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Estudo com 88 mil unidades consumidoras de energia solar por assinatura registrou inadimplência média de 17% e alerta para riscos da abertura do mercado livre no Brasil

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 13/10/2026 às 09:31 Atualizado em 13/10/2026 às 09:35
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Estudo com 88 mil unidades consumidoras de energia solar por assinatura registrou inadimplência média de 17% e alerta para riscos da abertura do mercado livre no Brasil
Estudo com 88 mil unidades consumidoras de energia solar por assinatura registrou inadimplência média de 17% e alerta para riscos da abertura do mercado livre no Brasil
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Uma amostra de 88 mil unidades consumidoras que participam da geração solar por assinatura no Brasil apresentou inadimplência média mensal de 17% entre janeiro de 2025 e maio de 2026. A mesma base registrou rotatividade de clientes de 4% ao mês. Os números foram levantados por especialistas que acompanham o mercado de eletricidade e lançam um alerta às empresas que pretendem vender energia diretamente a residências e pequenos negócios.

Guilherme Susteras e Alexandre Bueno analisaram registros da plataforma Wattio, relacionados a aproximadamente 1.400 usinas solares compartilhadas e 40 distribuidoras. A pesquisa, divulgada em outubro de 2026, examina a experiência de comercialização de créditos de energia e aponta desafios que podem ganhar escala com a abertura do mercado livre de eletricidade aos consumidores de baixa tensão.

Inadimplência de 17% ao mês aparece em base de 88 mil consumidores

O indicador de 17% representa a inadimplência média mensal na amostra e no período estudados. O levantamento abrange dezenas de distribuidoras e milhares de usinas, mas os resultados descrevem o comportamento dessa carteira, e não uma medição de todo o mercado brasileiro. Para as comercializadoras, o efeito imediato dos atrasos aparece no fluxo de caixa, justamente quando precisam honrar contratos e manter o atendimento.

Os autores destacaram um ponto que pode contrariar a expectativa do setor: dividir a carteira em milhares de consumidores pequenos não elimina a exposição financeira. Se parte dos recebimentos não entra no mês previsto, a empresa continua tendo gastos com operação, tecnologia, atendimento e aquisição de novos assinantes.

Usinas compartilhadas permitem reduzir a conta sem instalar painéis no telhado

No modelo de energia solar por assinatura, o consumidor participa de um arranjo de geração compartilhada. Uma usina fotovoltaica produz eletricidade e os créditos correspondentes são usados para compensar parte do consumo na área de atendimento da distribuidora, de acordo com as regras aplicáveis. O assinante consegue acessar a geração solar mesmo morando em um imóvel sem espaço ou condições para receber placas.

Vista elevada de varias fileiras de modulos solares cercadas de vegetacao rural
Fazenda fotovoltaica instalada no Brasil. A imagem ilustra o conceito de geracao compartilhada, sem representar as 1.400 usinas da amostra. Crédito: Eletron Energy, imagem de acervo publicada em 2023.

A relação comercial cria obrigações que vão além da fatura da distribuidora. Antes de assinar, o cliente precisa saber quais cobranças continuam existindo, como os créditos são calculados, quando o benefício aparece e quais condições valem para sair do plano. Segundo os pesquisadores, em alguns casos o intervalo entre a contratação e o primeiro benefício pode chegar a 90 dias.

Desconto anunciado chegou a 19% em 2026, mas a troca de clientes pesa nas empresas

O levantamento também encontrou desconto médio anual de 17% na modalidade, alcançando 19% em 2026 na base analisada. É um indicador diferente da inadimplência mensal, apesar da coincidência numérica. A economia oferecida ao cliente ajuda a explicar a procura pelo serviço, mas o preço competitivo precisa conviver com gastos de comercialização e cobrança.

O índice de 4% de rotatividade a cada mês acrescenta pressão. Cancelamentos exigem reposição de clientes, enquanto usinas compartilhadas podem ficar com capacidade temporariamente sem assinantes suficientes para aproveitar todos os créditos. As empresas voltam a gastar para conquistar consumidores, mesmo depois de terem investido na estrutura de geração e gestão.

Comércio poderá escolher fornecedor em 2027; residências entram em 2028

O calendário de abertura do mercado livre torna o debate mais urgente. O Decreto 13.097/2026 estabelece que consumidores industriais e comerciais atendidos em baixa tensão poderão escolher o fornecedor de eletricidade a partir de 25 de novembro de 2027. Para residências e os demais consumidores, a abertura está prevista para 25 de novembro de 2028.

Medidor de energia eletrica montado em poste residencial com cabos visiveis
Medidor de consumo de eletricidade, imagem ilustrativa. No mercado livre, a distribuidora continua responsavel pelo uso fisico da rede. Crédito: Imagem de contexto publicada pelo Gizmodo Brasil.

O modelo de mercado livre difere da assinatura de geração distribuída. Nele, o consumidor passa a contratar a energia de um fornecedor escolhido, enquanto a distribuidora continua responsável pela rede física. O Ministério de Minas e Energia informa que a regulamentação também prevê mecanismos de suprimento de última instância para situações em que o fornecedor contratado não consiga atender seus clientes.

Atrasos, faturamento e contratos confusos entram na pauta dos reguladores

Susteras e Bueno defendem acompanhamento de liquidez, garantias, práticas de venda, prevenção a fraudes e clareza contratual. O setor elétrico já fiscaliza medição e fornecimento, mas milhões de novos contratos de varejo podem aumentar as disputas ligadas à cobrança e à compreensão do serviço adquirido.

O estudo também registra relatos de consumidores que dizem não reconhecer determinadas contratações ou enfrentam dificuldade para entender as cobranças. Para quem pretende aderir a uma assinatura solar, verificar prazo para entrada dos créditos, regras de cancelamento, desconto efetivo e identificação da empresa contratada ajuda a evitar problemas posteriores.

O trabalho foi desenvolvido pela Allez Estratégia, com base na experiência dos pesquisadores no mercado de energia solar compartilhada. Seus resultados oferecem indicadores para o debate regulatório, enquanto a abertura do mercado livre ainda depende de adaptações técnicas e comerciais. 

Você já contratou energia solar por assinatura? Conte nos comentários se a economia apareceu na fatura e compartilhe esta reportagem com quem avalia aderir a um plano.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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