelo pode ter ponto de equilíbrio acima de 70%, enquanto outro, em condições diferentes, pode ficar abaixo. A etiqueta de eficiência do Inmetro e os registros de abastecimento ajudam nessa comparação.
Governo amplia desoneração da gasolina e mantém benefício ao etanol até novembro
O governo federal também mexeu nos preços pela via tributária. Pelo Decreto nº 13.134, de 9 de outubro, foram zerados os tributos federais sobre a gasolina comum no período de 10 de outubro a 9 de novembro. A desoneração foi ampliada para o equivalente a R$ 0,89 por litro de gasolina A, enquanto o etanol hidratado manteve PIS/Pasep e Cofins zerados, redução equivalente a R$ 0,19 por litro, segundo o Ministério da Fazenda.
Os efeitos sobre o preço final dependem da chegada do benefício tributário à distribuição e aos postos, além das cotações dos combustíveis. A pesquisa da ANP de 4 a 10 de outubro retrata majoritariamente os dias anteriores ao novo período de desoneração. O motorista terá de acompanhar os levantamentos seguintes para saber como a diferença entre os dois combustíveis evoluiu.
Chuvas, procura firme e nova pesquisa: o que observar nos próximos dias
O Itaú BBA atribui o fortalecimento das cotações nas usinas ao consumo resistente e às paradas de moagem causadas pelas chuvas. Para os motoristas, a pergunta seguinte é quanto dessa valorização chegará aos postos, especialmente se a gasolina também mudar de preço.
A ANP informou que a divulgação do levantamento referente a 11 a 17 de outubro estava prevista para esta terça-feira, 20 de outubro, por causa do calendário de feriados. Até a publicação dessa atualização, os valores da semana de 4 a 10 de outubro seguem como a referência oficial usada nesta comparação.
Antes de escolher entre gasolina e etanol no próximo abastecimento, vale fazer a conta com os preços do seu posto e o consumo do seu carro. Na sua cidade, qual dos dois está compensando mais? Conte nos comentários e compartilhe a comparação com quem dirige um flex.
